Uma questão de vinhetas…

Quem viaja de carro pelas estradas da Europa, tem sempre que lidar com a questão da existência ou não de portagens nas Autoestradas.

Em Portugal, por exemplo, pagam-se portagens quer nas ditas autoestradas tradicionais como também em várias das anteriormente designadas SCUT (Sem Custo para os Utilizadores).

Se nas autoestradas com portagens, a forma de funcionamento é por demais conhecida, em que se paga geralmente consoante os troços de estrada usados, já nas ex-SCUT, o pagamento depende de passar ou não nos locais onde se encontram os pórticos electrónicos.

Assim em muitos casos havendo alternativa, se não se pretende pagar, basta sair na saída anterior da autoestrada onde se localiza o pórtico e voltar a entrar na entrada imediatamente a seguir. Claro que para isso é necessário saber antecipadamente onde se localizam tais pórticos, nem sempre é possível evitá-los, ou simplesmente o transtorno de sair e voltar a entrar não compensa.

Para mim o maior problema é a questão pratica e funcional. Nas ditas autoestradas tradicionais, já se sabe que não se sai da autoestrada sem pagar o  troço que se circulou. Mas nas ex-scut, o pagamento não é imediato, excepto se se tiver um dispositivo electrónico como o utilizado na “via verde” ou o Dispositivo Electrónico de Matrícula (DEM), vulgo “chip” de matrícula. Ora um turista que chegue a Portugal de automóvel através de uma das fronteiras do país com Espanha, em principio não terá um destes dispositivos electrónicos. Existem uns dispositivos temporários (DT), que são os ideais  para os turistas estrangeiros.

Quem não tiver um dispositivo electrónico, terá de recorrer ao pós-pagamento (pagamento cinco dias úteis depois da passagem na autoestrada apenas com portagem electrónica, nos balcões dos CTT ou nas redes Payshop), pagando um acréscimo de custos administrativos de 25 cêntimos a dois euros, mais IVA. Os estrangeiros não podem utilizar este sistema, devendo optar pela compra de um DT.

Tudo o que um turista estrangeiro precisa de saber sobre as diversas alternativas para utilização das ex-SCUT, pode encontrar aqui.

Resumindo, as alternativas, sem dispositivo electrónico:

  • 3 dias (veículos ligeiros): Custo fixo de 20€ independentemente do número de viagens efectuadas em autoestradas apenas com portagens electrónicas. (Aquisição máxima de 6 títulos deste tipo por ano)
  • 5 dias: Consumo dependendo da utilização. Pré-carga mínima de 10 € (veículos ligeiros) / 20 € (veículos pesados), com possibilidade de reembolso do valor não utilizado, se solicitado, e se o pagamento foi feito pela internet;
  • Rota Espanha – Aeroporto do Porto, via A28 ou A41; Aeroporto de Faro, via A22; Pre-pagamento válido para  uma viagem de ida / volta.

Onde adquirir estes produtos:

  • Pontos de venda na fronteira (apenas com cartão de crédito)
  • CTT em www.ctt.pt (apenas com cartão de crédito)
  • Nos aeroportos do Porto e de Faro, fazendo o pagamento em dinheiro
  • No IKEA de Matosinhos, fazendo o pagamento em dinheiro
  • Nas estações de serviço (A28 – Viana and Modivas, A25 – Celorico da Beira, A23 – Abrantes, A22 – Olhão, A24 – Vidago), fazendo o pagamento em dinheiro
  • Nas estações de correios, fazendo o pagamento em dinheiro.

São várias as alternativas, é um facto, mas admito que preferia algo que fosse mais linear e fácil. Por vezes muitas alternativas só servem para complicar.

Vou citar apenas alguns exemplos que conheço e que me parecem mais “justos” e simples de utilizar.

Na Alemanha, para mim a situação é a ideal para o utilizador. Apenas os veículos pesados, ditos camiões, pagam portagens segundo um sistema electrónico que caso tenham curiosidade podem obter informação aqui.

Assim posso andar livremente nas autoestradas alemãs sem me preocupar com portagens.

Na Áustria existe um sistema de vinhetas simples, consoante a duração de utilização das autoestradas.

As referidas vinhetas podem ser adquiridas nas estações de serviço, ao longo das autoestradas que permitem o acesso ao país (isto é, em estações de serviço das autoestradas alemãs, eslovenas, suíças, etc.. além claro das austríacas, sempre que existe na sinalética a anunciar a estação de serviço o símbolo da vinheta). Alternativamente um turista pode adquirir a vinheta pretendida no posto de venda fronteiriço. Não parece nem é nada complicado adquirir essas vinhetas. Para mais informações e detalhes consulte o site da ASFINAG, ou este que serve para toda a Europa.

Modalidades de Vinhetas:

Na Áustria existem igualmente alguns percursos com as ditas portagens convencionais, mas tal refere-se sobretudo a situações esporádicas como a passagem em determinados túneis ou pontes longas (com diversos quilómetros).

Este é um exemplo de vinheta austríaca, para 10 dias.

Na Eslovénia funciona um sistema de vinhetas idêntico ao austríaco, e as mesmas podem ser adquiridas também em estações de serviço das autoestradas de acesso ao país e nos postos de venda fronteiriços. Este é o site onde pode encontrar informação mais pormenorizada sobre o tema.

