S. Martinho na paróquia

No passado dia 11 de Novembro comemorou-se o dia de S. Martinho. Todos conhecem certamente a lenda do Soldado S. Martinho, que num dia frio, divide a sua capa com um mendigo que corria o risco de morrer enregelado.

Aqui na Alemanha é um dia festivo, e comemorado de forma especial pelas crianças em idade pré escolar (ou seja, sobretudo de infantário).

Neste dia comemoram o São Martinho, com uma procissão de lanternas acompanhada por cânticos alusivos. A esta segue-se uma encenação da “lenda” de S. Martinho que termina com distribuição de pão pelas crianças e posterior partilha do mesmo por estas com quem não o tem (em geral outra criança que se encontra ao seu lado ou próxima).

Como a procissão de lanternas decorre ao fim do dia, com início cerca das 17h, e nessa altura já escureceu, são sobretudo as lanternas, como é suposto, que iluminam o caminho. A encenação da lenda decorre numa área ampla ao relento, à volta de uma fogueira, sobre a supervisão de bombeiros para não surgirem surpresas desagradáveis.

Onde eu moro o meu acompanhante de dois palmos, gosta de participar nesta procissão de lanternas e por isso, eu costumo acompanha-lo em duas procissões organizadas por entidades diferentes e que ocorrem em dias distintos. Este ano a primeira foi a organizada pela paróquia.

A da paróquia começa com uma celebração inicial na igreja a qual antecede a  procissão de lanternas e a posterior encenação da lenda de S. Martinho atrás referida.

A segunda ocorrerá hoje ao fim do dia, e é organizada pelo infantário que o meu dois palmos frequenta. Cada turma do infantário faz as suas lanternas e dentro desta as lanternas são todas idênticas, diferindo das das outras turmas. Como as crianças na procissão, são agrupadas segundo a turma a que pertencem, é fácil identificar  quando começa e termina cada turma, com base nas lanternas que as crianças ostentam.

Quanto à lanterna a ser usada na comemoração organizada pela igreja, há total liberdade de escolha para a realização/aquisição da mesma. A criatividade na confecção das lanternas pode ser o limite e fruto sobretudo da vontade, capacidade e disponibilidade para fazer a sua lanterna original. Neste época do ano, não faltam mesmo fontes de inspiração, por exemplo em livros de bricolage especialmente dedicados à realização das mesmas, como os da TOPP. Alternativamente pode-se comprar lanternas, que são um produto acabado, como as da Riethmüller.

Este ano a lanterna que fiz com o meu dois palmos, tinha um tema muito especifico e reconhecido por muitos: o Lightning McQueen, do filme da disney pixar Cars 2. Não encontrei o protótipo da mesma em nenhum livro de bricolage, e duvido que mesmo que tentasse, consequência dos direitos de autor, encontrasse em algum. Assim não possuía qualquer “passo por passo” de como a fazer, apenas uma enorme vontade de nao desistir sem tentar. Consegui chegar a um resultado final conforme pretendido.

O meu dois palmos envergou a sua lanterna muito contente e orgulhoso, e eu fiquei sobretudo feliz por ver a sua alegria estampada no rosto.

Esta foi a Lanterna 2011, da primeira das procissões de lanternas em que o meu dois palmos pretende participar.

Na sequência seguinte de imagens são apresentadas as diferentes fases da comemoração do S. Martinho atrás descrita.

Da direita para a esquerda e de cima para baixo:

1º – Comemoração inicial do S. Martinho na Igreja.

2º – Procissão de Lanternas

3º – Encenação da “Lenda” de S. Martinho à volta da fogueira.

4º – Repartição do pão (com uvas passas) com quem não o tem, em analogia ao que S. Martinho fez com a sua capa vermelha.

No dia de S. Martinho é típico a ementa ser Ganso assado e existem mesmo receitas especiais de como o confeccionar. Neste site podem encontrar uma receita típica do ganso de S. Martinho. Confesso que eu não a fiz e que no dia 11 a minha ementa não foi ganso.

9 thoughts on “S. Martinho na paróquia

  1. Bom dia querida amiga, aqui se comemorou muito. As lanternas, lindas e a criançada se divertindo.
    Ano passado meu filho fez uma linda lanterna e participou da procissao.
    Este ano, como está na 5° série no colégio, disse que estava “grande” para isso. É …ele está ficando um homem.
    Acho lindo esta comemoraçao e participo ativamente.
    Beijos e uma semana maravilhosa para vc e sua família.

    • Olá Angela!!!!

