Berna, pelas áreas ainda não percorridas…

A visita à descoberta de Berna, depois dos locais já mencionados no artigo anterior, levou-me à Herrengasse 25 onde se situa o Kulturcasino.

A história do actual Kulturcasino, remonta a cerca de 1890, quando o primeiro casino (salão de concertos) teve que dar lugar ao novo edifício do Parlamento. Em 1903 entre o Estado, o munícipe e conselho da cidade foi assinado um tratado, no qual a comunidade cívica de Berna se comprometeu a construir o casino, que tinha a intenção de realizar “grandes celebrações, apresentações musicais e exposições”, na cidade federal.

O Kulturcasino foi projectado pelos arquitectos Paul Lindt e Max Hofmann no estilo barroco tardio classicista, e construído com um telhado de quatro aguas distintivo. Após dois anos de construção ficou concluído em 1909. Desde o início, o casino associado próximo à cultura alojou um restaurante e várias salas pequenas para o sector da restauração.

A comunidade cívica de Berna nos últimos 20 anos, fez mais modificações do que em todo o período anterior, em termos de reforma do telhado e da fachada. No período de reforma de 1979 a 1999, a técnica foi adaptada para o estado actual e a sala de concertos foi equipada com um moderno palco de orquestra, flexível. Além disso, o restaurante readquiriu o carácter original de um grande restaurante, de novo com um jardim.

Hoje, o Kulturcasino está em grande parte de volta ao seu esplendor e grandeza original, e goza de grande popularidade.

Continuando pela Herrengasse em direcção à Münsterplatz (praça da Catedral), torna-se impossível ficar indiferente à imponência da Catedral da cidade, mesmo com as obras de restauro a ocorrerem na sua torre quando visitei a cidade.

A Catedral de Berna (Berner Münster) é o maior edifício da Suíça eclesiástica. A construção começou em 1421 e continuou por várias gerações de construtores. A torre foi finalmente concluída em 1893. O portal com a descrição do Juízo Final é uma característica marcante e realmente impressionante.

O ponto de vista privilegiado desta obra-prima está localizado 344 passos acima da entrada, na torre da catedral com 100 m de altura.

Os visitantes da torre de igreja mais alta da Suiça podem desfrutar de vistas magníficas para a cidade e os arredores, mas eu admito que nem me atrevi a cogitar a ideia de a subir, mesmo consciente do que estaria a perder.

A Catedral é a maior e mais importante Igreja da Suíça do final da Idade Média. Como a estrutura dominante no centro histórico, a Catedral desempenha um papel central na arquitectura da cidade.

Antes de voltar para as ruas centrais da cidade, fiz um pequeno desvio para vislumbrar um pouco mais do rio Aar, e da cidade localizada a um nível inferior, nas margens do rio.

Já na Kramgasse encontro mais uma das fontes com escultura renascentista da cidade. Trata-se da Fonte de Sansão (Simsonbrunnen) construída em 1544 por Hans Gieng.

A fonte representa a história bíblica de Sansão a matar um leão que se encontra nos Juízes 14:5-20. De acordo com a história Sansão nasceu de um casal israelita estéril na condição dele e de sua mãe se absterem de todo o álcool e de ele nunca cortar a barba ou o cabelo. Por causa de seu compromisso de viver sob estas condições, a Sansão é concedida grande força. Quando jovem, ele se apaixona por uma mulher filistéia e decide casar-se com ela. Nesta altura, os filisteus governavam os israelitas e decisão de Sansão de se casar gera grande preocupação entre a sua família. Ele acalma as suas preocupações e viaja para se casar com a sua amada. No caminho, ele é atacado por um leão e com sua incrível força mata-o. Mais tarde, ele vê que as abelhas construíram um favo de mel no corpo do leão. Ele usa este evento como a base de um enigma que, quando não respondido, lhe dá um pretexto para atacar os filisteus, e liderar uma rebelião mal sucedida.

Também na Kramgasse mas no numero 49, encontra-se a Casa de Einstein, um museu acerca da vida deste génio.

