Novo Palácio de Herrenchiemsee

Depois de já ter descrito o Neuschwanstein e o Linderhof, eis que ficou a faltar um dos 3 Palácios mandados construir pelo Rei Ludwig II da Baviera, conhecido como o rei dos contos de fadas.

Como já referi, os 3 palácios foram construídos em cenários idílicos, um no cimo de uma montanha e rodeado por lagos (Neuschwanstein), outro no meio de uma floresta densa entre os Alpes (Linderhof), e este de que falo hoje, o Novo Palácio do Herrenchiemsee, numa ilha, a Ilha do Homem (Herreninsel) no lago Chiemsee, o maior lago exclusivamente da Baviera e que fica na região dos Alpes. (O lago Bodensee é o maior lago da Alemanha e o terceiro maior da Europa, mas apenas uma pequena porção pertence à Baviera, pois a maior parte pertence ao estado de Baden Wurtemberg, e uma parte encontra-se na Áustria e outra na Suíça).

Este mapa apresenta o Chiemsee, seu posicionamento e distancia relativa a Munique e Salzburgo.

Em 1873 o Rei Ludwig II da Baviera adquiriu a Herreninsel (Ilha do Homem) com o intuito de construir aqui um palácio, inspirado e modelado segundo o de Versalhes, para se tornar um “Templo de Fama” ao Rei Louis XIV da França, a quem o monarca bávaro fervorosamente admirava.

O Novo Palácio de Herrenchiemsee foi desenhado por Christian Jank, Franz Seitz e Georg von Dollman, segundo o estilo Neo-barroco, e construído entre 1878 e 1885, mas ficou inacabado.

É o maior dos 3 palácios do Rei Ludwig II, mas ele só viveu nele alguns dias em Setembro de 1885. Depois de sua morte no ano seguinte, a 13 de Junho, todo o trabalho de construção foi descontinuado e o edifício foi inaugurado para o público. Em 1923 o príncipe herdeiro Rupprecht deu o palácio ao Estado da Baviera.

A viagem de barco desde Prien am Chiemsee até à Ilha do Homem é realizada pela companhia Chiemsee-Schifffahrt Ludwig Feßler KG, e aqui podem encontrar os horários e os preços praticados. Tem a duração de cerca de 20 minutos.

Só por si, apreciar a paisagem durante o percurso de barco, já é algo muito agradável, principalmente num dia de sol e céu limpo.

Este é o plano da Ilha do Homem com legendas (em inglês e alemão) do que esta contém.

O cais, na Ilha do Homem, onde os barcos atracam, fica perto da Loja do Museu, e do Centro de Visitantes com guichets de informações e de aquisição de bilhetes (1).

Daí até ao Novo Palácio de Herrenchiemsee, pode fazer-se o percurso a pé por entre a floresta ou de carruagem puxada por cavalos, pela rota assinalada no mapa por um (M).

O percurso a pé demora cerca de 20 minutos, até aos extensos jardins em frente ao Palácio, que atingem em linha recta duas das extremidades da ilha.

O postal seguinte com a vista aérea permite mostrar melhor a extensão dos jardins, principalmente o de uma das frentes do Palácio.

O Jardim frontal possui 3 Fontes, que são autenticas obras de arte repletas de detalhes e simbolismo mitológico.

A Fonte de Latona, no centro de jardim, foi a primeira das fontes que vislumbrei de perto, no percurso de aproximação ao palácio.

Esta fonte data de 1883, obra de Johann Nepomuk Hautmann, é uma cópia da fonte com o mesmo nome em Versalhes. É coroada com as figuras de mármore da deusa Latona com os seus filhos Diana e Apolo. Segundo a lenda (Metamorfose de Ovid), os camponeses de Lícia recusaram agua à deusa e aos seus filhos com sede. Para os punir a deusa transformou-os em sapos.

Paralelas uma à outra, cada uma no meio de uma piscina encontram-se as Fontes Fama e Fortuna.

Fonte Fama (do lado esquerdo, para quem vê o palácio à frente)

A Fonte Fama foi concluída em 1884-85 por Rudolf Maison, e é baseada numa fonte do Palácio Real La Granja de San Ildefonso em Segóvia, Espanha.

