O Castelo Hohenzollern e uma questão de linhagem

O Castelo Hohenzollern situa-se nos Alpes da Suábia, perto da cidade de Hechingen, no estado alemão de Baden-Württemberg.

O mapa seguinte com a sua localização relativa, permite “encontra-lo” mais facilmente. Neste mesmo mapa encontra-se assinalado o Palácio de Sigmaringen (Schloss Sigmaringen), que também é propriedade da família Hohenzollern e que será alvo de um artigo posterior.

É o acento ancestral da família Hohenzollern. No século XV começou por ser uma fortaleza, e no século XIX, entre 1850 e 1867 foi remodelado e reconstruido. A única área original que persiste do século XV é a Capela de S. Miguel.

(Caso tenha curiosidade acerca da história que envolve este castelo desde as suas origens até ao presente, pode encontrar um resumo da mesma aqui)

O castelo, situado no topo de uma colina com excelentes vistas, é um complexo imponente, extenso e soberbo com várias torres e muitos quartos para explorar.

A planta do Castelo Hohenzollern (Burg Hohenzollern) aqui apresentada foi obtida à entrada das instalações aquando da aquisição dos bilhetes para o visitar (só disponível com legendas em alemão).

Depois de ter deixado o automóvel no parque de estacionamento perto do número 22, optei por fazer o trajecto de autocarro até às imediações da bilheteira junto ao portão da Águia (1).

A compilação de fotos seguinte ilustra um pouco o percurso desde esse ponto 1 até ao cimo no centro do castelo, passando pelo Portão da Torre (2), o Pátio da Carruagem (3) da rainha Vitória de Inglaterra e a Capela evangélica de Cristo (10).

A carruagem da rainha Vitória de Inglaterra (3) é apresentada abaixo.

Eis-me chegada à área central do castelo. Sem duvida muito interessante em termos arquitectónicos e não só.

Depois de apreciar o exterior da área central do castelo, não podia deixar de visitar a Capela de S. Miguel (9), o único dos edifícios que permanece desde o século XV.

Na antecâmara desta capela eis a minha surpresa ao encontrar uma lápide em mármore com uma rainha portuguesa (a qual será mencionada posteriormente neste artigo), ao lado de um dos seus irmãos.

E estas são imagens da capela sem descurar claro, uma estátua do arcanjo S. Miguel, nem alguns dos vitrais que a capela possui.

Depois da visita a esta capela, explorei um pouco melhor o que o complexo do castelo tinha para oferecer:

– o exterior do edifício do castelo propriamente, com as suas fachadas e entrada para loja e  restaurante (5) o jardim com snack-bar, ou se preferirem Jardim da Cerveja (Biergarten) (4), estátua de Friederich Wilhelm IV  e canhão (6).

– desfrutar um pouco mais da vista privilegiada do cimo da colina onde se insere o castelo sem dúvida uma paisagem de perder o fôlego dado o longo alcance que se vislumbra;

– a Capela evangélica de Cristo (10)

Havia chegado a hora para início da visita guiada ao interior do Castelo.

As fotos seguintes apresentam a porta de entrada e a primeira sala. Depois de passar pela sala de entrada, a da árvore genealógica, não era permitido captar fotografias, e eu controlei-me e cumpri o estipulado. Mas neste site podem descobrir um pouco mais acerca do teor dessa visita.

Na visita ao interior do Castelo, fascinou-me de imediato essa primeira sala/hall de entrada cujas paredes eram preenchidas com uma extensa e intrincada árvore genealógica dos Hohenzollern, de imensos ramos assinalados a cores diferentes consoante a linhagem a que pertenciam.

Mas se nas fotos os ramos não são muito legíveis, nas digitalizações das árvores genealógicas, das duas famílias aristocráticas que deram origem a uma dinastia, contidas na revista “Hohenzollern 950 Jahre” da Labhard Medien, esse problema não persiste.

Como portuguesa, não posso deixar de destacar na linhagem suábia da árvore genealógica, a presença de uma princesa portuguesa, D. Antónia de Bragança (1845-1913) que se casou com Principe Leopold de Hohenzollern-Sigmaringen.

O que não consta nos ramos da árvore genealógica da linhagem suábia é que a princesa Stephanie de Hohenzollern-Sigmaringen (1837-1859), filha do Príncipe Karl Anton de Hohenzollern (1811-1885)  se tornou Rainha de Portugal ao casar com o rei D. Pedro V.

Depois deste “entre parentesis” acerca de questões de linhagem com influência nas dinastias portuguesas, e depois de terminada a visita guiada ao interior do Castelo, a  visita continuou para a Cave e Casamata (7).

Ao sair das “profundezas” do castelo (8), eis que volto de novo à luz de um dia quente e bastante ensolarado.

A vislumbrar o castelo de outra perspectiva e a apreciar o jardim dos bastiões (16) foi como acabou esta visita ao Castelo de Hohenzollern.

