O Alimentarium em Vevey

Depois do Museu Suíço dos Jogos, ainda houve tempo para visitar convenientemente um outro Museu, o Alimentarium, que ficava por perto, na cidade contigua, Vevey, distando os dois museus entre si de 1,1km.

Depois de estacionado o automóvel em Vevey, o percurso a percorrer é curto e agradável, pela avenida pedonal junto ao lago até ao destino. Daí consegue avistar-se à distancia a torre coberta de vermelho que pertence ao Museu Suíço do Jogo, em comemorações dos seus 25 anos, e a escultura do garfo no lago, em frente ao Alimentarium.

Pela avenida pedonal também se encontram expostas várias esculturas modernas.

Este segundo museu, fica igualmente localizado em frente ao lago, num magnifico edifício neoclássico. A sua morada é: Rue du Léman 1, 1800 Vevey, Suíça.

Trata-se do Alimentarium – Museu da Alimentação e a sua temática e localização,  não poderiam ser mais apropriadas, uma vez que pertence à fundação Nestlé.

“Nos primeiros anos de 1860, Henry Nestlé, farmacêutico de Vevey, de origem germânica, inventa o leite condensado, provocando uma revolução. Difícil de conservar, até então o leite é relativamente pouco utilizado na alimentação européia, principalmente nas cidades.

E na época, a falta de soluções alimentares para substituir o leite materno – nem sempre disponível e assimilável – representa ainda uma das principais causas das fortes taxas de mortalidade infantil. Taxa de 20% na Suíça.

Em 1867, em Vevey, a farinha láctea do engenhoso farmacêutico e comerciante permite salvar bebês precocemente nascidos que recusam o leite materno ou qualquer outro produto alimentar.

A notícia propaga-se por toda região. Em poucos anos, o leite condensado conquista o mercado suíço e, em seguida, o mercado mundial.

Depois do leite vem o chocolate, o café solúvel, os sorvetes e o functional food: hoje Nestlé é a maior empresa suíça e um dos líderes da alimentação no mundo.

Entre uma aquisição e outra, em 1985 o gigante de Vevey oferece-se um museu.” (texto retirado daqui)

Os placares publicitários são bastante sugestivos, em especial o das borboletas que faz alusão à exposição temporária do museu. (Eu não consegui sair da loja do museu sem primeiro adquirir uma colecção de 16 postais com cada uma destas borboletas de produtos alimentares. Também havia a opção da colecção em pacotinhos de açúcar e outros artigos, mas foram mesmo os postais o que mais me seduziu)

Em frente ao Museu encontra-se também uma estátua de Charlie Chaplin.

O Jardim do Museu, em frente ao edifício e ao lago, possui uma seleção das principais plantas alimentares segundo a época do ano, intercaladas com áreas para piquenique. As atracções incluem uma horta e um jardim de plantas aromáticas.

Na recepção, aquando da aquisição dos bilhetes, também é facultado um plano do Museu, o qual se encontra digitalizado abaixo, frente e verso (já um pouco enrugado pelo uso).

O primeiro local visitado no interior do museu, depois de passar na recepção foi o Café-Restaurante “La Verrière”. Não para almoçar, até porque já passavam das 13:30 mas para um lanche descontraído num ambiente agradável. Nas paredes, paineis fazem alusao à exposição temporária “Collectionnez-moi. Portraits de collectionneurs et de leurs menus objets (Coleccione-me. Retratos de colecionadores e suas bugigangas)” 

O primeiro espaço da exposição permanente é dedicada à Alimentação.

Aqui pode encontrar-se a forma mais conhecida de “Fast-food”, traduzida nos vendedores ambulantes que com os seus carrinhos vendem os produtos típicos de cada cultura/país.

Quem? Onde? Quando? O quê? e Como? São questões que se colocam em relação à alimentação, pois em termos culturais as respostas podem ser diferentes.

Diferentes povos, possuem diferentes costumes relacionados com o acto de se alimentarem e isso reflecte-se no tipo de utensílios e objectos usados.

