Donauwörth, entre o Danúbio e o Wörnitz

Donauwörth é uma cidade da Baviera que integra a região da Suábia, na confluência entre os rios Wörnitz e o Danúbio. Dizem que foram dois pescadores que fundaram a cidade, justamente no local onde os dois rios se unem. A cidade dista cerca de 106 km de Munique.

Tal como muitas outras cidades na Baviera e na Alemanha, o seu centro histórico possui uma arquitectura típica que confere um cenário encantador à cidade. Talvez também por isso, a cidade integra a rota da estrada romântica da Baviera, que já foi abordada aqui, quando falei acerca do Castelo de Neuschwanstein.

Este é o mapa do centro histórico da cidade, com as principais atracções turísticas que o mesmo possui.

A Reichsstraße (8) – Estrada do Império, foi o que primeiro vislumbrei na cidade, e fiquei de imediato rendida à pacatez do local e à sua arquitectura tão típica e característica na Baviera.

Esta larga rua, num dos sentidos conduz ao rios Wörnitz, e ficou formalmente conhecida como “mercado inferior e superior”, pois sempre foi o coração de negócios da cidade. A rua foi denominada mais tarde de “Reichsstrasse” porque integrava o Sacro Império Romano e ligava as cidades imperiais de Nuremberga e Augsburgo.

As casas com magníficos gabletes (parede ornamental triangular) lembram o passado glorioso imperial da cidade.

Numa das extremidades da Reichsstraße encontra-se a Fuggerhaus (16), que alberga o Concelho Distrital, com os seus imponentes gabletes renascentistas.

Em 1536 os Fugger receberam a protecção do reino – o protectorado da cidade – e construíram este edifício em 1539. Gustav Adolf (1632) e Karl VI (1711)  foram   convidados na casa. Mais tarde o edifício foi transformado na sede do tribunal distrital.
O prédio de dois andares, foi restaurado de acordo com o estilo renascentista da Suábia com uma empena íngreme, muitas janelas e arcos redondos sobre as janelas do segundo andar.

Na Reichsstraße, na direcção oposta, encontra-se a Tanzhaus (13), o antigo salão de baile da cidade. Foi construído em 1400 como mercado e salão de dança da cidade. Todos os domingos, o conselho da cidade tinha uma orquestra que tocava músicas de dança para o povo da cidade. Durante muito tempo foi o edifício mais importante da Reichsstraße. O Imperador Maximilian I – “o último cavaleiro”, que morreu em 1517 – uma vez usou-o (a 5 de Março de 1500) para celebrar com as pessoas da sua amada cidade de Donauwörth, o nascimento do seu neto – Karl V, que viria a ser o último imperador.

Em 1570 a casa foi transformada num celeiro. Durante a Guerra da Sucessão Espanhola (1704), a casa foi destruída pelo fogo e foi completamente restaurada em 1872. Durante os ataques aéreos de 1945 a sala de reuniões do povo foi completamente destruída.

De 1973 a 75, o edifício foi reconstruído de acordo com os planos históricos e hoje é um grande exemplo de um edifício público com arquitetura histórica. O Salão de Dança actualmente é de novo um lugar de encontro público com um teatro com 600 lugares e um restaurante.

No segundo andar fica o Museu Arqueológico da cidade.

Continuando nesse sentido, na extremidade da estrada fica a Câmara Municipal da cidade com a fonte de Sta. Maria (7) em frente, que data de 1854.

A parte mais antiga da câmara  foi erguida em 1236 ampliada em 1308 com pedreiras retiradas do Castelo Mangoldstein Castelo. No século XIV, o edifício foi destruído duas vezes pelo fogo e no século XVI foi adicionado um terceiro andar. Até ao final do século XVIII a câmara recebeu o seu telhado de mansarda.
As ameias e pináculos remontam à sua restauração em 1853. O brasão da cidade por cima da entrada mostra uma águia de duas cabeças. Foi dado pelo imperador Karl V, em 1530, quando visitou a cidade.

Em 1973/75 e 1985/86, foi novamente restaurado o exterior da Câmara Municipal, recebeu algumas adições e foi completamente restaurada no interior. Apesar de muitas mudanças e alterações durante um longo período de tempo, a Câmara Municipal nunca perdeu o seu encanto e carácter medieval.

Desde 1986, quando a Câmara Municipal comemorou seu 750° aniversário, tem um sino no topo do gablete do edifício que toca todos os dias às 11 e 16 horas. O sino toca melodias folclóricas, orações para a paz – que são fortemente ligadas à história da cidade – e também um excerto da ópera de Werner Egk “O Violino Mágico”.

Do edifício da Câmara Municipal, segui em direcção à Rieder Tor (4) a única porta da cidade antiga que subsiste actualmente.

No edifício desta porta da cidade fica o Museu de História da Cidade. Em 1811 o prédio recebeu a sua forma actual, foi restaurado em 1913, destruído pelo bombardeio em 1945, reconstruído em 1946 e restaurado entre 1983 a 1986.

Quando visitei a cidade esta tinha um mercado junto a esta porta, na margem do rio Wörnitz e havia quem praticasse canoagem.

