A Casa Cailler

Ainda durante o almoço e com alguns dos prospectos que tinha recolhido no posto turístico da cidade, nas mãos, ponderei qual o lugar a visitar a seguir, dos dois que queria, tendo em consideração o horário de abertura dos mesmos.

A opção tomada não poderia ser sido mais acertada.  Primeiro fui ao local mais distante do centro de Gruyères pois fechava às 18h enquanto o que ficava mais perto às 19h.

Assim, depois de sair de Gruyères o destino foi a Casa Cailler, a cerca de 6,7km de distância e cuja morada é: Rue Jules Bellet 7, 1636 Broc.

Estando em Gruyères, tão próximo, é impossível não ter vontade de visitar a Casa Cailler – “Fábrica do Chocolate Suíço”, pelo menos para alguém como eu, que gosta tanto de chocolate. Afinal François Louis Cailler (1796-1852), foi o “pai” por excelência do chocolate Suíço, ao ter fundado das primeiras fábricas de chocolate no país, que ainda existe.

Mas, apesar de distar poucos quilómetros de Gruyères, não me pareceu muito simples e fácil chegar ao destino, pois não encontrei durante o percurso qualquer sinalização na estrada a indicar o caminho até à Casa Cailler. Ainda bem que pude contar com o fiel GPS no automóvel, e ele não teve qualquer dificuldade em reconhecer a morada.

Nas imediações do complexo de edifícios existe um parque de estacionamento para os visitantes, com uma dimensão ainda considerável, e existe um trilho de caminho de ferro visível no chão mesmo até ao edifício da fábrica.

Esta é a planta do museu, digitalizada do prospecto com informações pertinentes sobre o mesmo.

Outras informações pertinentes que pode descobrir no mesmo prospecto, como preços de entrada, forma de chegar, e período de abertura.

À entrada no museu, existem logo 3 guichets de informações e venda de bilhetes (2), o que bastante eficiente.

Os bilhetes são vendidos com um número e nome da visita guiada em que se é integrado. A mesma é feita segundo a disponibilidade existente nesse grupo, o horário e a  lingua em que a visita será realizada (indiscutivelmente existe um maior número de visitas guiadas em francês que em alemão, inglês e espanhol, mas a pedido expresso e antecipadamente, caso haja número suficiente de pessoas que se justifique é possível um grupo pré-formado agendar uma visita guiada em outro idioma)

Os nomes das visitas guiadas são bastante sugestivos e alusivos aos chocolates, claro. A visita guiada que integrei foi a número 74, em inglês e tinha o nome de Chokito.

Enquanto esperava pela vez de começar a minha visita guiada, pude desfrutar da sala de cinema (7) e descobrir um pouco mais acerca da história desta marca e seus anúncios. Sente-se literalmente numa sala de espera do aeroporto, mas numa área vip com cinema e conforto, pois o monitor lateral ao da tela de cinema, (existe um outro também no corredor), vai anunciando o estado do  “voo” (visita), com termos como “on time”,“check in”, “boarding”, “closed”, “departed”…

Na fase do check in, enquanto se aguarda em fila (mais ou menos indiana) pela vez para começar a viagem, pode-se ir apreciando nas paredes, os pioneiros das fábricas de chocolate suíço, reproduções dos invólucros dos chocolates e dos cartazes publicitários usados na época e ao longo dos tempos.

Para muito pormenores acerca da história associada a esta marca, recomendo vivamente que visitem este site.

O fundador da primeira fábrica de chocolate na Suiça, François-Louis Cailler

Charles Amédée Kohler, com uma fábrica de chocolates em Lausanne, foi o criador do primeiro chocolate de avelã. Unindo forças com Daniel Peter a sua fábrica tornou-se a maior da Suiça desse tempo

Henri Nestlé, com um grande espírito empreendedor e uma companhia de produtos lácteos, tornou-se o sócio ideal para a sua companhia se fundir com a de Peter, Cailler, Kohler Chocolates Suíços SA. Desde 1929, com o crash da bolsa, tornou-se proprietário da marca Cailler.