Modalidades das Vinhetas:

Vinheta da Eslovénia, para 7 dias, adquirida aquando das férias de Páscoa em Zagreb.

Na Suíça  não existem alternativas de vinheta, já que só é possivel adquirir uma vinheta anual (válida sempre entre 1 de Dezembro do ano anterior e 31 de Janeiro do ano seguinte, isto é, durante 14 meses). Esta possui um preço muito inferior (40 francos suíços, cerca de 27€) às alternativas de vinhetas anuais tanto da Áustria como da Eslovénia.  Tal sobrecarrega o custo da vinheta a quem a pretende usar durante um curto período de tempo como acontece com os turistas que visitam o país, mas que beneficia bastante os suíços. Este é o site suíço acerca do sistema de vinhetas, onde encontrará resposta sobre a abrangência e funcionamento das mesmas.

Exemplo de Vinheta Suiça, adquirida recentemente.

Neste outro site encontram uma compilação da forma de funcionamento das portagens nos vários países da Europa (mas o mesmo encontra-se em alemão).

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5 thoughts on “Uma questão de vinhetas…

  1. Olá!
    Lendo este teu post fiquei em dúvida como funciona o processo de pedágio em Portugal… Um turista que chega ao país, por Lisboa, por exemplo, e aluga um carro, precisa deste dispositivo mencionado? Nao existe maneira de pagar este pedágio na hora, como nas autoestradas?
    Obrigada pelo esclarecimento.

    • Esse é que é o problema com as portagens só electrónicas das antigas SCUT que foram convertidas em autoestradas pagas. Ao contrário do que acontece nas autoestradas convencionais, não existem locais de paragem obrigatória na estrada onde se pagam essas portagens. O aviso que existe nessas antigas SCUT é a de aproximação a um pórtico de portagem electrónica, ao qual se segue cerca de 2 km depois o respectivo pórtico (sendo este uma espécie de estrutura metálica por cima da estrada semelhante aos que se encontram com sinalizações das direcções a seguir).
      Se chegar a Portugal por Lisboa, por exemplo, por certo fê-lo através do aeroporto de lá. (Nos aeroportos do Porto e de Faro existem postos de venda, assim como nas fronteiras com Espanha,como mencionado no artigo.)

      Algumas opções:

      – A alternativa pode ser comprar previamente via site da ctt.pt um titulo pré-pago (de 3 ou 5 dias), mas para o efeito precisa de se registar no site.

      – Depois de sair do aeroporto, e de ter o carro alugado também tem sempre a opção de passar por um balcão dos CTT e adquirir no momento um titulo pré pago por exemplo, pois no centro da cidade e arredores existem vários balcões dos CTT.

      – Por outro lado, segundo esta noticia, a partir de hoje, 8 de Maio, sendo a matricula do carro portuguesa (o que em principio será o caso de um automóvel alugado em Portugal), existe um serviço de pagamento de portagens em qualquer caixa da rede Multibanco ou Homebanking (“Para tal basta enviar um SMS com o texto “CTTMBespaçomatrícula” (ex.:CTTMB AA-00-00) para o número 68989, 48 horas após a passagem no pórtico de portagens. O cliente receberá um SMS de resposta com a referência, entidade e valor a pagar bem como a data limite para pagamento da respectiva referência”). Presumo e espero que tal também funcione com um telemóvel estrangeiro desde que tenha rede em Portugal.

      – Talvez o carro que alugue já possua um dispositivo electrónico, e nesse caso no momento de devolver o automóvel procede ao pagamento das portagens correspondentes ao período de utilização do veiculo. Mas reconheço que desconheço os pormenores de como isso funciona, porque nunca aluguei um carro nessas condições. Até porque se passa pelo pórtico de portagem no dia que devolve o automóvel, não sei se o valor dessas portagens serão considerados, atendendo a que em outras situações só fica “visível” o valor passadas 48 horas. Mas mesmo que o automóvel não possua o dispositivo electrónico, a companhia de aluguer pode cobrar directamente ao cliente o valor dessas portagens (pois tem acesso ao valor das mesmas e ao seu custo através das lojas Payshop por exemplo, mas mais uma vez coloca-se a questão das tais 48 horas depois de passar no pórtico, necessário para ficar o valor visível)

      Por isso é que quando escrevi este artigo referi situações alternativas noutros países, porque efectivamente não acho que seja um sistema de utilização e pagamento simples e expedito, em especial para um turista estrangeiro que está de férias e que não devia ter que se estar a preocupar com esses pormenores de como pagar tais portagens.

      Espero de alguma forma ter ajudado.

      • Muito obrigada pela tua resposta! Ela me ajudou sim, mas nao posso deixar de comentar que o sistema é pra lá de confuso… Vamos torcer pra que isto melhore no futuro! Um abraco pra vc!

      • Confuso e complicado são mesmo os adjectivos certos para descrever este sistema de portagens electrónicas que existem actualmente em algumas das autoestradas portuguesas.
        Ainda bem que consegui ajudar.

  2. Pingback: Lago Plansee, ainda que só de passagem | Turista Ocasional

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