Berna, Património Mundial da Humanidade

A cidade de Berna, capital da Suiça, tem o seu centro histórico classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1983.

Com um ambiente charmoso e relaxante percorrer as ruas do seu centro histórico proporciona momentos muito agradáveis e descontraídos  São inúmeras as fontes (mais de 100) muitas com esculturas renascentistas, e as ruas estão cobertas lateralmente por quilómetros de arcadas medievais.

As imagens seguintes ilustram o centro histórico da cidade, enquanto me dirigia para o mesmo.

Mas não se comparam minimamente com uma imagem panorâmica da cidade tirada do ar, para realçar o porque do centro histórico ser tão apelativo e classificado como Património Mundial da Humanidade, como a que se encontra no site oficial da cidade. 

O primeiro local onde parei, foi à saída da ponte Nydegg (Nydeggbrücke), para apreciar a paisagem e a pequena Igreja Nydegg (da expressão bernese alemã para “canto inferior”).

A pequena igreja original foi construída entre 1341-1346 para substituir a antiga fortaleza. A Igreja contou com um telhado torreado. De 1480-1483 a cidade adicionou uma torre e entre 1493-1504 foi adicionada uma nova nave. Depois da Reforma Protestante, em 1529, a igreja foi transformada num depósito de barris, madeira e grãos, mas em 1566 voltou a servir como espaço de culto, e até 1721 foi uma igreja filial da catedral de Berna.
Em 1863, a igreja foi expandida para o oeste e foi adicionada uma entrada na ponte Nydegg. Entre 1951 a 1953 foi alvo de uma total renovação. Durante a renovação foram acrescentados relevos em bronze por Marcel Perincioli na entrada principal em Nydegghöfli e à entrada da ponte.

Desta igreja o percurso continuou pela Gerechtigkeitsgasse (Beco da Justiça), onde me deparei com a primeira fonte com estátua renascentista das que encontrei no centro histórico, a da Lustitia (Gerechtigkeitsbrunnen, fonte com a deusa romana que personificava a justiça).

A estátua actual é uma cópia da famosa original de Hans Gieng, que foi bastante destruída por vândalos em 1986.

Um pouco mais à frente fiz um pequeno desvio desta Gerechtigkeitsgasse para passar pela Rathausplatz, a praça onde se encontra a Câmara Municipal da cidade e a Vennerbrunnen (fonte com a estátua de Vexillum).

A estátua, construída em 1542 também por Hans Gieng apresenta um Venner com armadura completa e a sua bandeira. Venner foi um título político-militar na Suíça medieval. Ele era responsável pela paz e protecção numa secção de uma cidade e, por liderar as tropas dessa secção em batalha.

O edifício da Câmara Municipal foi construído entre 1406 e 1416 segundo planos de H. von Gengenbach e Hetzel H, no estilo gótico tardio.

O telhado horizontal em degraus veio mais tarde, e este foi substituído por um inclinado, obra de Abraham II Dunz em meados do século XVII. Uma reconstrução neo-gótica foi realizada sob Frederick Salvisberg. Na época da República Helvética, a Câmara Municipal foi parcialmente construída, e em 1942, graças a M. Risch, a fachada e salão foram restaurados segundo o seu estado original.

A Câmara Municipal sobreviveu à Guerra da Borgonha, à Reforma e à Revolução. Ela tem servido até ao momento presente como sede do governo cantonal de Berna, onde o Conselho Municipal se reúne cinco vezes por ano. Também é o local de encontro para o Conselho do governo, o Conselho Municipal de Berna e do Sínodo, o parlamento da Igreja Evangélica Reformada do Cantão de Berna.

Mesmo ao lado da Câmara Municipal (Rathaus) encontra-se a Igreja de S. Pedro e Paulo, na Rathausgasse. Um edifício construído entre 1858 e 1864 como a primeira igreja católica na cidade de Berna, no estilo historicista que imita o estilo da arquitetura românica e gótica precoce.

A Igreja de São Pedro e São Paulo, desde 1875 é a igreja paroquial da paróquia católica cristã de Berna e serve os Bispos católicos cristãos da Suíça como uma catedral.

No número 20 da Kornhausplatz (praça da Casa dos Grãos) encontra-se o Teatro Municipal da cidade, o Stadttheater,  que possui um palco com três divisões para ópera, teatro e ballet.

O edifício neoclássico foi construído pelo arquitecto René von Wurstemberger e inaugurado a 25 de Setembro de 1903.

Desde 2012, o Teatro Municipal de Berna faz parte da nova instituição “Konzert Theater Bern», ao qual também pertence a Orquestra Sinfónica de Berna situada ao lado do teatro.

Em frente ao edifício do Teatro Municipal situa-se o Monumento Erlach, uma estátua equestre de Rudolf von Erlach, o vencedor da lendária batalha de Laupen.

Foi projectado por Joseph Simon Volmar, construido pelo arquiteto de Berna Gottfried  Debler em junção com o mestre pedreiro de Solothurn, Urs Bargetzi e a 12 de Maio 1849 colocada na Münsterplatz (Praça da Catedral). Em 1961, o monumento foi retirado daí e colocado no local actual em Julho de 1969.

Daí acede-se à ponte denominada de Kornhausbrücke, que permite sair do centro histórico da cidade. Como tal não era o meu objectivo, limitei-me a aprecia-la um pouco, avistando à distancia o Kursaal, um centro cultural e de congressos, com o hotel de 4 estrelas superior Allegro, o Grand Casino e vários bares e restaurantes.