Daniel Peter, casou-se com a filha mais velha de François-Louis Cailler e fundou a sua própria companhia de chocolate. Após varias tentativas sem sucesso conseguiu criar o primeiro chocolate de leite, recorrendo ao leite condensado do seu vizinho Henry Nestlé.

Alexandre Cailler, neto do fundador da empresa François-Louis Cailler, assumiu o negócio da família em 1887, e converteu a pequena companhia numa grande companhia com operações internacionais. Foi este que construiu a fábrica de chocolate em Broc, inaugurada em 1899, onde ela se encontra actualmente. Para fazer face à competição internacional fundiu a sua companhia com a Peter et Kohler Chocolats Suisses S.A. em 1911. Os muitos anos de cooperação entre Nestlé, Peter, Cailler e Kohler levaram a uma fusão completa em 1929.

Um pouco mais das paredes do corredor até ao início da visita guiada.

O momento de “embarque” na viagem guiada, com a porta de acesso e o elevador.

Quando as portas do elevador deslizam a um nível inferior, entra-se noutro tempo e espaço. Começa a história do cacau desde o tempo dos Aztecas, com uma animação multimédia (3).

Com a colonização, os astecas foram derrotados e a sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis comandados por Hernán Cortés. Estes trouxeram sacos cheios de cacau nos porões dos barcos aquando da viagem de regresso a Espanha, à Europa.

Na corte espanhola a bebida de cacau tornou-se muito apreciada, um verdadeiro néctar dos deuses. A igreja por sua vez, que não gostou nada disso, censurou a sua ingestão procurando proibi-la, por achar que era obra, quiçá do diabo ao ser tão tentadora.  Mas a proibição acabou por ser levantada, já que na corte, não queriam prescindir de algo  delicioso…

O cacau quente também chegou aos aposentos privados, budoir, das damas francesas, e era motivo de luxuria e alegria…

Mas nem tudo permanece bem durante muito tempo e da-se a revolução nas ruas. Algo tão delicioso continuava fora do alcance das massas da população…

A história de como Cailler escolheu Corsier-sur-Vevey, uma pequena vila entre o lago e as montanhas, para a localização da sua fábrica. (A personagem de Cailler aparece como o rapaz que a pedalar na sua bicicleta sobe e desce as montanhas até encontrar o local ideal.) A história continua com os outros “pais” do chocolate suíço, e como tudo se coadunou até se tornar o que é hoje a Nestlé.

A seguir, a pequena fábrica do pioneiro François-Louis Cailler, e um pouco de como tudo começou…

E no escritório, face às notícias aterrorizantes do crash da bolsa de 1929, uma decisão importante, agora do neto Cailler, a de fazer um telefonema que conduziu à fusão da empresa com a de Nestlé.

Numa pequena sala são apresentados os arquivos e 3 televisões antigas, em coluna, onde se vislumbram anúncios de outras épocas.

Por cima da porta pela qual se acede ao espaço seguinte encontra-se a designação do centro de excelência do chocolate.

A parte da visita com animação multimédia termina com a imagem idílica da localização da Casa Cailler entre as montanhas verdejantes, o lago e as imprescindíveis vacas.

O espaço seguinte é dedicado ao processo produtivo (4).

Senti-me como se estivesse num mercado, com os ingredientes ali, em grandes sacos, e com as etiquetas descritivas por cima, informando de condições, proveniências, e características a respeitar.

Quanto às indispensáveis receitas para criar um chocolate tão delicioso, essas, ao contrário das matérias primas, não estavam à disposição, antes mantém-se um segredo muito bem guardado em lugar seguro, “a sete chave”. O mesmo era possível avistar mas apenas por um ecrã.

Em destaque um placar com o “Plano Cacau da Nestlé” informa em que é que este consiste e quão benemérito e de louvar ele é. Simultaneamente contribui para uma melhor qualidade do chocolate, ao melhor a qualidade da sua matéria prima principal.

