Via San Luca – em peregrinação? Não

Um pouco fora do centro histórico de Bolonha, fica o Santuário della Madonna di San Luca. O mesmo despertou a minha atenção depois de ter visto imagens do tipo destas a ilustrar o referido local ( imagens retiradas da internet).


No entanto o GPS, sugeria um percurso para chegar ao referido local, que não inspirava total confiança. Eu esclareço melhor, depois de no passado já ter tido que pagar 3 multas de valor idêntico, superior a 100€ cada, por ter circulado numa área com transito condicionado, não se afigurou seguro se não queria pagar mais multas em Itália por esse motivo, percorrer uma estrada que dizia expressamente  que o transito pela mesma se limitava a veículos  devidamente identificados.

Assim a alternativa foi estacionar na base da montanha, antes do inicio da Via di San Luca, e percorrer esta pelo corredor entre as suas arcadas, com um declive bastante acentuado, constituído por rampas e escadarias  que se intercalavam. Convém esclarecer que não estava em peregrinação nem pretendia cumprir nenhuma penitencia, mas aquele corredor de cerca de 1,9Km não foi tarefa nada fácil de concluir. Os meus acompanhantes (um de palmo e meio) decidiram que já não conseguiam concluir a caminhada mesmo antes da mesma chegar ao meio. Como eu os compreendi naquele momento, e fiquei com vontade de os acompanhar na descida, mas a vontade de concluir o objectivo que me tinha proposto e descobrir como era o Santuário pesaram mais na minha decisão.

Assim conclui a Via di San Luca sozinha, como se se tratasse de uma promessa que tivesse feito (mas apenas a mim mesma).

Estas são algumas das imagens tiradas enquanto percorria a dita Via San Luca. O numero pretendido, correspondente ao Santuário é o número 36 da Via San Luca, mas era impressionante como os números das portas não davam qualquer indicação do quanto ainda faltava percorrer. Faltava-me a sensação de sentir os números passar,  vi o 4,  o 6 até mesmo o 12 (altura a partir da qual comecei a percorrer a Via sozinha), mas surgiam tão espaçados que dava para desesperar com a sensação do quanto continuava a faltar. Só mais tarde percebi, próximo do destino final, os números de porta começaram a surgir bem mais frequentes…

Depois da Via San Luca, a merecida compensação.

O Santuário Della Madonna di San Luca mereceu sem duvida o esforço para o visitar.

O seu interior é bastante interessante e possui uma atracção central digna de reverencia.

Diz a lenda que o evangelista São Lucas , terá feito duas pinturas da Virgem Maria na mesa da Sagrada Família. Uma dessas pinturas chegou a Itália, e denominou-se de Madonna Di san Luca na pequena igreja romanesca de Impruneta, perto de Florença. A outra depois de ter sido transportada de Jerusalém para Constantinopla por Constantino, acabou no castelo de um príncipe russo. Aqui foi encontrada por outro principe, Vladislao da Polónia, que mais tarde confiou-a a uns monges em Czestochowa.

Quando os bolonheses primeiro levaram a imagem até à cidade, para implorar para parar as chuvas torrenciais, citaram o exemplo de Florença que bem sucedida recorrendo à sua Madonna de San Luca em caso de calamidade.

Investigações históricas são sem duvida interessantes, curiosas e de grande valor, mas o que sobretudo interessa é que sempre que se olha para imagem bolonhesa escura  com moldura florida, fica-se com a impressão que os seus olhos falam connosco intimamente e fazem-nos pensar.

A imagem da Virgem, sem duvida alguma é impressionante e não deixa ninguém indiferente.

O exterior do edifício do Santuário também é digno de referencia, com a sua estrutura em parte cilíndrica e a tonalidade das suas fachadas num laranja tímido.

Avistar a cidade de Bolonha do cimo do monte onde se ergueu o Santuário, também é algo que valeu bem a pena. Vislumbra-se tudo de um ponto bem superior e que permite ter uma  perspectiva diferente e panoramica do tanto que a cidade tem para oferecer.

Esta ultima compilação de fotos reflecte justamente estes dois aspectos.

 

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8 thoughts on “Via San Luca – em peregrinação? Não

  1. Que preciosidade de narrativa, parabéns! Eu também não desistiria e foi mesmo bom não o ter feito. Imaginaria quanto iria ficar arrependida? Há momentos que não voltam! As fotografias estão magníficas! Beijinhos!

  2. Além da “Turista” revelar ser uma grande aventureira, demonstrou uma enorme coragem. O artigo tinha de sair perfeito!

    Acredite que eu, também, não teria desistido.

    A explicação tão minuciosa e pormenorizada do seu artigo, merece, uma vez mais, que lhe apresente os meus parabéns.

    Agradeço, também, por me ter dado a conhecer algo que desconhecia e que considerei maravilhoso.

    As fotos do interior do Santuários permitiram-me, também, viajar e conhecer as preciosidades que tal Santuário guardava.

    As fotos estão excelentes!

    Não posso, também, deixar de referir que as fotos tiradas do topo da Santuário, tendo a seus pés a cidade de Bolonha, fecharam “com chave de ouro” o seu artigo.

    • Não considero que tenha sido um acto de coragem, ou aventura, mas sim um acto de persistência e curiosidade. Em todo o caso a visita mais do que compensou o esforço.

      Uma vez mais muito obrigada pelos seus comentários e elogios.

  3. os meios palmos ficaram-se pelo café e bola de berlim depois de terem ficado de joelhos face à imponência do lugar…literalmente face ao número de degraus…o próximo milagre terá que ser a construção de uma ajuda mecânica para elevar o espírito e ao mesmo tempo o corpo a ele associado até ao topo. Mas se calhar não, porque afinal o que vale a pena exige sempre algum esforço.
    E Anita Croft não pára na sua missão aventureira de mais que ocasionalmente nos deliciar com fotos de lugares de perder a respiração…uns mais literalmente que outros.

    • “os meios palmos” foram muito simpáticos e queridos ao nao se oporem a que eu continuasse o percurso sozinha, mesmo conscientes que teriam que esperar na base da montanha bastante tempo por mim.
      Ainda bem que se entretiveram e se deliciaram com um “lanche” matinal docinho…

      O pseudónimo Anita Croft, revelou muita inspiração, e teve bastante piada, devo admitir.

  4. Anita Croft?
    É mesmo a combinação da Anita dos livros com a aventureira Croft?
    Olha que se é assim, está muito bem lembrado!

    Bjinhos e muitas saudades dos três!

    • Sem dúvida que o economista ocasional estava bastante inspirado quando escreveu este seu comentário.
      Também acho que foi uma feliz combinação entre a Anita dos Livros e a Aventureira Lara Croft.

      Eu também já sentia a falta dos teus comentários por aqui…

      Beijinhos e retribuo as saudades

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