Ao atravessar a ponte em frente a esta porta da cidade, acede-se à Ilha Ried (1), que corresponde ao coração e à parte mais antiga da cidade.

A pequena ilha anteriormente chamada de “Wörth” é cercada pelo rio Wörnitz. A partir do século XVI que foi chamada de Ried. Durante o tempo de migração, os pescadores começaram a estabelecer-se lá. Em 1982, a fonte dos pescadores foi erguida na ilha por Georg Bayer, em comemoração dos primeiros colonos.

Na Ilha chamou-me imenso atenção, talvez pela sua cor intensa, a Hintermeierhaus (3), uma antiga casa de pescadores com friso gótico. A casa data do século XV e actualmente é a casa do museu local – um centro de informações sobre a tradição da pesca, metalurgia, trajes tradicionais e dos costumes de vida no século XIX.

Depois de deambular um pouco mais pela ilha, eis que atravessei de novo uma ponte, de regresso ao outro lado, desta vez perto da Färbertörl (5), uma das 38 torres das antigas muralhas da cidade.

Os rios Wörnitz e Danúbio confluem no Donauspitz (25), uma protuberância de terra com um aspecto bicudo.

Talvez sejam reminiscências do tempo de guerra, pois duvido que continuem a circular tanques e outros veículos de guerra por algumas estradas nacionais (ainda mais perto de centros populacionais), mas fico sempre surpreendida e interrogo-me quando encontro sinalização (como a da composição de imagens anterior) alertando para a velocidade de circulação, sobretudo ao atravessar pontes, com a imagem de um tanque de guerra e de uma espécie de jipe.

Depois de vaguear pela cidade, regressei ao ponto de partida, à Reichsstraße, e à Fuggerhaus, e continuando pela Pflegstraße, deparei-me com o Invalidenkaserne (18), um longo edifício que foi construído em 1715/16 como uma barraca para 400 soldados, que tiveram que ser alojados em particular antes de o quartel ser construído.

De 1803 em diante, o quartel foi usado como um lar de inválidos e  a partir de 1805 como um hospital. Actualmente é propriedade da cidade.

Daqui segui em direcção a um museu muito especial, mas o mesmo será alvo do próximo artigo…

As informações aqui apresentadas, sobre cada uma das atracções turísticas, foram retiradas do site oficial de turismo da cidade.

7 thoughts on “Donauwörth, entre o Danúbio e o Wörnitz

  1. Querida Turista:
    Suábia, nome deconhecido para mim.Já lhe disse uma vez, estes nomes fazem-me lembrar as aventuras de Tim-Tim. E aprende-se muito com as suas viagens. Gablete, se soube, já não me recordava. É uma arquitectura linda, dá logo uma sensação de conforto e harmonia aos bairros.
    Gosto de conhecer os hábitos locais: ouvir música e dançar nesse belo espaço, todos os domingos, é dar vida à cidade. E depois a quantidade de pequenos museus sempre vários, tornando-se simpático ter razões para voltar quando não se viram todos.
    As histórias da guerra estão sempre lá, como em muitas cidades europeias dessas regiões, veja-se a sinalética da ponte. Muito sentido de observação. As reconstruções, nem sempre por guerras, dão conta do espírito empreendedor dos alemães.
    Fico ansiosa por saber que museu foi escolhido.
    Um beijinho e boa semana para si e para os seus homens.

    • Boa tarde!
      O nome Suábia também me soa estranho, mas é a tradução da região alemã de Schwaben. Sim, recordo-me de ter referido um dia que existiam nomes de locais que a faziam associar às aventuras de Tim-tim.
      Em relação a Gablete, também achei conveniente clarificar de que se tratava.
      Conhecer os hábitos e costumes de um povo, é uma forma de ficar a conhecer melhor o próprio povo e o que este valoriza.

      Alemanha, por muito que gostasse, não pode apagar partes do seu passado, em especial o negro relacionado com a II Guerra Mundial, pois há muitos vestígios que persistem e muito que teve que ser reconstruido consequência desse período.

      Uma boa semana para si e sua família também, e presumo esteja com a casa mais cheia de alegria e risadas infantis😉

      Beijinhos

  2. Cara “Turista”

    Baseada no artigo da “Turista”, e nas fotos bem elucidativas, constato que se trata de uma cidade cheia de edifícios históricos, cuja arquitectura contribui para o seu embelezamento.

    Interessante o toque do sino da Câmara Municipal, às 11 e 16 horas! Uma atração para os residentes e visitantes que, por ali, passam.

    A Ilha, sendo o coração da cidade e, no meio do rio Wornitz, deve ser mesmo um local obrigatório a visitar, a quem explore a cidade e, pelas fotos, parece ser encantadora.

    Beijinho.

    • Cara Executiva!

      Captou bem os pontos fortes desta bonita e pacífica cidade.

      É sempre muito agradável constatar que o meu artigo conseguiu transmitir a ideia pretendida, o que neste caso, é sinónimo de retratar com veracidade um pouco do melhor desta cidade.

      Beijinhos

    • Na Alemanha existem muitas cidades assim, que parecem tiradas directamente de um livro de contos infantis, como referiu, muito cenográficas. Dá mesmo imenso prazer percorre-las só para apreciar a sua vivência quotidiana.
      Beijinhos

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