Friburgo e a Catedral de São Nicolau

No dia da viagem de regresso e de fim das férias, o percurso foi outro, apostando mais no uso da autoestrada, e menos nas estradas estreitas que serpenteiam as montanhas e implicam a minha constante sensação de vertigens.

Mas isso não foi sinónimo de prescindir das fantásticas  paisagens suíças, apenas de em alguns casos as apreciar a uma maior distância.

O percurso realizado, foi o patente no mapa seguinte, que identifica igualmente os principais locais de paragem.

Com um dia de verão fantástico, a vontade de terminar as férias é ainda menor, e a forma de as tentar prolongar é aproveitar para visitar outros locais ao longo da viagem.

Já tinha sido decidido que faria um desvio da autoestrada, para visitar Friburgo, a capital do cantão suíço de nome homónimo. Mas se dúvidas houvesse nesse sentido, a questão nesta placa, e o querer responder “sim”, teria contribuído para a visitar.

Esta foi a primeira imagem da cidade, ao aproximar-me do seu centro histórico… a sobressair a torre da Catedral de S. Nicolau e o edifício da Câmara Municipal.

Efectivamente a Catedral de São Nicolau, depois de estacionar nas suas traseiras, foi o primeiro local em Friburgo que visitei.

Este é o mapa digitalizado, contido no guia de Friburgo, que obtive no posto de turismo da cidade.

No site oficial do turismo da cidade, na secção das brochuras, é possível solicitar esse mesmo guia, e encontram um documento em pdf sobre a Catedral: Catedral de São Nicolau (3) (Possui um pouco da sua história e o plano da igreja com a legenda respectiva. Os números seguintes, apresentados ao longo do artigo, correspondem ao da legenda deste plano da igreja)

“Segundo a lenda, se a sua torre de 74 m está inacabada, é porque faltou o dinheiro para a concluir. Uma jóia da arquitetura gótica, a catedral foi construída entre 1283 e 1490.
É possível subir os degraus 368 até ao topo da torre de 74 m de altura e vislumbrar toda a cidade. A Catedral de São Nicolau tem um rico ambiente arquitectónico. O portal principal (2) é adornado com um baixo relevo representando o Juízo Final.

O vitrais, criados pelo pintor polaco Jozef Mehoffer entre 1896 e 1936, constituem uma das mais importantes coleções no continente europeu no domínio dos vitrais religiosos em Art Nouveau. A série foi concluída na década de 1970 pelas obras do pintor francês Alfred Manessier.

Os órgãos, construídos entre 1824 e 1834, juntam recursos clássicos e românticos. Eles são o trabalho de um local organeiro, Aloys Mooser. Os seus instrumentos muito rapidamente adquiriram renome internacional e atraíram músicos famosos, como Franz Liszt e Anton Bruckner”.(texto traduzido e retirado daqui)

– A nave central (4), o órgão e as entradas laterais (12 e 30)

– Um dos corredores laterais, paralelo à nave central, apenas separado desta por alguns pilares de suporte.

– O Pulpito (28), decorado com seis estatuetas e escadaria, do atelier de Hans Felder le Jeune, 1513-1516. A caixa de ressonância em madeira do púlpito com uma estátua simbolizando a fé é de Franz-Niklaus Kessler, 1828.

– Fonte Baptismal (15) de Hermann e Gylian Aetterli, 1498. A cobertura de madeira possui duas estatuetas “O Batismo de Jesus por João Baptista” de Jean-Jacques Reyff, 1686.

– Altar de São Nicolau (18), ambão, castiçal de Páscoa, assento episcopal em bronze, por Georges Schneider, 1981-1986; Cruz Millenium “Caos-A criação de Resgate” em Bronze, por Nuccio Fontanella, 1999

-Portão do coro (19) de Ulrich Wagner, 1464-1466, brasão do bispo de Lausanne, Genebra e Friburgo em bronze, de Georges Schneider, 1986. Na viga do crucifixo: 3 estátuas, Cristo na Cruz  rodeado por Maria sua mãe e o apóstolo S. João, de cerca de 1400.

– Alguns dos altares laterais (26, 25 17, 16, 14, 13, 11)

– Capela do Santo Sepulcro (10), de 1430-1457. Altar de S. Lourenco em molassa, estátua de cerca de 1433. Grupo de 13 estátuas em molassa “O enterro de Cristo”, de 1433. Janelas de vitrais “Sexta-feira Santa à noite” e “Manhã de Páscoa” por Alfred Manessier 1974-1976. Arcos com pinturas “Oito anjos com instrumentos musicais” e “Quatro anjos com instrumentos da Paixão” de meados do século XV. Quadros “Jesus cai sob a sua cruz” por Hans Fries, entre 1502 e 1515; “Nossa Senhora das sete dores”, 1544; “S. Lourenço” por Johannes Koller, 1650; “Santa Catarina de Alexandria” por Johannes Koller, 1650; “Santa Verónica a limpar a face de Jesus” meados do século XIII.