Actualmente o acto de fazer uma refeição não pode ser também dissociado da ida a um restaurante, tal a generalização destes locais especializados no acto de servir.

A sopa como uma componente tão habitual, e dirão muitos, essencial numa refeição equilibrada, tem um local de destaque, com uma terrina e a sua saga, num livro interactivo com som (pode-se escolher entre inglês, francês ou alemão).

O Pão da crise/fome envolvido numa banda de papel, de 1817 alerta que nem sempre foram, nem são tempos de abundância.

Uma reprodução da obra “Verão” (1563), de Giuseppe Arcimboldo (1527–1593), cujo original se encontra no Museu do Louvre, muito apropriadamente está em local de destaque.

Relembra que o Homem é um ser omnívoro, e que como tal, tanto come alimentos de origem vegetal como animal (com o quadro sobre um fundo de carnes).

Esta vitrina circular e rotativa, ilustra a composição de uma refeição típica em vários locais do mundo, e analisa os seus componentes em termos dos diferente nutrientes.

Para uma alimentação saudável e equilibrada ao longo do dia, também é sugerido o quê e quando comer, segundo certamente o regime alimentar típico da região francófona da Suíça.

Uma mesa circular de vidro, foca a questão da renuncia à comida, e que tal pode dever-se a vários motivos, não apenas por greve de fome, mas também por motivos religiosos, como o período do Ramadão dos muçulmanos, por exemplo.

Uma outra vitrina cúbica aborda os costumes alimentares típicos na suica em determinadas datas festivas ao longo do ano.

– Sao Nicolau (6.12); Natal (25.12); Reis Magos (6.1);

Candelaria (2.2) dia do crepe; Carnaval; Quaresma; Pascoa; Ascensão (espargos);

-Férias escolares; Festa Nacional (1.8)

Dia de acção de graças federal; Caça; Colheita; Hallowen (31.10); São Martinho (11.11); Boucherie (Talho/Charcutaria)

Uma espécie de cilindros rotativos ilustram em muitos casos o antagonismo entre o “Hoje – Antigamente” e o “Aqui – Noutro local”.

  • No país africano dos Camarões

  • Filmes o Rico e o Pobre de um lado do cilindro e do outro uma pintura mural de Pompeia sec I.

  • Uma família do município de Vaud à mesa de jantar e alimentos na parte francófona da Suíça

  • Palenque, México (imagem) e Tikal,Guatemala (video) e do outro lado do cilindro Imagem do Codex Tro-Cortesiano de Madrid pós-clássico recente, 1350-1500.

Ainda no rés-do-chão, do outro lado da Recepção e loja, fica o espaço dedicado a Cozinhar. Um espaço indiscutivelmente indispensável, no que concerne à temática do museu. É aqui que se realizam os workshops do Museu.

Preocupações com uma alimentação equilibrada e saudável também são apresentados através das conhecidas pirâmides alimentares.

Perto desta área existe uma outra com confortáveis sofás, uma pequena biblioteca com livros relacionados com a temática, não necessariamente apenas livros de cozinha, e um espaço didáctico infantil. No entanto não possuo imagens do mesmo sem a presença dos meus acompanhantes, que aí ficaram quando se cansaram de esperar que eu explorasse esta parte do museu.

Uma imagem da sala dá uma melhor noção global da disposição deste espaço de exposição.

Entre a recepção e o Café-Restaurante fica a escadaria que permite subir ao primeiro andar do museu.

Em jeito de bancas ou áreas de um supermercado, o espaço dedicado à Compra, aborda as várias fases do processo desde a Produção (Agricultura, Industria), passando pela Distribuição, Comércio até ao momento do Consumo.

Saliento o pormenor disposto em uma das bancas, do processo produtivo até ao consumo, ligado ao chocolate, um bem bastante apreciado na generalidade por todos, e em especial na sua “capital” a Suiça.

