Dallmayr – muito mais que uma luxuosa “délicatesse”

A Dallmayr é muito, muito mais do que uma loja de Munique onde se vendem produtos alimentares de requintadíssima qualidade, em alguns casos extravagantes mas na maioria dos casos, produtos gourmet exclusivos.

A sua loja principal localiza-se em Munique na Dienerstraße 14, entre Marienplatz e Odeonplatz, um pouco antes da praça onde se encontra o Teatro Nacional e a München Residenz.

Esta loja remonta ao século XVII (a data exacta é desconhecida, mas sua origem remonta entre 1671 e 1700) tendo por primeiro proprietário Christian Reitter. Após a sua morte em 1700, as suas duas filhas herdaram a loja. O nome Dallmayr advém do novo proprietário em 1870, Alois Dallmayr, um mercador de Wolnzach, na Baviera. Alois Dallmayr como não tinha herdeiros vendeu, em 1895, a loja a Anton Randkofer , que morreu apenas dois anos depois.

A sua viúva Therese Randlkofer assumiu a loja, e apesar de uma gestão feminina ser bastante rara naqueles tempos, ela geriu o negócio com muito sucesso e melhorou significativamente a reputação da loja. Ela foi muito hábil a alavancar as relações sociais do seu negócio, e trocou receitas com os cozinheiros da corte da Baviera. Por volta de 1900 a loja era uma das mais conceituadas lojas de comida da Europa e os seu clientes incluíam 15 casas reais e nobres da Europa, entre as quais a do ultimo imperador alemão, Wilhelm II.

A loja foi galardoada com o titulo Königlich Bayerischer Hoflieferant (Fornecedor da Corte Real da Baviera) e fez entregas diárias ao príncipe Luitpold da Baviera. A loja foi a primeira a importar bananas das ilhas Canárias para a Alemanha, e também oferecia mangas e ameixas oriundas da China, e Lichias durante uma época em que a maioria das pessoas nunca tinha sequer ouvido falar de bananas. Therese Randlkofer introduziu muitas inovações. Por exemplo ela usou cantos invendáveis de grandes peças de Bacon para saladas, dando aso ao primeiro buffet frio.

A loja era igualmente motivo de conversa na cidade pela sua iluminação publicitária moderna. Theresa Randlkofer adquiriu uma propriedade em 1906, a Goldachhof, perto de Ismaning, para fornecer produtos para a loja. Em 1912 a loja já possuía mais de 70 trabalhadores.

Em 1930 consequência do crash bolsista de Wall Street de 1929, a loja também passou por tempos difíceis, já que a aquisição de produtos de luxo diminui durante uma depressão. Para se proteger contra este revés, a Dallmayr expandiu a sua diversidade de produtos em 1931  para incluir uma nova linha de produtos, café. Em 1933 foi criada uma divisão de café de pleno direito que incluía a torrefacção eléctrica, pelo perito em café de 19 anos, Konrad Werner Wille oriundo de Bremen.

Durante a devastação da Segunda Guerra Mundial a loja principal foi completamente destruída em 1940. Em 1950 a nova loja foi edificada de acordo com os planos históricos, incluindo a fachada neoclássica.

Em cerca de 1960, o negócio foi expandido incluindo um serviço de máquina de venda automática, inicialmente em cooperação com a BMW . Durante este tempo Konrad Werner Wille desenvolveu uma nova marca de café, a Dallmayr Prodomo, que se tornou um grande sucesso e ainda hoje se encontra disponível.

Em 1984 a Nestle adquiriu 50% da propriedade da divisão de café para estabelecer uma posição no mercado de café alemão. Em 1985 a divisão de café é estabelecida como uma companhia independente com Wolfgang Wille, a Alois Dallmayr Kaffee oHG. Em Agosto de 2003 a Nestle reduziu a sua quota na Alois Dallmayr Kaffee oHG para 25%. Actualmente a Dallmayr é uma marca premium na Alemanha.

Como já não existe uma corte da Baviera, a empresa afirma-se como Ehemaliger Königlich Bayerischer Hoflieferant (Antiga Fornecedora da Corte Real da Baviera).

Dallmayr hoje é sinónimo de:

  • Loja de produtos alimentares de luxo ou gourmet. Inclui confeitaria, chá, mel, geleia, chocolate, carne, salsichas, frango, peixe, caviar, pastas, pão, frutas, legumes, vinho, bebidas espirituosas e tabaco.
  • Cafés   – Na loja realça o facto dos grãos de café serem armazenados em recipientes pintados à mão da porcelana de Nymphenburg. As quantidades ainda são medidas em balanças históricas.
  • Serviço de Festas e Catering, que teve a sua origem nos serviços prestados para as cortes europeias, organizando eventos com capacidade para 10 a 10000 pessoas.
  • Restaurante  –  No edifício principal, em Dienerstraße 14, encontra-se igualmente um restaurante com capacidade para 120 lugares. Diethard Urbansky é o seu reputadíssimo chefe internacional. O restaurante possui cozinha alemã com uma forte influencia da cozinha francesa.
  • Loja online que começou em 2000 abrindo um novo canal de distribuição.