      Como convivemos diariamente com os nossos filhos nem nos apercebemos o quanto eles crescem. E nós pensamos sempre neles como os nossos bebes.
      O meu dois palmos ainda é pequeno e continua a delirar e sonhar antecipadamente com o dia da procissão de lanternas, altura em que poderá andar com a sua e participar na mesma.
      Eu também acho muito interessante esta comemoração e gosto de participar, apesar de sentir sempre imenso frio…
      Beijinhos e uma óptima semana para si e para a sua família

  2. Querida turista:
    Desaparecida que tenho estado, passei agora uns belos momentos a ler os post anteriores. Encantei-me sobretudo com os dedicados à fotografia. E com a catedral de Colónia, que foi bombardeada, tal como a de Milão e apesar de tudo poupada. Triste é o Homem não aprender. É o mesmo ser que faz os templos e as guerras.
    Beijinhos e bons passeios!

    • Bom dia!

      Admito que já sentia a sua ausência. Fiquei contente por ter apreciado os meus últimos artigos. Eu também encantei-me bastante com este museu da fotografia de Burghausen, ainda mais porque foi inesperado já que desconhecia de todo a sua existência lá.
      Quanto à Catedral de Colónia é mesmo um edifício impressionante e é com todo o mérito que faz jus à fama que tem.
      O Homem por vezes é mesmo um ser cruel e a sua sede de poder torna-se um veneno que alastra com ramificações e implicações nefastas profundas.

      Beijinhos para si também

  3. Olá!
    Até que enfim começo a entrar na rotina! E necessito fazer marcha atrás, isto é, respondo ao S. Martinho que está no ponto de partida…
    A cara amiga,neste post, é residente e não turista ocasional, o que dá uma visão mais abrangente da comemoração sendo participante activa em função do seu “dois palmos”.
    A tradição, tal como cá, tem cunho religioso e é aproveitada para, divertindo, ensinar às crianças a solidariedade, o repartir com os mais desfavorecidos.
    Sendo um oficial romano, a residir na Gália, num “aquartelamento de manutenção da ordem do Império, era secretamente cristão e por isso se compadeceu do mendigo esfomeado e enregelado. Mais tarde assumiu-se e foi Bispo.
    A ementa de cá é de acordo com a época outonal: vinho e castanhas. O prato é penca com batatas e bacalhau, talvez por peixe ser mais acessível ao povo que a carne que só conseguia caçando, às escondidas dos donos das propriedades.
    As lanternas e a fogueira devem ter a ver com o frio e a escuridão que era normal no sec. IV.
    Parabéns pela lanterna.
    Beijinhos para todos os moradores(!)

    • Olá!

      Muito bem vinda de volta. Espero que as suas férias tenham sido magníficas.
      Tem toda a razão, não se pode ser turista a tempo inteiro, por isso sou apenas turista ocasionalmente.
      Eu gosto efectivamente de participar nesta procissão de lanternas de S. Martinho, pela alegria e entusiasmo que vejo estampada no rosto do meu dois palmos.
      O S. Martinho é um santo católico por isso é natural que a celebração tenha um pendor religioso.
      Por aqui é natural que a ementa seja carne, pois o mar fica muito distante, e há uma grande tradição agrícola e pecuária.

      Beijinhos

  4. Pingback: Direitos do homem no museu… | Turista Ocasional

  5. Vivendo e aprendendo. Sempre que passo por aqui descubro alguma coisa que desconhecia. Parece muito divertida a comemoração de S. Martinho, especialmente para as crianças. Essas tradições devem ser preservadas, pois revelam a cultura de cada país. No mês passado estive na Califórinia exatamente no dia 31 de outubro e participei da Festa de Halloween. É muito especial participar desses eventos.
    Obrigada por compartilhar.
    Tenha um ótimo dia.
    Claudia

    • Boa noite Claudia!!!

      Cada local tem mesmo as tradições em que é forte e que vive intensamente. Por cá também houve a noite de Halloween (com decorações alusivas nas lojas e nas casas, com pessoas fantasiadas em festas, e decorações de abóboras). E tal como a Claudia também me encontrava de férias nessa altura. No entanto apesar de cá se celebrar esse dia de Halloween (e muitas outras festividades durante o ano), nota-se que neste é um dos casos, em que se trata de uma tradição importada, pelo menos parcialmente, e que não é vivida com a mesma intensidade e carisma como a que certamente presenciou na Califórnia com o conhecido “trick or treat”.

      Concordo consigo, participar em eventos típicos de um local é uma das formas de conhecer mais de perto e intensamente a cultura desse povo.

      Muito obrigada pelo seu comentário.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s