E ligado à temática da compra, a contraposição do cabaz típico à cem anos atrás e na actualidade. Reconheço que o cabaz de há cem anos atrás me parece mais saudável, apesar de com muito menos diversidade.

Pelo corredor que liga os dois lados do primeiro andar do museu, acede-se ao centro ao Espaço Nestlé, um espaco que relata um pouco da história, desde o seu fundador Henry Nestlé até uma companhia lider na industria alimentar, a Nestlé.

Paisagem exterior avistada da sala Nestlé.

Do outro lado deste primeiro andar é o espaço dedicado à Digestão. Um espaço bastante interactivo e de descoberta, que convida o visitante a participar.

  • A Balança do input (o que ingerimos) e do output (actividades a fazer) para compensar ficar equilibrada.

  • Jogo da dieta a seguir consoante o perfil da pessoa.

  • Circulo de questões da refeição: Porquê? O quê? Onde? Como? Quando? Com quem? Quem?

  • Proporção de Agua, Proteinas, Lípidos, Minerais, Hidratos de Carbono/Glicidos, e Vitaminas no corpo humano

  • Os circuitos e interligações ligadas ao processo alimentar: os produtores e os produtos, os consumidores e o processo de decomposição.
No fim da visita a este primeiro andar, na sala de cinema 3D, ainda assisti a um filme sobre o sistema digestivo, muito interessante.
O segundo andar do museu é dedicado às exposições temporárias, o que neste caso é sinónimo, de espaço dedicado às colecções e seus coleccionadores, e que deixa também uma questão no ar: O que coleccionas tu?
  • Latas de sardinha de Conserva

  • Latas de bebidas energéticas

  • Objectos de coca-cola
  • Favas de Epifania

  • Etiquetas do Talho de carnes e preços

  • Pães e objectos em torno do pão

  • Bombons

  • Papel que envolve as laranjas

  • tampas/aberturas dos potes de creme ou natas

  • Pacotes de açúcar

Depois da visita à exposição temporária, passei pela loja do museu, onde adquiri a já referida colecção de postais, assim termina a minha visita ao Alimentarium.

6 thoughts on “O Alimentarium em Vevey

  1. Cara “Turista”

    Acredite, que não consigo encontrar a palavra mais precisa, para classificar este seu artigo.

    No entanto, atrevo-me a dizer :”Gorgeous” and “Fabulous”! Ambos significam “quase” o mesmo, apenas, reforçam a minha ideia.

    Quero, ainda, acrescentar que este artigo da “Turista”, é um dos mais informativos e enriquecedores, que eu já li.

    Fiquei a saber qual o país, “Pai” da farinha láctea, para salvar os bebés, do leite condensado, que tanto gosto, etc.etc. Isso foi uma mais valia para os meus conhecimentos.

    Adorei conhecer, os imensos expositores do “Museu Alimentar”, através das magníficas fotos e da brilhante narração, feita step by step.

    Não posso deixar de render a minha homenagem à “Turista”, por este excelente e valioso artigo, bem como apresentar os meus parabéns.

    Gostaria, ainda, de acrescentar que, a pirâmide alimentar, para uma alimentação saudável, fez-me lembrar a que me foi facultada pela farmácia da minha localidade, há algum tempo atrás.

    Obrigada!

    Beijinho.

    • Cara Executiva,

      Muito obrigada por elogios tão rasgados, mas não devo ficar com os louros de muito do que disse. Limitei-me a narrar o que descobri num Museu que realmente está muito bem conseguido, que aborda a temática da alimentação de forma fantástica, que está muito bem organizado e repleto de informações que são absolutas preciosidades.
      O meu mérito a existir, foi a conseguir transmitir, também de forma organizada e o mais completa que pude, muito do que descobri e do que comporta este museu.

      Muito obrigada, mesmo, pelo seu comentário, tão incentivador.

      Beijinhos

  2. Pingback: Onde a Nestlé, o Chaplin e o Museu da Alimentação se encontram | Culturas do Mundo

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