O motivo principal é a Fama, montada num cavalo, o Pegasus. No lado este da pirâmide rochosa estão as alegorias da „Guerra“, „Vitória“, „História“ e „Natureza“. No lado oeste estão a „Inveja“, o „Ódio“ e a „Astucia“, que são representados a cair da rocha. Em volta da borda da piscina estão figuras mitológicas e grupos de anjinhos.

A Fonte Fortuna foi concluída em 1884-85 por Wilhelm von Rümann, e também é baseada numa fonte do palácio real La Granja de San Ildefonso em Espanha.

A ancestral Deusa Fortuna é representada na Roda da Fortuna. Aos seus pés está o Deus do mar Tritão e a ninfa do mar Nereida. O centro da formação de rocha é rodeada por seis anjinhos que cavalgam em golfinhos.

Em volta da borda da piscina estão figuras mitológicas e grupos de anjinhos.

Colocado a uns cantos do jardim, perto da extremidade destas piscinas com fontes, existem ainda umas outras fontes mais singelas mas ainda assim interessantes. Esta é a que se encontra próxima da piscina da Fonte Fortuna, ou seja, do lado direito para quem aprecia o palácio em frente.

Na área florestal imediatamente do lado esquerdo do palácio, encontra-se uma área protegida e vedada, habitada por veados. Ali apesar de “estarem presos” sentem-se quase como se estivessem em liberdade, e é muito interessante poder aprecia-los tão de perto.

Antes da visita guiada ao interior do palácio (11) ainda explorei, atravessando pelo rés-do-chão do palácio, um pouco do jardim que se encontra do outro lado e uma estatueta de um pavão em cima de um grande jarro, pois o Rei Ludwig II era um grande coleccionador de jarros de diversos estilos e proveniências.

A visita guiada ao interior do palácio pode ser feita em alemão ou em inglês e tem a duração de cerca de 30 a 35 minutos. Aqui encontram informações acerca do horário de abertura e período de funcionamento.

A admiração, e quase veneração do Rei Ludwig II da Baviera para com o “Rei Sol” reflecte-se também no tecto do grande salão de espelhos do palácio onde estão pintados 25 quadros que mostram Louis XIV no seu melhor.

Com um comprimento de 98 metros, o salão é mais longo do que o de Versailles em que se baseia, e incluindo os quartos de canto associados, Salão da Paz e Salão de Guerra, ocupa toda a parte da frente do jardim do palácio. Este salão é mesmo o elemento mais imponente e emblemático do palácio (sendo usada a sua imagem nos bilhetes e prospectos referentes a este palácio). Contem 77 candelabros e para acender todas as suas velas eram necessárias várias horas. (A imagem seguinte foi retirada da internet)
Com isto não pretendo dizer que as outras divisões não sejam igualmente magnificentes e sumptuosas porque são (claro, na parte do palácio que está concluída, porque na inacabada persistem visíveis as paredes em tijolo, o chão e escadarias em cimento, e é flagrante a enorme discrepância).
Uma vez mais, era expressamente proibido tirar fotografias no interior do palácio. Eu até me consegui controlar a custo, perante tanta opulência e brilho, mas quando circulei, na fase final da visita guiada, pela parte inacabada, não resisti em fotografar (literalmente às escondidas), um pouco do que não costuma aparecer nos postais ilustrados, por ser mais “rústico”.
Depois da visita guiada ao palácio, pode-se ainda visitar o Museu do Rei Ludwig II que está alojado na ala sul do rés-do chão do palácio. O Museu é bastante interessante e permite ficar a conhecer um pouco melhor este rei visionário, com projectos megalómanos segundo alguns, com uma vontade de reclusão e isolamento como poucos, mas sem duvida o rei dos contos de fada da Baviera.
Neste museu continua a ser proibido tirar fotografias, e por isso eu contive-me bastante, muito mesmo… mais palavras para quê.
Por hoje termino a visita ao Novo Palácio de Herrenchiemsee, mas a visita à Ilha do Homem continuará no próximo artigo, pois esta tem bem mais para explorar.

2 thoughts on “Novo Palácio de Herrenchiemsee

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