Gerbeaud, que melhor forma de começar o dia?

Se visitar a capital da Hungria, Budapeste, há um local que recomendo absolutamente para começar o dia da melhor forma.

Trata-se do Gerbeaud, muito mais que apenas um café ou confeitaria.

Localizado no centro histórico da cidade, na  Vörösmarty tér 7, é um dos melhores e mais tradicionais cafés na Europa.

A empresa foi fundada em 1858, por Henrik Kugler, o terceiro filho de uma dinastia de confeitaria. Ele adquiriu muito dos seus conhecimentos e experiência durante a sua jornada por onze capitais europeias, incluindo Paris. Ele abriu depois uma confeitaria em József Nádor que depressa se tornou numa das melhores do lado de Pest. Entre as especialidades encontravam-se chás chinês e russo, bem como criações suas de gelados.

Em 1870 mudou a sua loja para Vörösmarty tér, onde se encontra actualmente. Os clientes dessa altura privilegiavam sobretudo os seus cafés, licores e doces. Mas as Tortas  Kugler e Mignons também eram bem conhecidos, porque pela primeira vez foi possível levá-los para casa, embrulhados em uma bandeja de papel.

Em 1882, durante a sua viagem a Paris, Kugler conheceu Emil Gerbeaud e imediatamente reconheceu seu talento e espírito empreendedor. Em 1884 Kugler  convidou-o para Budapeste para o declarar seu associado. Mais tarde, Gerbeaud adquiriu a loja Kuglers, parte por parte e manteve o nome original.

Emil Gerbeaud, que era descendente de uma família de confeiteiros, nasceu em Genebra e ganhou a sua experiência na Alemanha, França e Inglaterra. Ele realizou uma série de inovações, o que permitiu expandir a seleção com inúmeros produtos, como cremes de manteiga, cremes parisienses, centenas de tipos de bolos pequenos, doces e bombons de cereja. Para oferecer esta ampla paleta  à sua clientela, ele contratou um vasto número de funcionários de vendas e serviços. Devido ao seu sentido de negócio, aos poucos ele equipou a padaria com maquinaria moderna. Assim, o nome Gerbeaud tornou-se sinónimo de qualidade e arte de padaria. Como a sua clientela apreciava imenso as caixas de papel para takeaway das tortas, Gerbeaud continuou com esta tradição e começou ele próprio a desenha-las.

Gerbeaud também foi aclamado internacionalmente. Ele foi convidado para membro do júri, tanto da feira mundial de Bruxelas (1898) como da de Paris (1900), e em Paris foi condecorado com a Legião de Honra. Foram-lhe  atribuídos numerosos prémios nacionais e internacionais.
Quando Henrik Kugler morreu, Gerbeaud fundou uma empresa pública denominada ‘Kuglers Nachfolger Gerbeaud AG’ (Sucessor Kuglers Gerbeaud Lda) para exercer a actividade.

Em 1910 Gerbeaud seguiu o conselho de Henrik Darilek, para o design interior da sua confeitaria, que usava  principalmente mármore, madeiras exóticas e bronze. O estuque do teto foi criado no estilo rococó de Luís XIV da França. Os lustres foram inspirados por Maria Teresa da Áustria. Os convidados eram servidos em mesas francesas, bem como secessionistas que Gerbeaud enviou depois da Feira Mundial de Paris.

Apesar da empresa se ter ressentido com a I Guerra Mundial, sobreviveu às intempéries.
Gerbeaud morreu a 08 de novembro de 1919, e a loja foi dirigida pela sua esposa Ester até 1940. A loja manteve o nome “Gerbeaud” desde então, excepto durante o período entre 1950 e Março de 1984, quando foi rebatizada de “Vörösmarty”. Em 1995, o empresário alemão Erwin Franz Müller comprou a confeitaria e renovou-a extensivamente. Os traços dos últimos 50 anos, desapareceram, e actualmente pode apreciar o Café brilhar no estilo como construído por Emil Gerbeaud.

Assim hoje tal como no passado, continua a brilhar  no seu estilo “Gründerzeit” (literalmente “época dos fundadores” – que correspondeu à época de grande prosperidade económica no século XIX, na Alemanha e na Áustria antes do grande crash bolsista de 1873), com as suas fachadas ricamente decoradas segundo o estilo neo-barroco dos tempos imperiais.

O seu interior com estuques, grandes e cintilantes candeeiros,  painéis e mobiliário feitos de madeiras exóticas mantém a sumptuosidade do espaço.

Hoje continua a ser possível levar para casa um pouco do melhor do Gerbeaud, talvez em caixas como as desenhadas outrora por Emil Gerbeaud.

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