Albert Einstein alugou o apartamento entre 1903 e 1905 e viveu lá com a sua esposa Mileva e o seu filho Hans Albert. A residência do segundo andar dispõe de mobiliário desse período, bem como fotos e textos apresentados em um sistema de exposição moderna.

O terceiro andar mostra um filme que dá uma visão geral da vida de Albert Einstein.

Apesar de ter ficado com bastante curiosidade e interesse, não tive oportunidade de visitar a Casa de Einstein, pois estava fechada na altura.

Numa loja perto desta casa, não resisti a fotografar algumas das originais e muito coloridas vacas decorativas expostas, da colecção Art in the City.

Mas na Kramgasse encontra-se também um dos principais símbolos e atracções turísticas da cidade, a Torre do Relógio (Zytglogge).

O relógio astronómico ornamentado com suas figuras em movimento foi construído em 1530. Ele era o principal relógio da cidade e, por isso, tinha uma função oficial em Berna. Foi a partir deste que os tempos de viagem indicados nos marcos de pedra ao longo das estradas cantonais foram medidos. Unidades-padrão de comprimento – anteriormente côvado e braça, actualmente metro e metro quadrado – são exibidos para o público no arco da porta.

Depois de admirar pausada este impressionante relógio  um pouco mais à frente encontrei mais uma fonte com a sua estátua renascentista, já na Marktgasse.

Denominada de Schützenbrunnen (Bom atirador), a fonte foi construída em 1527 e recebeu em 1543 a estátua feita por Hans Gieng com a figura de um franco atirador. Desde o século XIX carrega na sua mão direita a bandeira do Reismusketen – sociedade de atiradores e na mão esquerda segura uma longa espada. Entre as suas pernas está um urso jovem com um fuzil apontado para os transeuntes na rua.

Ainda na Marktgasse, mas na sua extremidade superior, existe uma outra fonte, esta denominada de Anna-Seiler-Brunnen, também do século XVI e cuja estátua foi construída por Hans Gieng.

A fonte, comemora o fundador do primeiro hospital em Berna. Anna Seiler é representada por uma mulher com um vestido azul, a derramar água num pequeno prato. Ela está num pilar trazido da cidade romana de Aventicum (a moderna Avenches). A 29 de Novembro de 1354 ela pediu no seu testamento, para a cidade para ajudar a fundar um hospital em sua casa, que hoje se encontra na Zeughausgasse. O hospital tinha inicialmente 13 camas e 2 assistentes e era para ser um hospital permanente ou  perpétuo. Quando Anna morreu em cerca de 1360 o hospital foi rebaptizado de hospital Seilerin. Em 1531 o hospital mudou-se para o Mosteiro vazio da Ordem Dominicana na Ilha de São Miguel e ficou desde então conhecido como o Inselspital (Hospital da Ilha), que continua a existir actualmente, mais de 650 anos depois de Anna Seiler o ter fundado.

Na Bundesplatz (praça do governo federal), como o próprio nome indicia é onde se encontra a Casa do Parlamento da Suiça.

A construção do edifício do Parlamento (a ala oeste do edifício do Parlamento actual) começou em 1852. A ala leste, espelhando a ala oeste, foi acrescentada em 1884, e em 1902 a estrutura foi ampliada num complexo de edifício composto de três partes. Ao todo, 38 artistas de toda a Suíça são responsáveis pelas decorações do edifício. O edifício do Parlamento é a sede do governo suíço (Conselho Federal) e do Parlamento (Conselho Nacional e Conselho de Estados). A construção foi concluída em 1902. O salão central abobadado e ambas as câmaras apresentam inúmeras representações simbólicas de história da Suíça.

Desta praça, incontornável para quem visita a capital de um país, passei apenas por mais um local digno de referencia, a Igreja do Espírito Santo, na Spitalgasse e perto da Bahnhofplatz (praça da estação de comboios).

Esta é uma das maiores igrejas reformadas na Suíça.