De volta à Kornhausplatz encontrei uma outra fonte nesta praça, a Kindlifresserbrunnen (fonte do comedor de crianças)

Esta fonte foi criada em 1545/46 por Hans Gieng no local de uma fonte de madeira do século XV. O nome original da fonte nova era Platzbrunnen (fonte da praça) mas o nome que prevalece foi usado pela primeira vez em 1666. Kindli é um diminutivo alemão suíço para a palavra alemã, que significa filho. Uma tradução literal do nome Kindlifresserbrunnen, seria “Fonte do Comedor de pequenas crianças”.
A escultura da fonte é um ogre sentado a devorar uma criança nua. Colocado ao seu lado está um saco contendo mais crianças  Existem varias teorias para o que este ogre representaria entre elas tratar-se de um judeu ou do deus grego Cronos. Provavelmente, no entanto, tratar-se-ia apenas de um personagem de carnaval com a intenção de assustar as crianças desobedientes.
Ao redor da base da fonte corre um friso com ursos armados que iam para a guerra, incluindo um flautista e um baterista. O friso foi projetado por Hans Rudolf Manuel.
O Kindlifresserbrunnen é um objecto importante no romance L’ogre (O Ogre) de Jacques Chessex.

Termino por hoje mas a visita exploratória ao centro histórico de Berna continuará a ser descrita no artigo seguinte.

10 thoughts on “Berna, Património Mundial da Humanidade

  1. Querida Turista:
    Conheço muito pouco de Berna. Na verdade, lembro-me de um relógio lindo, numa arcada virada para uma rua pedonal. Foi lá que comprei o meu canivete suiço. Mas com a ajuda do seu post, fico elucidada do quanto há para ver. É claro que se tem que levar tempo. Gostei muito da fonte do ogre, embora com uma história meio de terror!
    Beijinhos.

    • Boa tarde!

      Berna é uma cidade muito pitoresca e surpreendeu-me pelo seu aspecto mais medieval e rústico do que cosmopolita, atendendo a tratar-se da capital do país. Talvez estivesse à espera, sem ter nenhuma premissa previa, de encontrar uma cidade mais do género de Genebra…

      As fontes são bastante engraçadas e as historias que explicam o porque e o significado das estátuas que possuem, ajudam a evidenciar ainda mais o valor e importância dessas fontes.

      A historia associada à fonte com o ogre, realmente devia ter como objectivo assustar as crianças e fazer com que elas fossem melhor comportadas. Só fiquei sem saber se isso trouxe os resultados pretendidos ou não.
      Beijinhos

  2. Cara “Turista”

    A narração pormenorizada da “Turista”, sobre a cidade de Berna, com fotos a acompanhar, cobre “quase” todos os pontos da cidade, que tenho bem presentes na minha mente.

    A foto aérea está fabulosa, e antevê-se que se trata de uma cidade a ser visitada.

    Creia que, quando passeei pelo centro de Berna, senti o ar medieval da cidade, com as suas diversas arcadas ao longo de toda a rua principal; as fontes de invulgar beleza cativaram a minha atenção e admiração, bem como as torres históricas.

    Gostei muito de conhecer a Igreja de São Pedro e São Paulo, bem como os edifícios que a “Turista” mencionou, embora, não tivesse conhecimento cabal da sua história,

    A escultura da “Fonte do Comedor de Pequenas Crianças”, é muito interessante, no entanto, com uma lenda bem bizarra.

    Aprendi imenso acerca de Berna com este seu artigo. Obrigada!

    Beijinho.

    .

    • Boa tarde cara Executiva!

      Berna é mesmo uma cidade cativante, e que guardamos na memória associada a impressões muito favoráveis, como parece ter sido também o seu caso.

      Folgo em saber que lhe dei a conhecer pormenores de que desconhecia acerca da cidade. Presumo que tal também é um objectivo dos artigos, podermos descobrir algo não sabíamos previamente.

      Beijinhos

  3. Como vai,cara turista?
    Por cá está bastante mau dia,frio,escuro e chuvoso.
    Na aldeia, se não fosse a largura das ruas e a profusão de postes e fios, pensávamos estar em algum arrabalde medieval deserto… sem cavalos nem carroças.
    A parte da cidade que mostou é belíssima, mas vou guardar-me p/ o próximo artigo. Vou referir-me apenas ao OGRE. Conhecia o termo da minhas leituras de infância como alguém aterrorizador,
    com uma grande barriga, que bebia muito… Agora percebo: lendáriamente comia crianças,(( o que devia fazer sede ). Devia de ser uma metáfora para as crianças fugirem dos homens grandes, gordos e vermelhões…
    Bjinho

    • Boa tarde!

      Por aqui o dia é típico de Inverno, frio, muito frio, dia curto já que escurece cedo. Mas felizmente não está a chover nem a nevar, o que já é favorável.

      Eu acho que das primeiras vezes que ouvi falar em ogres estava associado a historias infantis e ao facto de ser gigante.
      Mais tarde com a trilogia do Senhor dos Aneis, o termo tornou-se mais popular ainda, e com os filmes de animação do Shrek, o ogre deixou de ser um ser apenas temido e mau, para passar a ser o heroi da história.

      Beijinhos

      • Não vi nenhum dos filmes do senhor dos anéis, por isso não sei o que dizer! Animação também não. Mas lá está, gigante gordo, medonho, a contrapor a anão, bizarro mas inofensivo!
        Histórias infantis…

      • Já eu reconheço que vi os filmes todos do Senhor dos Aneis, alguns dos documentários extra acerca dos filmes (que acompanham os dvd’s especiais), tenho na lista dos filmes a ver na altura do Natal o filme O Hobbit.
        E graças ao meu três palmos também vi e revi todos os filmes do Shrek.

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