Mas de que é feito afinal o chocolate Cailler? Um placar procura responder a essa questão. Enquanto outro procura apresentar razões para se ingerir chocolate.

Num outro enorme placar são descritas as várias fases dos processo produtivo do chocolate. Se tiver curiosidade em descobri-las, e ler melhor acerca das mesmas, este é o local indicado.

Também é possível espreitar um pouco do processo produtivo mecanizado a ocorrer em directo. Existem uns painéis envidraçados que separam o espaço percorrido pelo visitante no museu e aquele ocupado pelos funcionários na fábrica.

Antes de sair da fábrica uma referencia: o chocolate e a vida, que andam de mãos dadas.

A seguir, o espaço mais ansiado no museu por muitos, o da Degustação (5), mas primeiro preste atenção no placar que elucida como tirar o máximo partido dessa experiência.

O espaço de degustação, é óptimo pois permite provar as várias especialidades da Cailler. Eu admito que com tanta oferta não fui capaz de os provar todos, e concentrei a minha atenção naqueles de chocolate negro pois são os que aprecio mais.

O atelier do chocolate (6) estava fechado, pelo que terminou assim, com a degustação, da melhor forma a visita guiada ao museu.

A seguir, explorei a loja (8), e claro, não saí de lá de mãos vazias, mas sim com uma caixa Ambassador negro.

A seguir desfrutei de uma bebida fresca no Café La Chocolatière (9), e para terminar a indispensável passagem pelo Parque Infantil (10), ou o meu acompanhante de dois palmos já mais me desculpava tamanha desconsideração.

Depois de terminada a visita à Casa Cailler, eis chegado o momento de regressar, ainda a tempo, de novo a Gruyères para visitar o ultimo local pretendido.

Uma ultima dica: Se aprecia chocolate, e gosta de preparar pratos deliciosos e tentadores, não abandone o site da Cailler sem espreitar as irresistíveis receitas e com um aspecto divinal que lá são apresentadas.

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14 thoughts on “A Casa Cailler

  1. gostei de “visitar” consigo este museu – já visitei museus de cerveja, de tabaco, de arroz… mas nunca de chocolate 😦
    gostei! obrigada, mais uma vez 🙂
    um abraço.
    (e obrigada pela dica do restaurante com fondue de queijo(s) no Porto – eu sou de Lisboa, mas amo a Invicta, pelo que numa futura visita ao Porto tentarei ir lá provar essa iguaria)

    • Olá Maria Nunes!

      Este é o segundo Museu de Chocolate que visito. O primeiro foi em Colónia. Tem estilos diferentes, não sendo directamente comparáveis. Enquanto este é específico desta marca Cailler, o de Colónia é do chocolate em si, estando dividido em vários espaços independentes cobrindo diversos domínios e todos são visitados livremente (e não sujeito a uma visita guiada com horário definido e longas filas de espera). O de Colónia apresenta várias marcas de chocolate suíças e alemãs (e talvez outras também mas aí já não estou tão certa). No entanto um processo produtivo e uma fonte de chocolate são da marca Lindt, e há uma maior preponderância desta marca no museu. (O meu artigo sobre esse outro Museu do Chocolate de Colónia caso tenha curiosidade em espreitar)

      Beijinho

    • Olá Babette!!!

      Sim sim, muito saborosa, principalmente com a qualidade da área de degustação 😉 Espero que tenhas entrado no site da Casa Cailler e espreitado as receitas, pois também tem óptimo aspecto e parecem deliciosas.

      Beijinhos

  2. Querida Turista:
    É com muito gosto que lhe digo que fez uma bela reportagem sobre esta fábrica de chocolate que eu, nessa altura em Genebra, tive o prazer de descobrir e visitar. A parte educacional em si estava muito bem documentada ( quando comemos chocolate nem imaginamos as voltas que a matéria prima dá), mas o que me soube mesmo bem foi à saída provar várias qualidades de bombons, uma delícia! E tive oportunidade de comprar alguns para trazer e inclusive oferecer à Babette que de certeza nem associa à caixa que recebeu há uns anos, não muitos. Sabe que mais, este seu blog faz muito bem ao espírito.
    Beijinhos e parabéns pelas fotos. Havia muitos sítios escuros e difíceis de fotografar sem tripé.

