Numa viagem à minha infância

Não há muitos lugares que recorde ter visitado durante os meus tempos de infância. Não que não tenha visitado imensos, apenas que muitos ao visita-los mais tarde, durante a minha adolescência, foi como se os tivesse a visitar pela primeira vez.

Presumo que essa sensação, de sentir que se está a visitar um lugar pela primeira vez, apesar de já o termos feito outrora, nos recônditos tempos da nossa infância não seja algo estranho para ninguém.

Um dos locais que no entanto marcou a minha infância e que ainda hoje guardo na memória com carinho é o Portugal dos Pequenitos em Coimbra.

Assim foi mesmo muito agradável revê-lo durante estas férias em Portugal e dá-lo a conhecer ao meu muito querido acompanhante de palmo e meio.

Trata-se de um parque temático pedagógico, inaugurado em 1940 graças à genialidade de Bissaya Barreto e projecto do arquitecto Cassiano Branco.

Como o próprio nome deixa transparecer, ilustra sobretudo em termos arquitectónicos, as casas típicas das diversas regiões de Portugal, bem como faz alusão aos países de expressão portuguesa espalhados pelo mundo, através de exemplares da sua arquitectura.

As construções são a uma escala mais reduzida, mas não em miniatura, pelo que fazem as delicias sobretudo dos mais pequenos, como foi o caso do meu acompanhante de palmo e meio, que podem entrar e descobrir o seu interior, sem obstáculos à sua altura.

O mapa seguinte, com o esquema do parque foi retirado do site oficial do Portugal dos Pequenitos.

Como o próprio mapa ilustra, o parque subdivide-se em várias áreas temáticas.

A – Países de Língua Oficial Portuguesa (Países africanos de expressão portuguesa, Brasil, Macau, India, Timor )

– Republica de Cabo Verde, Republica Democrática de S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique.

– Brasil

– Macau

– India

– TimorB – Portugal Insular (Açores e Madeira)

– Açores

– Madeira

C – Portugal Monumental (alguns monumentos emblemáticos do país, utilizados também para alojar os museus do traje, do mobiliário, da marinha, alem da cafetaria e da loja de recordações. Destaque para a escultura da importante figura da era dos Descobrimentos, o Infante D. Henriques e o mapa dos Descobrimentos)

– Museu da Marinha

– Museu do Mobiliário

D – Coimbra (afinal é nesta cidade que se alberga o parque merecendo por isso toda a relevância que o parque lhe atribui. É dado particular destaque ao edifício da Universidade de Coimbra)

E – Casas regionais (representantes das casas típicas desde o Norte ao Sul do país)

F – Casa da criança (que mais parece uma espécie de jardim de infância)

G – Parque Infantil

Curiosamente na área circundante deste parque infantil encontra-se um jardim com uma estátua da Rainha Santa Isabel. Já fiz referencia a esta rainha aquando do artigo acerca da Pousada Rainha Santa Isabel, em Estremoz, lugar onde faleceu. Mas em Coimbra também existem diversas referencias a esta rainha, pois ela também aqui viveu e é onde se encontra sepultada, no Convento de Santa Clara-a-Nova

A minha reportagem fotográfica, não abrange de todo cabalmente, as diversas áreas do parque, pois num local repleto de focos de atenção para um acompanhante de palmo e meio, cuja noção de apreciar implica experimentar, entrar, tocar, correr, brincar, a minha principal atenção não é focar a objectiva para tudo o que o parque tem para oferecer, mas concentrar o máximo o olhar na atitude imparável daquele palmo e meio, sem nunca o deixar perder de vista.

6 thoughts on “Numa viagem à minha infância

  1. “Ó Portugal da minha infância
    não sei que é, amo-te à distância,
    amo-te mais quando estou só”…

    António Nobre

    Veio-me à memória, imparável, este excerto incluído no “SÓ” deste poeta romântico.

    É um local delicioso, instrutivo, único em Portugal.Concebido como propaganda à nossa
    diversidade cultural e extensão territorial, à época, resultou em cheio e não tem a publicida
    de que merece entre as maravilhas de Portugal.
    Obrigada por mo recordar com tanta sabedoria.
    Beijinhos

    • Bom dia!!!

      Muito obrigada, antes de mais pelo seu comentário tão instrutivo.
      Eu tinha imensa vontade de voltar a este parque da minha infância, agora acompanhada pela infância do meu acompanhante de dois palmos .
      Admito que estava um pouco reticente acerca do que iria encontrar, pois tinha sido advertida que o parque, apesar de não estar ao abandono, carecia de algumas obras de manutenção e recuperação, um pouco como acontece actualmente no país real.
      No entanto as minhas memórias de infância e a alegria e entusiasmo despertados no meu acompanhante de dois palmos, toldaram essa visão mais negativa, e tal como na lenda da Rainha Santa Isabel, eu só vi rosas, e não procurei os espinhos.

      Beijinhos

  2. Olá, cheguei aqui através do blogue da Babette, com a curiosidade aguçada pelo comentário que lhe deixou no post de hoje. E foi com surpresa que descobri esta reportagem sobre o Portugal dos Pequenitos. Este verão levei lá o meu pequenito (com três anos). Foi uma manhã muito bem passada. Correu, entrou nas casinhas, enfiou-se nos alpendres pequeninos (nos quais era o único do grupo a caber). Ainda é cedo para uma visita mais pedagógica. Ficará guardada para daqui a alguns anos. Beijinhos dos Açores.

    • Olá Ilídia!!!
      Muito bem-vinda, e espero que volte.
      A minha tarde no Portugal dos Pequenitos também foi um período muito bem passado, e fez em especial as delícias do meu acompanhante de dois palmos, cujo maior entusiasmo era entrar em todas as casas e tentar fechar as portas e janelas.
      Açores é um arquipélago que ainda não tive o prazer de visitar e ficar a conhecer, apesar da grande curiosidade que o mesmo me desperta.
      Beijinhos

  3. Cara “Turista”

    O artigo que acabei de ler está ótimo e as fotos ilustram na integra este famoso parque de diversão infantil. Creia que, ainda, o tenho bem presente na minha memória.

    Este é mais um dos artigos da “Turista” que me fez recuar à minha infância e, posteriormente, quando levei pela primeira vez a minha “little girl”, num dia de verão, cheio de sol.

    Ambas partilhámos das mesmas brincadeiras! Esse dia ficou registado na minha memória para sempre recordar.

    Acredito que, a “Turista”, se tenha divertido imenso ao ver o seu “Palmo e Meio” entrar e sair de todas as casas pequeninas e outras diversões que este parque proporciona. Com certeza, que o seu “Palmo e Meio” aproveitou ao máximo todo o tempo que ali passou. Quanta alegria deve ter sentido!

    Apresento os meus parabéns pelo excelente artigo. Narrou-o com muito “know how”.

    • Cara Executiva,
      uma vez mais muito simpático e elogioso o seu comentário. Muito obrigada, pois é sempre óptimo receber um feed-back tão positivo ao que escrevemos.

      Durante esta visita ao Portugal dos Pequenitos, senti-me pela primeira vez no outro papel, não no da filha pequena levada pela sua mãe, mas no de mãe que acompanha o seu filho, ao entrar num lugar que foi um marco na minha infância.
      Por certo algo que também terá experimentado quando voltou lá com a sua “little girl”.

      Eu não consegui entrar em todos os locais que entrei quando também tinha dois palmos, pois se na altura as casas eram próprias para os duendes que são as crianças, agora foi a vez de me sentir como Guliver.

      Um óptimo fim-de-semana

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