Como uma Rainha por uma noite no Castelo

Sentir-me rainha por um dia e uma noite na suite real de um castelo. Esse foi o objectivo concretizado, sugerido por um dos tópicos da lista apresentada no artigo de ontem.

O Castelo de Estremoz, convertido na Pousada Rainha Santa Isabel, e a suite especial denominada Suite D. João IV foram os ingredientes necessários para que tal acontecesse.

A Pousada localiza-se no cimo de uma colina com vista privilegiada sobre o centro da cidade de Estremoz e a planície alentejana, no Largo de D. Dinis. Estas são algumas imagens do que se pode vislumbrar à chegada ao dito largo.
Esta é a primeira impressão ao entrar na pousada, com a nobreza das suas escadarias e do salão da recepção.

As origens do castelo não estão totalmente definidas no tempo, mas durante a ocupação muçulmana estes fortificaram a colina onde o mesmo se localiza.

Durante o reinado de D. Sancho II (1223-1248), começaram os trabalhos de reconstrução do castelo. Com o reinado de D. Afonso III (1248-1279), foi outorgado foral à vila em 1258, e manteve-se a reconstrução e reforço das defesas, bem como a construção da cerca da vila. A Torre de Menagem consequência desse facto foi erigida em 1260.

A edificação das muralhas continuaram com o reinado de D. Dinis (1279-1325), monarca que mandou erguer o Paço Real, junto ao castelo.  Foi neste Paço, que faleceu a Rainha Santa Isabel (4 de Julho de 1336). Em vida, esta rainha evitou em Estremoz um eminente embate entre o seu filho D. Afonso IV e o rei Afonso XI de Castela.

A rainha Santa Isabel será sempre associada a uma lenda que contribuiu para a sua imortalização.

Segundo a lenda portuguesa, a rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado: São rosas, Senhor!. Desconfiado, D. Dinis inquiriu-a: Rosas, no Inverno? D. Isabel expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele havia rosas, ao invés dos pães que ocultara.

Nas paredes da Pousada existem quadros onde esta lenda não é esquecida.

A estadia nesta pousada histórica de Portugal, conhecida com todo o mérito de pousada museu, permitiu-me deambular sem qualquer pressa ou limitações, entre corredores e salas, como se estivesse num museu, mas sem outros visitantes simultaneamente a ocuparem o espaço.

As referencias religiosas nos quadros das salas e corredores são previsíveis atendendo a tratar-se de uma pousada com o nome de uma rainha santa.

Depois de feito o “check-in” na recepção, o recepcionista gentilmente subiu com a mala com o intuito de apresentar a suite. Tal como se de uma visita guiada se tratasse,  fez questão de informar que a peça mais antiga da pousada, cuja origem era anterior ao próprio edifício, se encontrava na nossa suite. Pelo que apenas nós durante a nossa estadia podíamos apreciar a mesma. A noção de alguma exclusividade, admito que teve um “sabor” especial.

A peça em causa tinha sido trazida do Brasil e a imagem seguinte fala por si do que se trata.

Os restantes elementos que compunham a suite contribuíram igualmente para me transpor para outra época e viver com algumas mordomias dignas de uma rainha.

Sala da Suite

Caloroso acolhimento com doces conventuais e fruta da época.

O mármore verde do quarto de banho

O quarto da suite, com especial destaque para a cama com dossel de madeira com as armas reais de Portugal e de Espanha.

A paisagem avistada da suite, também é interessante.

Com um dia de bastante calor em que o termómetro indica temperaturas superiores a 30ºC, como é comum nos dias de Verão no Alentejo, um dos locais que mais apreciei na pousada durante a tarde, foi o que incluía a piscina, e em várias situações, sentir-me rodeada por agua fresca no interior da mesma.

Ao fim do dia, descontrair e apreciar a paisagem exterior, no bar Dão Vasco da Gama tornaram a estadia na Pousada ainda mais agradável.

Um pouco mais da vivência nesta pousada museu fica para o artigo seguinte…

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5 thoughts on “Como uma Rainha por uma noite no Castelo

  1. Cara Rainha,
    so faltam as imagens do elevador da epoca que serviu para levar a mala…
    e simpatico do D Joao IV nao estar la para atrapalhar o disfrute do quarto. Foi uma experiencia real sim senhora, os corredores da pousada sao magnificos, mais ate que os quartos em opiniao de economista e a piscina e um must nos 30 graus de calor alentejano…bem bom poder finalmente ler umas paginas de um livro sem preocupacoes

  2. Pingback: Pousada Rainha Santa Isabel à mesa | Turista Ocasional

  3. “Cara Turista”!

    Acredite que, este seu artigo, fez-me recuar aos meus tempos de estudante.

    A narração que a “Turista” faz dessa época, no que concerne à reconstrução do castelo, agora, “Pousada Histórica”, foi uma mais valia para os meus conhecimentos.

    Ficou-me bem gravado o reinado de D. Dinis e a eterna lenda da Rainha Santa Isabel, que a “Turista”, aqui, bem refere.

    Na verdade, ser “Rainha por uma Noite”, é como um conto de fadas! O certo é que a “Turista” teve o prazer de ficar numa “Suite Real”.

    Se me permite, eu atrevo-me a dizer, uma noite mágica!

    Acredito que tenha ficado fascinada e, por essa razão, a sua máquina fotográfica não se cansou de registar tudo o que via, por onde passava.

    Gosto imenso das Pousadas de Portugal. Todas são detentoras de um “charme” sem igual. No entanto, esta ainda não tive o privilégio de conhecer, mas não perderei a próxima oportunidade para o fazer.

    Os arredores que a circundam são, igualmente, um convite à sua exploração.

    Pelas razões, atrás referidas, pelo seu empenho e partilha de conhecimentos, apresento os meus agradecimentos e parabéns.

    • Cara Executiva!

      É interessante constatar como há associações que a nossa memória faz automaticamente a acontecimentos ou factos que nos são familiares. As nossas memórias e vivências tornam única e singular a forma como encaramos o mundo que nos rodeia. Neste caso em particular o meu artigo despertou memórias do seu tempo de estudante, e por certo de aulas de história de Portugal.

      Folgo em saber, que este meu artigo também lhe despertou a vontade de conhecer e desfrutar de mais uma das pousadas de Portugal. Se as imagens a fascinaram, acredito que ainda gostara de apreciar ao vivo na primeira pessoa tudo o que descrevi e ainda mais.

      Muito obrigada pelo seu comentário e descrição do que o mesmo lhe despertou.

  4. Pingback: Numa viagem à minha infância | Turista Ocasional

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