A Catedral é mesmo impressionante, e cheia de detalhes aos quais é impossível ficar indiferente. Não é nada surpreendente que seja o principal ex-libris da cidade. Mas admito que realmente foram os vitrais lindíssimos e muito coloridos o que mais prendeu a minha atenção.

Não subi à torre da Catedral pois a altura da mesma, associada às minhas vertigens e ao número de degraus demoveu-me completamente de tal ideia.

No próximo artigo a visita a Friburgo continua…

7 thoughts on “Friburgo e a Catedral de São Nicolau

  1. Querida Turista:
    Pena que tenha vertigens nas “curvas”, não podia andar na antiga estrada do Marão! Apreciei imenso a catedral que nos descreveu. De facto os vitrais do pintor polaco ficam ali muito bem integrados no primitivo gótico. Gostei muito da cor branca e muita luz no interior. As capelas laterais, tão diversas, captaram a minha atenção. Uma delas tem umas pintinhas ou estrelinhas muito invulgares. A pia baptismal, um assombro.
    Mesmo a regressar a Turista não desperdiçou oportunidades. Ouço muitas vezes no canal Arte e Mezzo retransmissões musicais realizadas nesta bela catedral. Não admira que Liszt por lá tenha andado!
    Beijinhos e bom fim de semana, pelo que sei o 3 palmos já está na escolinha, merece uma boa passeata.

    • Olá, bom dia!

      Andar em estradas pela montanha, cheias de curvas e contra-curvas, eu até ando, se o destino mais do que compensar a minha inquietação e receio durante o percurso (como aconteceu na viagem de ida para a Suiça), mas admito que se o poder evitar, prefiro.
      Confesso-lhe algo, já estive a grandes altitudes nos Alpes Alemães e Suíços, mas admito (até parece mal) que nunca visitei a Serra da Estrela em Portugal.

      A Catedral é mesmo impressionante, sendo com toda a legitimidade (como referi) que é o principal cartão turístico da cidade. Adorei os vitrais, só por eles teria valido a pena fazer o desvio.

      Os excepcionais órgãos da Catedral e a óptima acústica típica nas igrejas, permitem realmente concertos musicais de grande qualidade.

      Veremos se o sol nos visita durante o fim-de-semana, é que por aqui o Outono parece que se antecipou, para proporcionar um agradável passeio ao ar livre.

      Um óptimo fim-de-semana para si e sua família também

      Beijinho

      (P.S.: já é pelo menos a segunda vez em que parece que estamos a escrever um comentário ao mesmo tempo, a Isabel aqui e eu na Festa de Babette)

  2. Cara “Turista”

    A beleza de uma paisagem pacífica, apresentada pela montagem de fotos, na abertura do seu artigo, convidou-me a uma paragem obrigatória! Creia, que descansei um pouco a admirá-la.

    No que concerne à Catedral de S. Nicolau, o arco em pedra, que envolve a porta principal, é ricamente adornado. Nota-se um trabalho muito minucioso e esculpido com o máximo rigor. Uma autêntica obra prima!

    Quanto ao interior da sua Catedral, a narração feita, em detalhe, com fotos alusivas, é admirável. Fiquei seduzida pelos maravilhosos vitrais.

    Acredito que, do topo da Torre, se desfrutará de uma fantástica vista panorâmica!

    Só é possível visitar todos estes locais que a “Turista” comenta, através do seu blog, utilizando a sua própria viatura e programados pelos próprios.

    Voltarei à Suiça!

    Beijinho e bom fim de semana.

    • Boa tarde cara Executiva!

      A paisagem Suiça realmente transmite uma sensação de tranquilidade, calma e pacificidade.

      A Catedral, toda ela é uma obra de arte, desde a Torre, passando pela entrada principal, os altares, o púlpito, a fonte Baptismal, os órgãos, até aos vitrais. Uma Catedral deveras interessante e com muito para admirar.

      A Suiça, tal como a Alemanha tem uma óptima cobertura ferroviaria, pelo que é possivel visitar o pais de transportes públicos e admirando no percurso óptimas e idílicas paisagens. Claro que com transporte próprio tem-se outra flexibilidade que estar sujeito horários dos transportes públicos nao permite.

      Espero que sim que com os meus artigos lhe tenha despertado o interesse de voltar à Suica, pois isso é sinonimo de que tem gostado do que tenho abordado aqui.

      Beijinho e um óptimo fim-de-semana para si também

  3. Andar por essas estradas sem pressa é uma delícia. Muito bom poder circular pela Europa de carro. A Suíça em especial, tem cidades lindas tão próximas umas das outras. É de encher os olhos!!!!
    Em breve vou apreciar esses cenários bucólicos.
    Beijo
    Claudia

    • Olá Claudia!

      Poder circular de automóvel por estradas europeias de qualidade, eu diria que é mesmo um luxo, e os países germânicos são óptimos a esse nível (estradas de qualidade, auto-estradas com baixos ou inexistentes custos de circulação e paisagens e locais fantásticos durante o percurso).

      Beijinhos

  4. Pingback: Nesta época Natalícia… | Turista Ocasional

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