Bamberg desde os tempos medievais ao presente

Bamberg é uma cidade do estado da Baviera que merece ser descoberta.

Possui um centro histórico bastante interessante, reconhecido em 1993 pela UNESCO Património Mundial da Humanidade, em parte por deter uma aparência medieval autentica.

Localizada na região administrativa da Alta Francónia, passa por ela o rio Regnitz, perto da confluência com o Rio Main.

Bamberg foi uma das poucas cidades que durante a segunda Guerra Mundial não foi alvo de bombardeamentos e manteve-se intacta, porque uma fábrica de artilharia situada nas proximidades impediu que os aviões se aproximassem da cidade.

O mapa seguinte (retirado daqui, com alguns extras acrescentados por mim) apresenta o centro histórico da cidade, com os principais locais turísticos devidamente assinalados.

Um dos primeiros locais no centro da cidade que atraiu de imediato o meu total interesse e atenção foi a Antiga Câmara Municipal (Alte Rathaus (2)) construída em 1386 no meio do rio Regnitz, e acessível por duas pontes.

Conta a lenda que surgiu uma ilha como resultado da rivalidade entre os cidadãos e o bispo. Como foi cedido aos cidadãos qualquer terreno para a construção do edifício da  Câmara Municipal que tanto desejavam, os cidadãos criaram uma ilha artificial com um canteiro de obras.

De facto a sua localização marca a antiga fronteira de governação entre a cidade episcopal nas montanhas e a burguesa cidade-ilha sendo uma clara demonstração da sede de poder da burguesia.

Os seus frescos nunca deixam de impressionar quem se depara com eles, ao conferirem às fachadas uma impressão tridimensional conseguida com a técnica trompe d’oeil.

O actual edifício da Antiga Câmara Municipal foi construído entre 1461-1467, inicialmente em estilo gótico, mas foi construída entre 1744-1756, segundo projectado por Michael Kuchel. Devido à varanda da torre levantada, através dos lados tridimensionais dos afrescos, eles mostram alegorias das virtudes, construídos nos estilos do barroco e rococó

Actualmente a antiga Câmara Municipal alberga o prestigioso salão rococó e a Colecção Ludwig.

O rio Regnitz é a fronteira entre o centro cívico e a montanha episcopal. O acesso à ilha é realizado por duas pontes duplas, a ponte inferior e a ponte superior.

A ponte superior data do século XII e é, assim, uma das mais antigas pontes de arcadas do mundo. Uma torre que se encontrava na ponte protegia-a. Era nesta torre que soava o sino da cidade. Hoje em destaque na ponte superior encontra-se um grupo de cruzes de Leonhard Gollwitzer de 1715 e uma estátua do Santo Nepomuceno.

A ponte inferior foi mencionada pela primeira vez 1020. Na idade média, havia uma forca com uma cesta nesta ponte, denominada de cesta de pressão.  Servia como um castigo para criminosos que eram por intermédio desta imersos na água.

Essa ponte inferior foi destruída com o decorrer do tempo repetidamente, e mais recentemente, junto com outras pontes de Bamberg por soldados alemães no final da Segunda Guerra Mundial, como uma tentativa inútil de parar a derrota. A actual estrutura da ponte em concreto data de 1967.

Depois de atravessar a ponte, o próximo local visitado foi a Igreja de S. Martinho, uma magnifica igreja jesuíta  de estilo barroco.

A igreja foi originalmente construída como a igreja universitária e a igreja do colégio jesuíta. Depois de um período de construção de apenas 7 anos, a casa de oração foi consagrada em 1693. O trompe d’oeil da cúpula de Giovanni Francesco Marchini e a pieta de inícios do século XIV merecem ser apreciados mais pausadamente.

Depois da visita a esta igreja, a visita a Bamberg continuou, e continuará no artigo seguinte…

10 thoughts on “Bamberg desde os tempos medievais ao presente

    • Bom dia!

      Ontem foi um dia louco por aqui e nem tive tempo de responder aos comentários. Eu acho que ao se conhecer a cidade de Bamberg, é impossível não ficar cativada e seduzida pelo charme que a cidade emana. O centro histórico bem medieval é mesmo de se ficar derretida…
      Uma óptima semana para si, já a pensar no reveillon😉

  1. E se continua amanhã, ainda bem para quem a lê. Descreve muito bem esta pequena cidade que não conheço. Acho romântico construirem assim tão próximo da água. E a igreja, sendo de jesuítas, é sempre especial. Beijinhos e boa semana.

  2. Boa tarde.
    Há dias que não dialogávamos.
    Como já afirmei, uma repórter de mão cheia!
    Como o “assunto” vai continuar vou dissertar sobre «poder».
    Poder da Igreja, poder da aristocracia ( defesa/ataque) e poder do 3º Estado que se vai afirmando à medida que a burguesia (o dinheiro!) vai crescendo!
    Neste post está bem definido na forma como os burgueses se impõem ao bispo. Por que razão “o rei” ouve o 3º Estado? porque ao dar-lhe poder o tira
    ao clero. Quem perde fica com menos! Lógico!
    Beijinhos

    • Bom dia!!!

      Ninguém gosta mesmo de perder o poder depois de o deter. A Historia revela o quanto a classe social do clero, se agarrou com “unhas e dentes” ao poder e à sua capacidade para influenciar a governação de um país ou região, senão mesmo substitui-la.
      Muitos dos seus actos de puro autoritarismo, tem repercussões ainda hoje na forma como a igreja é encarada e na crescente diminuição de fé a que se assiste.
      Quem está no poder, por outro lado gosta de estar sempre rodeado por quem lhe pode dar mais poder, e quem possui mais riqueza. A rica burguesia começa assim gradualmente a adquirir mais poder (os ditos novos ricos) em face de uma nobreza que foi falindo e que era oca por dentro… O clero não queria de forma alguma esse destino, e tudo procurou fazer para diminuir o poder dos seus rivais.

      Beijinhos

  3. Bom dia.
    Resposta sábia, de quem reflecte sobre os conhecimentos que adquiriu.
    Parabéns. É para isso que a História serve mas nem toda a gente percebe o quanto é importante…
    Bamberg “cresceu” sobre 7 colinas como Roma… ( E à nossa escala, como Lisboa… Não há-de ser por acaso que os turistas estrangeiros a
    consideram especial). Fiquei deslumbrada com o que permitiu ver e ficar a saber. Bem merece ser património da Unesco!
    Câmara municipal, sede de concelho, símbolo do local, do “poder” do Povo. Utilizar o meio do rio foi uma ideia fabulosa. Ficou lindíssimo.
    Reparou que há construções de tipo hanseático?
    Existe ainda uma outra coincidência que me chamou a atenção: Notre Dame de Paris também foi construída numa das ilhas do rio Sena…
    Rosengarten: sensibilizou-me imaginar o seu dois palmos a jogar às escondidas num espaço tão maravilhoso, mas tão vibrante de verde,
    vida, ar puro, cor… Soube aproveitar a liberdade no local adequado!
    Será que percebi o significado de alguns vocábulos alemães?…
    garten=jardim; berg=montanha; dom=catedral; Rathaus=câmara?
    Dever me chama!
    Beijinhos

  4. Pingback: Bayreuth Festspielhaus, num festival imperdível para Wagnerianos | Turista Ocasional

  5. Pingback: Veste Coburg | Turista Ocasional

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s