Verona – tudo por amor

Neste segundo dia em Verona, foi a tragédia de William Shakespeare que começou por influenciar os meus passos e as minhas escolhas.

Na véspera já tinha visitado o suposto lugar onde Julieta terá vivido, a casa dos Capuletos.

Sempre com imensas pessoas a quererem conhecer o lugar onde Julieta terá vivido e a famosa varanda onde terá sido cortejada por Romeu, a casa em Via Capello remonta provavelmente ao século XIII. O portão exterior aberto incita efectivamente a entrar na pequena praça interior onde a entrada principal da casa se localiza.

No entanto a primeira impressão com que fico ao percorrer o pequeno corredor, é que as paredes laterais do mesmo parecem completamente vandalizadas. Não há espaço livre de mensagens em diversas cores e idiomas, escritas por muitos dos visitantes que querem marcar a sua presença e de alguma forma constituírem um elo de ligação com a história trágica de amor que aquelas paredes terão assistido. Nem sempre as histórias de amor têm finais felizes, e muitos  identificam-se com essa sensação, mas escreverem em todos os milímetros quadrados das paredes, pelo menos para mim, não é uma imagem agradável.

A estátua em bronze de Julieta, obra de N. Costantini, transmite-nos a sensação de que ela continua a habitar nesse espaço que foi o seu… Diz a tradição que se deve tocar no peito desta estátua de Julieta para se ter uma oportunidade de amor eterno.

Permitam-me agora abrir um parêntesis.

(Curiosamente já passei diversas vezes por uma estátua de Julieta idêntica a esta, mas que se encontra em Munique, do lado sul da Antiga Câmara Municipal (Altes Rathaus), em Marienplatz. A estátua de Munique foi oferecida pela cidade de Verona em 1974, e nesta a tradição diz que se ofereçam flores e se coloquem as mesmas na mão de Julieta.)

Depois de fechado este parêntesis, voltemos ao início deste segundo dia em Verona.

O dia de exploração da cidade começou assim com a visita ao Túmulo de Julieta, afinal depois da sua morada em vida, faltava a sua suposta morada eterna.

As indicações para lá chegar não foram de todo difíceis, mas as obras de restauração existentes no local alteraram o posicionamento da entrada.

Assim além da sinalização para o Túmulo de Julieta, foi a estatueta de Liang Shanbo e  Zhu Yingtai, da lenda chinesa dos amantes borboleta que mais despertou a minha atenção.


Segundo esta lenda chinesa, a história do amor trágico dos Amantes Borboleta  (Butterfly Lovers) terá decorrido durante a Dinastia Jin Oriental (317-420, ou seja, à mais de 1600 anos), e é o equivalente chinês à história de Romeu e Julieta.

Unidas por lendas românticas com um fim trágico de alguma forma idêntico, as cidades de Verona e Ningbo tornaram-se cidades geminadas em Outubro de 2005.  Em Setembro de 2008 a cidade de Ningbo presenteou Verona com esta estatueta de mármore branca que simboliza esta lenda dos Amantes Borboleta, depois de em 2007 Verona ter presenteado a sua “irmã” Ningbo com uma estatueta de Julieta.

 

Depois de ficar a saber um pouco mais do porquê da estátua de mármore naquele lugar, rumei para a entrada alternativa que me levaria a visitar o referido túmulo.

Ao entrar nas imediações, no pequeno jardim que recebe os visitantes, mais uma referencia ao amor  espelhado na escultura de um coração vermelho aberto que contrasta com o verde da relva.

O bilhete para a visita ao “tão aguardado” túmulo incluía a entrada no Museu dos Frescos “G.B. Cavalcaselle”, pelo que, antes vislumbrei alguns frescos e esculturas dispostos no Museu.

O Túmulo de Julieta está integrado no antigo Convento dos Capuchinhos em Via del Pontiere, do qual restam visíveis o claustro e a barroca Capela de São Francisco. Numa cripta sugestiva dada a penumbra, encontra-se o sarcófago, que diz a tradição se tratar do Túmulo de Julieta.

Com um artigo já bastante extenso, o relato deste dia de visita a Verona,  continua amanhã.

 

5 thoughts on “Verona – tudo por amor

  1. Conheci Verona, mas não o dito sepulcro de Julieta. Gosto sempre de conhecer pequenos museus, como o que fala no post de hoje. A propósito viu o filme ” Cartas a Julieta” ? Bem engraçado e bem romântico, que segundo me parece é também a sua maneira de ser ! Beijinhos, aguardo a continuação da bela Verona!

    • Por acaso quando entrei no espaço exterior da casa da Julieta e vi aquelas paredes, lembrei-me justamente desse filme que refere, por nele haver referencia às mensagens que deixavam em bilhetinhos entre as pedras da parede, e que depois eram recolhidos, e que foram o mote para o desenvolvimento da história do filme.

      Curiosamente, no domingo passado assisti ao filme de animação da Disney, Gnomeo e Julieta, em que a história de Romeu e Julieta é transposta para o mundo dos Gnomos de Jardim, numa versão bem mais suave, e com final feliz, como seria exigível numa versão mais infantil. (Um aparte: À conta dos gnomos durante o filme, lembrei-me de um outro filme, “O fabuloso destino de Amelie Poulain”, e de umas fotos tiradas e enviadas outrora por Babette segundo estilo retratado no filme)

      Beijinhos

  2. Faz-me espécie que tanta gente esteja interessada em deixar o seu nome na parede da casa da Julieta. Afinal eles acabam os dois mortos, não me parece exactamente uma associação feliz para um qualquer par de namorados.
    E a estátua da Julieta de Munique é muito engraçada…veio ao ski?

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