Frauenchiemsee, a Ilha da Mulher

Depois de deixar o Herrenchiemsee, o barco levou-me até à Frauenchiemsee, a Ilha da Mulher. A duração do percurso é de cerca de 10 minutos, e permite apreciar uma paisagem maravilhosa do lago Chiemsee e do que o rodeia.

Ao aproximar-se da Ilha da Mulher, a paisagem avistada do barco é bastante agradável e permite vislumbrar o que de melhor a ilha tem a oferecer.

A Ilha, com 15,5 ha e livre de automóveis, possui cerca de 300 residentes permanentes,  que além da comunidade religiosa corresponde sobretudo a uma comunidade piscatória. O  mosteiro beneditino que continua activo na ilha, é o principal atractivo.

“O mosteiro foi fundado em 782 pelo duque da Baviera Tassilo III, e a igreja foi consagrada pelo Bispo Virgil de Salzburgo a 1 de Setembro de 782.

Em cerca de 850 a Bendita Irmengard (831/33-866) serviu a abadia como a sua primeira abadessa conhecido pelo nome. Ela era uma filha do rei Ludwig da Alemanha e da bisneta de Carlos Magno.

Este período do governo carolíngio foi interrompido abruptamente pelas invasões húngaras na primeira metade do século X.

Ocorreu uma maior sublevação religiosa no final do século X com a introdução da regra beneditina, devido à influência da vizinha, recém-fundada Abadia de Seeon (994-1803).

Como conseqüência da Controvérsia das Investiduras, a abadia deixou de estar sob o controle directo do rei em meados do século XI. Arcebispo Anno von Köln deu o mosteiro ao arcebispo de Salzburgo, em 1062.

Em 1254 os Duques da Baviera finalmente ganharam controle sobre Frauenwörth. A abadia manteve o título “Königliches Stift” (Fundação Real) até a secularização em 1803 e foi aberto apenas para as filhas da nobreza.

Os séculos XIV e XV trouxeram um período de desenvolvimento harmonioso, mas a Reforma no Século XVI trouxe uma grande crise e um rápido declínio.

Antes da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) a piedosa e corajosa Magdalena Haidenbucher (1609-1650) era a abadessa do mosteiro. O mosteiro tornou-se um lugar de refúgio para outros conventos da Baviera que tinham sido feitos desabrigados pela guerra.

Entre 1722 e 1730, o mosteiro foi reconstruído e ampliado pela Abadessa Irmengard von Scharfsedt (1702-1733).

Em 1803, a abadia foi dissolvida devido à secularização. As freiras foram autorizados a permanecer. Cinco delas presenciaram a reabertura da casa em 1838 pelo Rei Ludwig I da Baviera.

Em 1901, o mosteiro readquiriu o estatuto de abadia. Juntamente com o Nonnberg em Salzburgo, é o mais antigo mosteiro sobrevivente a norte dos Alpes, de língua alemã.” (tradução daqui)

A Abadia Beneditina de Frauenwörth  cobre quase um terço da ilha.

Este é um pouco do exterior dos edifícios da abadia.

Perto da entrada de acesso ao Claustro do Mosteiro (que por razoes óbvias é interdito a visitas), encontra-se a loja, que vende na sua maioria artigos artesanais produzidos pelas  freiras, e os mais conceituados, são os licores e outras bebidas oriundos da destilaria do mosteiro.

Em frente à entrada de acesso ao cemitério e à igreja encontra-se o edifício mais antigo da ilha, a casa de guarda carolingia, pelo que vale a pena primeiro fazer um pequeno desvio para a visitar. É o único exemplo deste tipo no sul da Alemanha. Acredita-se que tenha sido construido pelo Duque Tassilo III em 782 em simultâneo com a Abadia e a Igreja.

Depois então, ao entrar pelo cemitério para aceder à igreja, o que não passa também despercebida é o Campanário (que se pode ver na compilação de imagens com o exterior do mosteiro).

O campanário é do século XI, possui um diâmetro de 8,8 metros, paredes com 2 metros de espessura e uma altura de 36 metros, não integrando o mosteiro original. Foi construído como uma torre defensiva e um lugar de refúgio na época das invasões húngaras do início do século X. Só foi convertido numa torre de sino para a catedral até nos séculos XIII e XIV.

O edifício da igreja é um dos mais antigos no sul da Alemanha. Foi construído com  um único corredor de basílica românica. As fundações e parte das paredes data da época carolíngia (século VIII). O resto do edifício foi adicionado em torno do ano 1000 dC.

O ambulatório em torno do altar-mor e as três capelas laterais são de origem posterior.
Os tesouros de arte mais significativos que a igreja possui são os afrescos românicos que foram descobertos na década de 1960. As inspeções arqueológicas de 1961 trouxeram a luz do dia fragmentos de afrescos aparentemente Otonianos em secções à direita e à esquerda nas abobadas da parede sobre o altar-mor.

Visitar a igreja é assim uma condição necessária e indispensável, quando se visita a ilha.

Mas a ilha tem mais encantos, alem do mosteiro, o que pode incluir num dia de calor, molhar pelo menos os pés na agua límpida do lago, enquanto se delicia com a paisagem. Num dia frio mas de céu limpo, sentar-se um pouco em um dos bancos junto à agua, pode ser uma proposta irrecusável.

Percorrer o diâmetro da ilha em torno da sua costa demora apenas 20 minutos, afinal a ilha tem 300 m de largura e 600 m de comprimento, mas isso apenas se nao se parar em local algum para apreciar a paisagem, e isso é bastante improvável.

Como não sao permitidos automoveis na ilha, ela mantém a serenidade e pacatez, e não há risco algum de se ser atropelado quando se distrai a vislumbrar os arredores, e apreciar o interior da ilha com as casas rústicas e pitorescas é algo igualmente encantador.

Perto do cais de embarque, no extenso edifício que pertence ao Mosteiro, existe um Restaurante, o Klosterwirt, com decoração e pratos típicos da Baviera, bem como específicos da própria ilha (isto é, com peixe). Este restaurante está aberto durante todo o ano.

Ao longo da ilha existem outros locais alguns muito pitorescos e rústicos, onde também é possível fazer refeições, sobretudo nos períodos ditos de maior afluência (ou seja no Verão e durante os Mercados de Natal).

Alguns desses são o Inselbrau, que uma cervejaria,  o Gasthof Inselwirt, que é também uma casa de hospedes, o Hotel zur Linde, que como o próprio nome sugere também é um hotel, e dois Biergardens: o Fritzi’s Biergarten am See e o Biergarten Pollfischer.

Depois da visita à Frauenchiemsee, eis chegada a altura de embarcar de novo no barco, que tem como destino final Prien am Chiemsee (onde termina o dia de visita ao Chiemsee). Mas primeiro faz uma curta e inevitável  paragem na Herrenchiemsee.

3 thoughts on “Frauenchiemsee, a Ilha da Mulher

  1. Pingback: Alemanha: Fraueninsel, a ilha das Mulheres | Um casal na Alemanha

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