Al Porto – um almoço que ficou na memória

O Al Porto, é sem duvida um restaurante gourmet, descoberto por mero acaso, quando procurava um local para almoçar durante o passeio de reconhecimento ao Lago Garda.

Localiza-se em Moniga del Garda, mesmo em frente ao Lago Garda.

O aspecto exterior do restaurante, sóbrio e sem qualquer elemento particularmente desviante  da arquitectura circundante, nada me fazia adivinhar como seria acolhida no seu interior. (As duas fotos seguintes foram retiradas do site do restaurante.)

Ao entrar no interior do edifício tudo mudou, em especial a minha opinião sobre se tratar de um local banal. Entrei numa antecâmara com roupeiros altos, sofás e uma mesa baixa, onde por certo quando o restaurante está lotado as pessoas podem aguardar pela vez da sua reserva. No entanto o horário para almoço tinha há instantes começado e o restaurante ainda estava vazio. Breves segundos depois sou acolhida pelo empregado de mesa, que depois de perceber que estava interessada em almoçar explica que aquele é um restaurante com uma filosofia muito especial, serve essencialmente pratos de peixe, de peixe do lago. Tal ideia agradou-me bastante, e como as salas do restaurante ainda estavam vazias pude escolher qual a mesa em que preferia sentar-me.

Um pormenor relevante. Quando o empregado de mesa (designação utilizada apenas por desconhecimento do termo correcto) trouxe as ementas, a minha não possuía qualquer indicação dos preços. Tal admito, provocou-me alguma confusão, talvez por questões de formação, mas depois consegui abstrair-me de tal défice. Era sem dúvida um prenuncio dos padrões de cavalheirismo que eram expectáveis, já que apenas a ementa atribuída ao elemento masculino da mesa  (o de palmo e meio não conta para esses efeitos) continha os preços dos pratos.

Quanto ao serviço prestado durante toda a refeição, por demais atento, atencioso, solicito e cuidadoso, só posso acrescentar maravilhas. O empregado de mesa, sempre o mesmo e para ser sincera, o único que vi a povoar as salas do restaurante, era um claro conhecedor quer dos pratos, das bebidas como de todos pormenores que os envolviam. Fez questão de explicar com orgulho que os ingredientes utilizados eram sobretudo caseiros e da região.

 

[Por uma questão de maior facilidade de identificação das imagens correspondentes,  na compilação de fotos apresentada abaixo, numerei as mesmas da direita para a esquerda e de cima para baixo e coloquei o número respectivo entre parêntesis, na descrição da ementa degustada.]

 

O azeite do Lago Garda, reputadíssimo pela sua suavidade, poucos minutos depois fez uma visita à mesa, servido em 3 conta gotas, acompanhadas por três fatias de pão (2). (Na foto já só existem duas porque eu não resisti a pegar na minha e provar a iguaria antes de  a fotografar) . Estava mais do que comprovada a verdadeira suavidade do azeite do Lago Garda.

Antes de ser servida qualquer entrada que tivesse sido pedida, somos presenteados com uma outra entrada, desta vez servida num prato grande e com uma pequena profundidade central. Tal prato continha um pouco de marmelada de pêssego (daí a tonalidade alaranjada) uma pequena tosta estaladiça e para colmatar uma espécie de patê de peixe, mas que não descortinei qual (1). Tudo bastante saboroso e muito apetitoso mesmo,  tudo incrivelmente bem apresentado.

O cesto de pão chegou sensivelmente na mesma altura, ainda quente, por ter acabado de ser feito  cerca de 20 minutos antes. Continha uma variedade de espécies de pão considerável, e sem excepção todos deliciosos e especiais (3).

A entrada escolhida foi Tosta de sardinha com molho de mostarda à antiga (4). Uma entrada deliciosa e cuja apresentação me agradou bastante

O prato comprido com um molho alaranjado foi o escolhido para o meu acompanhante de palmo e meio, Gnochi  de abóbora e batata com linguiça, Lúcio e alecrim (6).

Como prato principal escolhi Filé de peixe branco cozido com alcachofras e banha da montanha (7). Admito que adorei o peixe e como estava temperado, mas talvez pelo nome do molho de acompanhamento com “banha”, preferi provar mas não me saciar com ele.

O outro prato principal, não meu sub-entenda-se, foi fatia de lúcio em  poleiro de trufa preta de inverno com polenta cremosa e couves estufadas (9).

As sobremesas foram respectivamente creme brullé de chocolate (que na foto (10) já falta uma colherada, tal a gulodice do meu acompanhante de palmo e meio) e “três para três bolos de chocolate” (11) (64% fondant Tainori, 70% fondant chocolate negro e 85% fondant Abinao) . Sobremesas deliciosas, capazes de satisfazer os mais exigentes e insatisfeitos.

Depois de recolhidos os pratos da sobremesa, a mesa é uma vez mais presenteada, desta vez com 3×3 bolinhos inesperados (12) para acompanhar o café. Uma vez mais, o empregado de mesa encarregou-se de descrever em que consistia cada um deles. Ficou então decidido que o meu acompanhante de palmo e meio, não provaria o que era servido numas pequenas tacinhas, já que continha café.

Um almoço que ficou na memória e que só de pensar, activam-se as minhas papilas gustativas.

Durante estas férias em Itália fiz refeições ópticas nos vários locais por onde passei, embora tal fosse espectável dada a riqueza e diversidade gastronómica  que Itália possui, mas nenhuma que merecesse o destaque de que esta é digna.

4 thoughts on “Al Porto – um almoço que ficou na memória

  1. Actualizei-me lendo os post anteriores, como sempre abrindo o apetite para tão belos passeios. Só que aqui, neste caso, é mesmo de “apetite” de que se deve falar! a descrição de todos esses mimos pré-entradas é mesmo de tentar. Adoro pão e azeite! Peixe idem, se bem que peixe de rio tem que ser mesmo bem temperado para ter bom sabor. A propósito, só por curiosidade, o nome do restaurante não tem nada a ver com a cidade do Porto, ou mesmo o seu vinho? Presumo que não.
    Pena o tempo estar com nevoeiro,ainda assim ficaram umas belas fotos, parabéns!
    Beijinhos

    • Bom dia!
      Não, o nome do restaurante tem a ver com o facto de se localizar junto a um porto onde atracam vários barcos que passeiam pelo lago, ou que pescam no mesmo.

      Também fiquei com alguma tristeza por estar um dia de nevoeiro quando conheci o Lago Garda. Num dia de sol acredito que a paisagem deve ser mesmo fantástica e paradisíaca, a avaliar pelos livros turísticos, postais e fotos na Internet que existem sobre esta região.

      Beijinhos

  2. Os almoços e jantares ficam-me sempre na memória, mais do que os monumentos…suponho que a estimulação gustativa ajuda à memória a fixar imagens dos sítios visitados…este foi soberbo…o azeite a conta-gotas, o pão, a trufa negra e o peixe estavam deliciosos…e já mencionei o pão? E já agora a cerveja artesanal também, servida em garrafa de vinho…

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