Na margem esquerda do Reno

Este artigo, por uma questão de continuidade em relação ao artigo anterior, refere-se à viagem de regresso de Koblenz, pela margem direita ou oriental do rio Reno, com o intuito de apreciar melhor a paisagem que se vislumbra na margem esquerda ou ocidental do Reno, entre Koblenz e Bingen am Rhein.

Para melhor se localizarem, sugiro que recorram ao mapa dessa região que se encontra aqui.

Os castelos e outros monumentos a seguir apresentados seguem a ordem com que foram vislumbrados.

Palácio Stolzenfels, em Stolzenfels

O castelo concluído em1259, foi usado para proteger o posto aduaneiro no Reno, onde os navios, eram na época o principal meio de transporte de mercadorias, e tinham que parar e pagar portagem. Ao longo dos anos, foi expandido diversas vezes, ocupado por tropas francesas e suecas na Guerra dos Trinta Anos e, finalmente, em 1689, destruído pelos franceses durante a Guerra dos Nove Anos. Durante 150 anos as ruínas degradaram-se, até que em 1815 foram dadas como um presente a Frederick William IV da Prússia pela cidade de Koblenz. Seguindo as tradições românticas, o príncipe começou a reconstruir completamente o castelo depois de 1826 como residência de verão. Apoiado pelo famoso arquitecto neoclássico Karl Friedrich Schinkel, o castelo foi completamente remodelado no então elegante estilo neo-gótico, com o intuito de criar um lugar romântico que representasse a ideia da cavalaria medieval – os arquitetos até criaram um local de torneio.

Schönburg, acima da cidade medieval de Oberwesel

O castelo foi pela primeira vez mencionado no século XII. Nessa altura os Schönburgers eram os administradores e colectavam a portagem no Reno.

Em 1689, durante a Guerra do Palatinado de sucessão, as tropas francesas atiçaram fogo à cidade e ao castelo. Durante 200 anos permaneceu em ruínas.

Em 1957 foi alugado por uma família de hoteleiros e actualmente é “um diamante entre as jóias gastronómicas do Reno” e um hotel. Alberga o  “castelo da juventude” internacional da família Kolping.

A igreja em relevo com fachadas em vermelho na imagem inferior, é a Igreja de Nossa Senhora (Liebfrauenkirche) de Oberwesel que possui um impressionante altar dourado.

Castelo Stahleck, um castelo fortificado do século XII, em Bacharach na Renânia-Palatinado. Fica num penhasco aproximadamente a 160 metros acima do nível do mar.

Foi pela primeira vez mencionado num documento oficial em 1135 como um feudo de Colónia. O imperador Friedrich I, Barbarossa, mais tarde deu a fortaleza ao seu meio-irmão Konrad von Hohenstaufen, antes de passar para a dinastia Bávara Wittelsbacher através de um casamento clandestino. Na guerra de sucessão do Palatinado este castelo e a cidade também foram destruídas pelas tropas francesas. Apenas no início do século XX é que o actual albergue da juventude foi construído nas paredes de fundação do castelo.

Ruinas do Castelo Fürstenberg, perto da aldeia de Rheindiebach na Renânia- Palatinado.

No início do século XIII o arcebispo de Colónia Engelbert I receava pela sua bolsa privada ricamente recheada. A sua diocese foi adjudicada ao Reno e portagens da estrada. No entanto estas eram ameaçadas por ataques do arcebispo do Mainz e pelo Conde Wittelsbacher do Palatinado proprietário do castelo vizinho Stahleck. Por esse motivo o arcebispo de Colónia mandou erguer as enormes fortificações Fürstenberg numa montanha triangular acima de Gailsbachtal. Actualmente as ruínas são propriedade privada e podem ser visitadas a pedido.

Castelo Heimburg em Niederheimbach.

O castelo foi construído no século XIII pelo Eleitor do Mainz, para servir de fortaleza defensiva contra os seus inimigos condes do Palatinado. Repetidamente destruído por saques e fogo ao longo dos tempos, foi reconstruído no século XIX pelo Industrial Hugo Stinnes. Actualmente continua a pertencer a  propriedade privada.

Castelo Sooneck

Foi construído no século XI pelos governadores da Abadia Kornelimünster, e serviu como um “Ninho do barão ladrão” e, como tal, foi destruído em 1282 pelo rei Rudolf von Habsburg. Frederick William IV converteu as suas ruínas em 1843 conforme projecto do arquitecto prussiano Schnitzler  num pavilhão de caça. No entanto, conflitos familiares, a revolução de 1848 e a morte do rei, impediram que fosse usado conforme planeado.

