O Mosteiro de Santa Cruz em Donauwörth

Como uma cidade da Baviera que se preze, não poderiam faltar em Donauwörth igrejas dignas de referencia. Afinal a Baviera é dos estados mais católicos e conservadores da Alemanha.

Depois de sair do Museu de Bonecas Käthe Kruse (20), abordado no artigo anterior, e passando pelo longo edifício da Caserna dos Inválidos (18), o passeio levou-me  até ao edifício com predominância de amarelo do Mosteiro de Santa Cruz (17). Este sobressai e impõe-se na paisagem circundante.

A história deste antigo mosteiro beneditino remonta ao século XI.

Em 1030 o Graf Mangold I (Graf é um título nobiliárquico da nobreza germânica, equivalente ao conde em português)  trouxe uma valiosa relíquia da Santa Cruz para Donauwörth (um pequeno pedaço de madeira da cruz de Cristo), que tinha sido um presente do imperador bizantino. Após o seu retorno com a relíquia, o Graf Mangold construiu um convento em homenagem a Helena, mãe de Constantino. Em cerca de 1049 o Papa Leão IX criou o documento do “alto oficial” Santa Cruz – colocando sob a protecção pessoal da Santa Sé – o convento de mulheres.

Em 1101 monges da ordem beneditina de St. Blasien (cidade do estado de Baden-Württemberg) realizaram peregrinações à Santa Cruz. Em 1125 foi construída uma igreja e um mosteiro no local actual.

O abade Amandus Röls abade Amandus liderou a construção do edifício do mosteiro (1696-1698), da Igreja de Santa Cruz (1717-1720) e da torre da igreja (1747).

Actualmente a Santa Cruz é um exemplo perfeito da Schule Wessobrunner – a escola de arquitectura Wessobrunner. Josef Schmuzer de Wessobrunn foi o construtor, e as pinturas foram feitas por Johann Stauder de Constança.  O salão do Imperador, no piso superior do mosteiro remonta ao abade Hammerl Gallus (1776-1793), o fresco do tecto foi feito por Enderle.

No decurso de secularização em 1803 o mosteiro foi fechado e todos os seus tesouros caíram na alçada do Príncipe de Wallerstein. A peregrinação à Santa Cruz adormeceu e não acordou até 1875. Nesse ano o  pedagogo e professor Ludwig Auer, adquiriu o mosteiro para construir uma editora pedagógica e de literatura escolar, bem como uma  uma escola secundária com internato. Em 1910, ele converteu-o numa fundação da igreja  sob o patrocínio de São Cassiano, por isso também é chamada de Cassianeum. Desde 1935 o Mosteiro de Santa Cruz entrou de novo em actividade. Os Padres Missionários do Sagrado Coração de Salzburgo mudaram-se para o mosteiro e assumiram a liderança da escola e do cuidado pastoral da Igreja.

Na igreja são de evidenciar o altar-mor, os bancos do coro dos seculos XVII e XVIII, o púlpito.

Eis algumas imagens que mostram o quanto interessante é esta igreja, desde os frescos no tecto, os altares laterais, o púlpito, o orgão e culminando no altar mor.

Altares laterais e púlpito

Fresco central do tecto da igreja

Altar-mor

O orgão e um pouco mais dos frescos do tecto.

Por baixo do patamar com o órgão, por trás das fundações do Príncipe Luitpold da Baviera,  umas grades artisticamente forjadas guardam túmulo da duquesa Maria de Brabant. Ela estava acompanhada pelo seu marido, o duque Luís II de Wittelsbach em 1256 quando inocente foi decapitada no castelo de pedra Mangold. A pedra do túmulo com o brasão de armas de Brabante surgiu no final do século XIII.

Também localizada no interior da igreja encontra-se a capela da cripta. No altar direito está a Pieta de cerca de 1500 e sobre o altar da esquerda fica o ostensório de 1716 com a relíquia com partículas da cruz bizantina, que é exposto apenas em dias de festa especiais.

No próximo artigo… ainda continuo um pouco mais em Donauwörth

6 thoughts on “O Mosteiro de Santa Cruz em Donauwörth

  1. Querida Turista:
    Gostei muito desta visita virtual à igreja do Mosteiro de Santa Cruz. Quase todas as igrejas foram sendo acrescentadas, por sucessivas intervenções, ao longo dos séculos, daí que sejam vísiveis vários estilos, como é este o caso. Apreciei o púlpito e os altares laterais, são de uma beleza muito leve. E gosto muito de igrejas com luz e cor branca, contribuíem para a espiritualidade que estes espaços devem possuir.
    Já consegui substituir o cinto. Ele não chegou a seccionar completamente, só que não dava para correr, estava inutilizado na sua função! Pediu um desculpa avó muito comovente e eu pensei numa velha frase da minha Mãe: nunca o diabo mais leve, que se aplica na perfeição. Ainda por cima foi uma espécie de reciclagem: o cinto foi adquirido numa sucateira porque a Toyota só por encomenda, iria demorar ainda um tempo!
    Essas histórias cruentas da nobreza de antigamente são mesmo assim. Olhe,soube há pouco tempo que o nosso rei D.João VI terá sido assassinado com arsénico. Histórias muito feias. Quem visita a torre de Londres tem que tapar os olhos e os ouvidos se não quiser ter pesadelos…
    Beijinhos.Amanhã é a nossa vez de ter um feriado ( pela última vez, creio).

    • Boa noite!

      Tem toda a razão, uma igreja com paredes brancas parece muito mais luminosa e transmite uma grande paz de espírito.
      As igrejas são mesmo dos edifícios onde mais se presencia as várias épocas por que passou, pelas várias ampliações e restauros pelos quais passou.

      Concordo consigo, a leveza dos altares confere uma beleza subtil, que não cansa ao permanecer na igreja.

      Realmente as histórias da realeza e da nobreza por vezes estão muito longe de se assemelharem a contos de fadas, são mais contos de bruxas (como na época da inquisição) e muito sangrentas

      Ainda bem que não foi difícil substituir o cinto e que conseguiu resolver a questão de imediato. Quando as crianças se apercebem dos seus erros e do quão mal procederam, os seus pedidos de desculpa podem ser tão comoventes que ficamos derretidos a ponto de até nos sentirmos mal quando as colocamos de castigo.

      Beijinhos e um óptimo feriado de 5 de Outubro

  2. Cara “Turista”

    O artigo da “Turista” narra, em pormenor, toda a história referente a este Mosteiro. As ótimas fotos, dão-me a conhecer o interior da Igreja de Santa Cruz, que é lindíssima.

    Os altares laterais com muitos detalhes em ouro, são majestosos. O tecto da Igreja de enorme beleza.

    Um túmulo no chão, na nave central da Igreja, não deixa de ser interessante!

    Beijinho.

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