As fotos seguintes ilustram o que se pode encontrar no numero 14 de Dienerstraße.

– Exterior do edifício, suas montras e entradas (1 – Tabacaria, 2 – Restaurante, 3 – Loja, 4 – Café)

– Interior do edifício, com as suas diversas áreas

  • Vinhos

  • Entrada para o Café-Bistro

  • Confeitaria

  • Cafés

  • Geleias, compotas e afins

  • Chocolateria

  • Chás

  • Charcutaria

  • Caviar e outros produtos gourmet

  • Chafariz com alguns familiares da lagosta

  • Bufete de salgados frios

  • Outras especialidades Dallmayr

  • Frutas e legumes

  • Frutos secos

  • Peixaria

  • Queijo

  • Pasta e Pão

  • Talho

  • Doçaria – mousses e equiparados, molhos e saladas de fruta

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22 thoughts on “Dallmayr – muito mais que uma luxuosa “délicatesse”

  1. Que lugar de perdição. É um conceito luxuoso e de grande requinte,bem que poderiam abrir filiais, porque não em Portugal? Teriam apenas que exportar essas delícias!
    Beijinho.

    • Sim, um lugar de grande perdição, que merecia um artigo exclusivamente a ele dedicado. Pois filiais… era algo interessante sem dúvida, mas acho que antes que tal aconteça nem mesmo a loja online, sana esse desejo, pois acho que só entregam dentro da Alemanha, o que é uma pena.
      Beijinho e óptimo fim-de-semana

    • Muito Obrigada pelo seu comentário.
      Nem imagina como fiquei feliz pelo seu elogio, pois os seus artigos são sempre óptimos, e ter gostado do meu, é uma grande honra para mim.

      Um óptimo fim-de semana

    • Fico muito contente que tenha gostado, ainda mais que o seu blog é uma referencia para mim de muito bom gosto.

      Muito obrigada, pelo seu elogio ao meu artigo, mas acredite que a Dallmayr é que realmente merece os elogios.

    • Fico contente por lhe ter dado a conhecer um lugar que desconhecia em Munique. Presumo que tal deva ser uma raridade, já que pelo seu blog dá-me a sensação de ficar a conhecer muito bem os locais que visita.

      Seja sempre muito bem vinda a este espaço.

  2. NÃO ME LEMBRO DE TER VISTO ESTE ESTABELECIMENTO COMERCIAL, QUANDO ESTIVE EM MUNIQUE, MAS QUE ME ABRIU O APETITE E FEZ CRESCER AGUA NA BOCA……FEZ, PROMETO A MIM MESMO, NÃO DEIXAR DE VISITAR E ADQUIRIR ALGUNS DOS PRODUTOS A VENDA.
    OBRIGADO, POR MAIS UM OTIMO ARTIGO, DEVIDAMENTE PORMENORIZADO. PARABENS E VOTOS DE FELICIDADES.BEIJOS.

  3. Parafraseando: seu post foi uma “lufada de ar refrescante” nesse dia ensolarado de outuno!!! Excelente. Comentarista ocasional.

  4. Cara “Turista”

    Apresento os meus parabéns pelo excelente e fantástico artigo!

    Não deixei de admirar a forma tão minuciosa e esclarecedora como o descreveu.

    Adorei conhecer toda a sua história até ao presente.

    As fotos realçam não só o enorme “glamour”, mas a diversidade do seu recheio.

    Uma loja de sucesso!

    Acredite que me lembro da sua fachada, mas não entrei.

    Numa próxima visita a Munique, não deixarei de a conhecer in-locco e adquirir alguns dos seus famosos produtos, em especial, a doçaria. Uma tentação!

    Obrigada pelo enriquecimento que a “Turista” me dá a conhecer, através dos seus artigos.

    • Cara executiva,
      fico contente por ter gostado de mais este artigo e da forma como o expus.

      Acredito que se quando visitou Munique, viu a fachada do edifício da Dallmayr, depois de ter lido este artigo deve ter ficado ainda com mais pena por não ter entrado.

      Realmente não faltam motivos para sermos tentados no interior da loja.

      Muito obrigada pelo seu comentário tão simpático

  5. Gostei muito, estas lojas dão sempre interesse e mistério, parece que são milhares de coisas boas para ver e descobrir, sem fim.
    O que não percebi foi se vendem também cabeças de alce, dado que estão bastante prominentes nas fotos. Dava até para fazer um concurso de contar quantas são…e oferecer uma embalagem de café?

    E para quando a próxima edição do guia de lojas de café, com a Nespresso…:)?

    • As cabeças de alce são apenas decorativas… mas realçam a componente da caça tão proeminente na Baviera como uma das actividades económicas mais fortes nos séculos passados. Basta ver a referencia a esse facto no meu artigo sobre o Hoffgarten.

      Quanto a lojas de café, com referencia à Nespresso, devo admitir que uma grande percentagem delas, encontra-se em edifícios históricos e centenários da cidade, mesmo quando o que servem no seu interior não tenha nada de histórico ou centenário. No caso particular da Nespresso, a loja no centro da cidade localiza-se mesmo numa das “artérias” principais da mesma, na já tantas vezes abordada Theresienstrasse.

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