Castelo Rheinstein, em Trechtingshausen

O castelo construído em cerca de 1300 e teve o seu apogeu sob os arcebispos de Mainz como castelo de portagens. Foi deixado ao abandono e ruínas no século XVII. Nos inícios do século XIX o arquitecto Johann Claudius von Lassaux, transformou-o  numa principesca residência de Verão depois do príncipe Friedrich da Prussia  o ter adquirido em 1823. Assim, não é surpreendente, que muitas cabeças coroadas como a Rainha Victoria de Inglaterra e a Tsarina Russa tenham sido convidadas no castelo.

Torre do Rato (“Mauseturm”)

A torre de pedra encontra-se numa pequena ilha no Reno, perto de Bingen am Rhein. Os romanos foram os primeiros a construir uma estrutura neste local. Mais tarde tornou-se parte da Francónia, caiu e teve de ser construída muitas vezes.

O seu nome real deriva de “Mautturm”, ou seja, torre de portagem, não tendo nada a ver com ratos como o nome que perdura parece indiciar. Foi usado pelos arcebispos do Mainz como uma torre de vigia e de portagem. O edifício renovado no século XIX segundo o estilo neo-gótico, foi mais tarde usado pela industria naval e estação de sinalização.

Castelo Klopp, em Bingen am Rhein

O ultimo castelo medieval construído no local data do século XIII, possívelmente entre 1240, quando Kloppberg (Klopp Hill) é mencionado como a residência de um clérigo, e 1277, a primeira vez que é feita menção ao “Burg Klopp”. Tal como a história de outros castelos desta região, conta com varias destruições e consequentes reconstruções no seu currículo e o facto de ter permitido ao Arcebispado de Mainz a cobrança de  portagens sobre o comércio no rio.

Capela Rochus, em Bingen am Rhein

A capela de peregrinação destaca-se indiscutivelmente na paisagem evidenciando-se no topo da montanha Rochus.

Dedicada ao patrono Santo Rochus em 1666, o ano da praga, destruída muitas vezes ao longo dos tempos, o edifício existente actualmente foi construído com base em desenhos do arquitecto de Limburger Max Meckel em fins do século XIX.

Existem outros castelos e edifícios históricos nas margens do Reno ao longo do percurso. No entanto não estão aqui contemplados, sobretudo porque nem sempre consegui ângulo para os fotografar, porque ficavam “escondidos”.

As cidades e aldeias que se encontram junto às margens do rio Reno, são deveras pitorescas onde predomina a arquitectura de influencia e reminiscências medievais. Prefiro não destacar nenhuma em particular, pois todas encantam quando se passa por elas.

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4 thoughts on “Na margem esquerda do Reno

  1. Que caminho lindo, hein? Cada castelo mais interessante do que o outro. Algum deles é aberto à visitação? Na outra margem vi que alguns são hotéis. Mas, desse lado parece que não. A Alemanha é um país que merece ser explorado com carinho.
    Beijo
    Claudia

    • Sim, um caminho muito interessante, junto às margens do Reno. Pessoalmente preferi passear pela região de automóvel ao invés de de barco, pois tal permitia-me maior liberdade de movimentos e parar sempre que queria e não nos locais de atracagem previamente definidos.
      Sim, vários castelos e palácios estão abertos ao publico e mesmo alguns de propriedade privada são possíveis de visitar com reserva prévia.
      Eu sou suspeita, mas efectivamente a Alemanha merece ser explorada despendendo de bastante tempo para isso.
      Beijinhos

  2. Fiquei muito entusiasmado em conhecer os castelos do Reno após ler e reler seu relato de viajem, que por sinal esta muito bem escrito e ilustrado. Parabéns.
    Comprei passagens para Frankfurt para inicio de Setembro e pretendo alugar um carro. Gostaria de fazer o trajeto Mainz até Koplenz. Qual margem do rio vc Ana q eu deveria percorrer?
    Obrigado.
    Jayme Kobayashi

    • Bom dia Jaime!
      Se pretende alugar um carro em Frankfurt e fazer o trajecto desde Mainz até Koblenz, pode sempre optar por na ida ir por uma margem e no regresso percorrer a outra. Mas claro, isso implicaria talvez, dormir uma noite em Koblenz para explorar devidamente o que ambas as margens tem a oferecer.

      Se pretender fazer o trajecto exploratório, mas regressar no mesmo dia a Frankfurt para passar a noite, e escolher a autoestrada para o regresso por ser mais rápido, então talvez lhe sugira percorrer a margem direita, pois dessa forma poderá visitar o Loreley (e apreciar do alto uma paisagem fantástica sobre o Reno), o Marksburg (o único castelo do Reno que não foi destruído ao longo dos tempos e mantém a traça original) o castelo Pfalzgrafenstein (com uma arquitectura muito engraçada e localizado numa pequena ilha no Reno) e a Abadia Beneditina de Santa Hildegard, entre outros locais deveras interessantes. E de qualquer forma poderá apreciar, ainda que à distancia o que a outra margem tem a oferecer.

      Espero ter ajudado. Umas óptimas férias pelo Reno e na Alemanha em Setembro.

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