Com o Neckar por perto…

Depois de apreciar o edifício antigo da Universidade (onde fiquei no artigo anterior), a visita ao centro histórico de Heidelberg continuou para vislumbrar a Igreja de S. Pedro, que se encontra em frente à entrada principal da Biblioteca da Universidade.

Esta é a mais antiga igreja que se encontra preservada no centro histórico de Heidelberg. Supõe-se que a igreja tenha sido erguida durante o século XII, no estilo gótico tardio. Posteriormente, algumas partes foram refeitas em estilo barroco e neogótico. As estreitas relações entre a igreja e a Universidade remontam ao século XIV.

Como igreja da universidade, foi usada no passado para enterrar professores falecidos, autoridades locais e moradores proeminentes.

Marsilius of Inghen (1340 – 20.08.1396), Filosofo escolástico medieval neerlandês, foi um dos fundadores da universidade em 1386, e primeiro reitor da mesma desde então até à sua morte. Ele foi enterrado no chão da igreja, no entanto o seu túmulo, não se encontra preservado.

A Capela da Universidade, foi adicionada durante uma reconstrução dispendiosa da igreja em fins do século XV.

O carvalho a leste da capela-mor, foi plantado em 1883 em memória do 400º aniversário de Martinho Lutero.

De regresso à Hauptstraße, encontra-se a entrada principal do Museu Kurpfälzisches, Museu do Palatinado no Palais Morass.

O Palais Morass é uma villa barroca ainda intacta. O advogado Johann Philipp Morass, que também serviu como reitor da universidade em 1700/01, construiu-a no local onde  tinha ficado até 1693 um albergue para os pobres, denominado de Hostel Hardship. O portal saliente com arco arredondado e colunas de acompanhamento, atrai de imediato a atenção mesmo do mais distraído. Do corredor para o pátio, uma escadaria barroca leva aos andares superiores. A sala de banquetes histórica no primeiro andar é deslumbrante, tendo sido refeito no estilo Louis Seize em 1778.

Desde 1906, o Palais Morass abriga o Museu Kurpfälzisches, que contém coleções de arte da cidade. Entre os seus destaques encontra-se o Altar dos 12 Mensageiros  de Windsheim por Tilman Riemenschneider. Passando pelo idílico jardim atrás do museu, descobre-se um moderno anexo, que abriga a Sociedade de Arte de Heidelberg.

Passeando em direcção às margens do rio Neckar, encontra-se o Stadthalle, o centro de convenções.

O edifício do Stadthalle, foi erguido ao lado do rio Neckar, em 1901-03, e é um dos mais importantes edifícios públicos na área da Cidade Velha. Foi mandado construir em honra do 100 º aniversário da reforma universitária de 1803, com base nos planos dos arquitectos Henkenhaf e Ebert.

Este imponente edifício, criado para os cidadãos da cidade realizarem festas e reuniões, é representativo de uma época de florescimento económico e cultural, de riqueza, de rápido crescimento populacional, da expansão da universidade, e de crescimento do turismo. A atração principal do edifício, é um grande salão de espectáculos e celebrações que é capaz de acomodar até 3.500 pessoas.

Possui órgãos de concerto construídos por Voit, que constituem um testemunho excepcional para a arte de construção de órgãos do início do século 20. Ostenta um estilo arquitectónico de inspiração renascentista, que incorpora também elementos de Arte Nova. Este Centro de Convenções é muito popular como um local para reuniões e eventos internacionais.

Continuando junto às margens do Rio Neckar, são vários os edifícios relevantes que se encontram no percurso.

O Antigo Arsenal, denominado de Marstall, é uma estrutura fortificada que se estende por 135 metros ao longo do rio Neckar. Foi construído provavelmente sob o príncipe eleitor Ludwig V em torno de 1510, para servir como um arsenal (onde se armazenavam diferentes tipos de bens) caso rebentasse a guerra. Possui duas torres com vãos para atirar através do flanco das formidáveis paredes. No lado norte, que era mesmo junto ao rio Neckar, antes da construção das docas e da rua no século XIX, havia um lugar para os navios atracarem.

O nome Marstall remonta a uma estrutura renascentista, no lado sul do pátio, que foi construída pelo conde do Palatinado Johann Casimir em 1590 e destruída por tropas francesas em 1693. O complexo Marstall, um dos poucos de Heidelberg com a estrutura tardo-medieval ainda intacta, foi remodelado várias vezes e hoje abriga uma cafetaria de estudantes, salas para realização de eventos, e a administração da união de estudantes.

O Hay Barn (celeiro de feno), com paredes de pedras soltas, está localizado a leste do Marstall. Também foi construído originalmente para ajudar a defender a cidade contra os invasores. Na Idade Média, uma torre  estava no canto do bastião noroeste, conhecida também como a Torre do Brasão ou Torre das Mulheres.

Depois de destruído em 1693, o actual edifício foi construído com telhado de quadril parcial barroco. Até 1824 foi usado para guardar o feno para os cavalos mantidos no Marstall vizinho, e depois serviu como um armazém muncipal. Em 1963-65, salas de aula da universidade foram construídas dentro do edifício.

A oeste do portão da Ponte Antiga, encontra-se o Macaco da Ponte, que agora segura um espelho para aqueles que olham para ele. Esta escultura de bronze feita pelo professor Gernot Rumpf foi instalada ali em 1979.

Mas outrora, no século XV, já havia um Macaco a norte da Ponte Velha. No entanto ele desapareceu durante a Guerra  de Sucessão do Palatinado (1689-1693).

Diz a lenda associada a esta estátua curiosa, que esta simboliza o fato de que nem os habitantes da cidade, nem as pessoas que viviam fora da cidade eram melhores uns do que os outros, e que eles deveriam olhar sobre seu ombro enquanto atravessam a ponte para se lembrar disso.

A Ponte Antiga foi mandada construir pelo Príncipe-Eleitor Karl Theodor, em pedra para substituir as predecessoras de madeira (houve quatro antes desta) que foram destruídas por intempéries naturais. Foi erguida entre 1786 e 1788. O portão medieval da ponte para o lado da cidade, mantém-se bem preservado e originalmente fazia parte da muralha da cidade. Os elmos da torre barroca foram adicionados durante a construção da ponte de pedra em 1788. Na ponte também se encontra uma placa referente à defesa da Heidelberg contra as tropas francesas.

A 16 de Outubro de 1798, um regimento austríaco corajoso comandado pelo Príncipe Schwarzenberg conseguiu travar o avanço do exército francês. A torre oeste contém calabouços, enquanto a torre oriente detém uma escada em espiral. A poucos passos de leste daí encontra-se o “Tränktor” (Portão da Bebida). Durante a Idade Média, o gado era conduzido através deste portão para seus locais de consumo. Os dois vãos da ponte possuem monumentos criados por Franz Konrad Linck (1730 – 1793) que, desde 1763, era o escultor oficial da corte do príncipe eleitor.

Termino este artigo com imagens do Portão da Ponte, de uma das esculturas da ponte, e com a paisagem sobre a cidade e o castelo que se pode apreciar quando se atravessa a ponte antiga.

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2 thoughts on “Com o Neckar por perto…

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