Por mera curiosidade, existe uma estrada alemã designada de estrada de Hohenzollern (Hohenzollernstraße) e cujo mapa se encontra neste link.

7 thoughts on “O Castelo Hohenzollern e uma questão de linhagem

  1. Olá.
    Estou na dúvida se este “complexo” será ou não uma cidadela (povoação fortificada
    dentro de muralhas e cujo «epicentro é um castelo», como,por ex. Óbidos em Portugal ou um qualquer “kremlim” como se diz em russo. (Claro que o de Moscovo é um caso à parte, pela imponência, mas há muitos outros…) Não sei nada de língua alemã mas
    poderá averiguar…
    Adoro genealogia, tal como genética e “heranças familiares” ; físicas, psicológicas, intelectuais e por aí fora… Explicam muito do comportamento humano…
    Creio que a D. Antónia mencionada, era a 6ª filha da rainha de Portugal, D. Maria II e de seu marido Fernando Saxe-Coburgo-Gota (o qual mandou construir o palácio da Pena, em Sintra ) e que casou com o príncipe Leopoldo Hohenzollern-Sigmaringen. D. Antónia era irmã do rei de Portugal D. Pedro V, que casou com a tal princesa Estefânia que foi rainha apenas um ano( 1858-59 ) pois morreu de difteria. O seu marido, grande esperança para o futuro da Monarquia Constitucional pacificada e a desenvolver o país, após as guerras civis com o fim do Absolutismo, também só reinou 5 anos, pois morreu de cólera. O Hospital pediátrico D. Estefânia, em Lisboa, foi construído em sua honra.
    Já me alonguei bastante, desculpe.
    Quero ainda referir que tentei esclarecer o comentário lacónico sobre a Mesquita/Catedral de Córdoba.
    Um bom dia . Beijinho

    • Vá visitei outros locais que podem ser denominados de cidadelas, ou em alemão “Zitadelle”, mas penso que neste caso particular esse não é o caso. As capelas integram o próprio edifício do castelo, e não existem quaisquer edifícios construídos autonomamente do castelo (como se pode constatar pelo plano do castelo). Como muito bem refere, caso se tratasse de uma cidadela existiram casas que formavam a povoação dentro das muralhas.

      Neste caso particular eu fiquei realmente fascinada com as ramificações das árvores genealógicas que criaram laços nos dois sentidos. É mesmo durante a visita ao interior do castelo, existem referencias e influencias portuguesas no mesmo, o que me fez sentir orgulhosamente portuguesa aquando da visita guiada (do género de quase me apetecer dizer durante a visita: “Estão a falar do meu país. Eu sou portuguesa com orgulho e, sim somos um povo com todas esses atributos e qualidades admiráveis e ainda mais. Mesmo que o estejam a dizer em alemão e eu tenha mais dificuldade em perceber o que dizem, já que achava que tinha ingressado uma visita guiada em inglês”.

      Beijinho

  2. Pingback: Palácio de Sigmaringen, absolutamente irresistível | Turista Ocasional

  3. As monarquias europeias são todas parentes uma vez que casavam entre si. Casar com plebeus(eias) foi só a partir de meados do séc XX . Eduardo III de Inglaterra
    foi obrigado a abdicar nos anos 40. Isabel II é sua sobrinha e não permitiu que voltasse a Inglaterra até morrer!
    Além disso, os casamentos eram alianças políticas, negócios.Não seria grande coisa ser uma princesa rica!..
    BJS

    • Sim eu sei, que as alianças politicas entre os países, no que concerne à monarquia, eram feitas através de contratos matrimoniais e casamentos entre membros da mesma classe social.
      Pode ser um pouco romanceado, mas acaba por retratar um pouco isso mesmo, os romances históricos que li (e gostei bastante) de Isabel Stilwell..
      Mais uma vez caindo no mais comercial, agora no campo cinematográfico, o filme “O discurso do rei“, retrata um pouco a abdicação de Eduardo III De Inglaterra.

      Muito obrigada por mais este seu comentário tão enriquecedor.
      Beijinhos

  4. Lamentavelmente, escrevi III em vez de VIII.
    A turista teve a gentileza de não me chamar a atenção para a gaffe, apesar de não lhe ter escapado, tanto mais que viu o filme « O discurso do Rei» que infelizmente não vi, mas sei que foca essa problemática. Só ao ler a s/ resposta é que estranhei…e detectei a origem !…
    Eduardo III viveu nos primórdios da fundação da Inglaterra.
    Sinta-se à vontade para esclarecer o que não está correcto. Todos cometemos gaffes!
    Beijinhos

    • Todos cometemos gaffes, mas admito que eu não me tinha apercebido desta sua. Como expert em história, nem questionei que o que escreveu tivesse algum erro nesse domínio.
      É muito nobre da sua parte admitir o seu erro, e procurar corrigi-lo.
      Também por isso, só lhe posso agradecer imenso.
      Obrigada e beijinhos

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