    • Olá, muito boa tarde!

      Muito obrigada pelo elogio. Fotografar em locais com pouca luminosidade é sempre um caos para mim, e a qualidade ressente-se imenso. Mas também apesar de desfocadas, não podia deixar de colocar aqui as imagens de partes do museu, caso contrário a visita ficava muito incompleta.
      Procurei documentar e descrever a visita o mais fiel possível, como se estivesse a fazê-la de novo.

      Este é mesmo uma delícia de museu (os chocolates sao óptimos, como aliás os suíços tem fama de o ser) e é uma obra muito bem conseguida. Apesar de não ter nada a ver em termos de temática, a forma como está concebido, sobretudo a parte da animação multimédia fez-me lembrar imenso o Museu da Steiff.

      Beijinhos

  3. Cara “Turista”

    A “Turista” narrou este seu artigo, ao pormenor, acompanhado de fotos esclarecedoras.

    Deu-me a conhecer um dos pais do famoso chocolate suíço. Fiquei a saber também, como é que várias companhias acabaram por se fundir numa só, a actual Nestlé.

    Gostei de conhecer toda a história do chocolate e a proibição pela igreja.

    Muito interessante o “check-in” para a visita. Gostei de ver os “Tickets” alusivos ao chocolate, tudo pensado ao pormenor e com imaginação.

    O espaço de degustação é amplo, agradável, tentador e convidativo.

    Creia que, tal como a “Turista”, a minha escolha recairia no chocolate negro, dado ser o meu preferido.

    Por fim, gostaria de acrescentar que, a descrição da “Turista”, foi tão perfeita, que fiquei com a sensação que também lá estive.

    Parabéns!

    Beijinho.

    • Olá, boa noite cara Executiva!

      Nem imagina como me deixa feliz por dizer que com este artigo consegui fazê-la sentir-se lá, como se tivesse visitado o museu efectivamente.
      O espaço de degustação é muito interessante (e delicioso), mas por ser dos mais procurados cria um certo congestionamento e afunilamento no fim da visita, mas também não há como evitar isso, mantendo-se a ordem.
      Interessante saber que as suas preferências também recaem como as minhas pelo chocolate negro.

      Beijinho

  4. Bela dica. Não conhecia esse museu e já vou colocar na minha programação. Aliás, essa série de posts parece ter sido feita para mim!!!! rs
    Além disso, sou louca por chocolates, especialmente suiços e belgas. Preciso visitar esse museu.
    Gostei muito do post.
    Obrigada.
    Beijinho

    • Bom dia Idenize!

      O preço dos ingressos pode ser alvo de inflação, mas os que constam actualmente no site, são de 10 CHF por adulto, gratuito para “crianças” com idade inferior a 16 anos acompanhadas pelos seus familiares e estudantes, pensionistas ou incapacitados 8 CHF. Caso integre um grupo de 10 ou mais adultos os preços são ligeiramente inferiores, respectivamente 8 CHF.

      Espero ter respondido à sua questão.

      • valeu sim !!! mas fiquei chateada pois o trem do chocolate só está disponível a partir de maio e vou estar lá em meados de abril !!! tem como chegar lá com outro trem ou onibus ???? desculpe estar te incomodando !!!!! abraços !!!

      • Desculpe só hoje responder à sua questão.

        Claro que é possível chegar à Maison Cailler sem ser através do comboio do chocolate.
        Eu quando a visitei, usei transporte próprio, mas a oferta de transportes públicos existentes na Suiça, permite lá chegar.
        Como não sei qual o seu ponto de partida torna-se dificil referir quais os transportes publicos em concreto a usar. Mas facilmente encontra resposta à sua questao no site da SBB , colocando como local de partida o da sua estadia e como local de chegada a morada da Maison Cailler, respectivamente: 1636 Broc, Rue Jules Bellet 7.

        Espero ter ajudado.

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