A primeira igreja foi uma pequena capela construída para o hospital e abadia do Espírito Santo. A capela, hospital e abadia foram mencionadas pela primeira vez em 1228. Este edifício foi substituído pela segunda Igreja entre 1482 e 1496. Durante o século XV, a Abadia do Espírito Santo começou a declinar lentamente. Em 1528, a igreja foi secularizada pelos reformadores e os últimos dois monges na Abadia foram expulsos de Berna. Durante os anos seguintes o edifício foi usado como um celeiro. Em 1604 foi novamente utilizado para serviços religiosos, como a Igreja hospital do Hospital superior. Naquele tempo, a igreja tinha uma capacidade máxima de cerca de 750 pessoas. A segunda igreja foi demolida em 1726 para dar lugar a um novo edifício de igreja. Entre 1726-29 a terceira igreja foi construída por Niklaus Schiltknecht. Na sua construção foi usado um arenito local, e o estilo barroco.

Depois de uma visita a uma cidade com tanto para conhecer, o dia terminou com um agradável jantar. Mas o que recordo com mais vontade foi a entrada que comi, pois foi até hoje o melhor cocktail de camarão com que alguma vez me deliciei, graças sobretudo à meloa cantaloupe (claro que depois dessa experiência,  já tentei reproduzir em casa, várias vezes esse cocktail, mas nunca se aproximou muito do sabor original).

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6 thoughts on “Berna, pelas áreas ainda não percorridas…

  1. Querida Turista:
    Confesso que tive que ler duas vezes este post, de tanta informação que ele contem. É mesmo muito completa nas suas visitas. De facto é simplesmente maravilhoso o portal da Catedral. Muito bem fotografado, consegue-se ver vários pormenores. Adorei também as fontes e suas estátuas, particularmente a de Sansão. Desconhecia a história, pelo que me sinto enriquecida por a saber agora, através deste post. Quanto ao relógio acho que foi o que permaneceu na minha memória ( estive em trabalho nos arredores de Berna e só lá passei uma tarde).
    Em relação à entrada de camarão, parece ser uma boa conjugação de sabores.
    Beijinho.

    • Muito Bom dia!

      Pois, eu acho que me entusiasmei um tanto a escrever este artigo, e acabou por se tornar demasiado extenso e difícil de “digerir”. Devia ter feito 2 artigos em vez de 1 com toda esta informação.
      Berna tem imensos focos de interesse do ponto de vista turístico, e certamente muitos ficaram por descrever, pois também não tive oportunidade de conhecer tudo.

      Beijinhos

  2. Cara turista:
    A primeira comentadora tem razão:este post tem carradas de informação!
    Já conhecia o portal da catedral;chovia bastante nesse dia, mesmo assim ficamos de tal modo maravilhados, pelo pormenor, estátuas e policromia, na época bem viva, chamativa, que jamais esqueci. Fiquei com imensa pena de não poder entrar, mas encontrava-se fechada.
    Recordo a rua especial que referiu ontem, as estátuas, os turistas…
    Seria óptimo poder regressar!
    Beijinhos

    • Bom dia!

      Pois, artigo ficou mesmo bastante pesado com tanta informação condensada.
      É sempre óptimo regressar a lugares que nos trazem boas recordações e que são ricos em termos turísticos e culturais.

      Beijinhos

  3. Cara “Turista”

    Apesar do artigo, de hoje, ser bastante longo devido à narração pormenorizada de muitos dos edifícios da capital da Suiça, no meu entender, ficou bastante completo.

    A arquitectura do “Casino” é sumptuosa, destacando as arestas do telhado que ostenta uma atmosfera única. Gostei de conhecer toda a sua história.

    A “Catedral de Berna” impõe-se pela sua magnitude. Na porta principal, o fascinante painel com figuras entalhadas em pedra, representando o “Juízo Final”, é uma maravilhosa obra de arte! Combina, magistralmente, com o seu belíssimo interior, que presumo não terá visitado.

    Muito interessante a história de Sansão! Ignorava por completo.

    Gostei de ver as fotos com as vacas decorativas, cada uma ornamentada a preceito. Tornou o artigo da “Turista” mais colorido e com um intervalo.

    A famosa “Torre do Relógio” que ao soarem as horas, saem figuras do interior do relógio, fez-me ficar bastante tempo a admirá-la. Uma fabulosa Torre!

    As fontes embelezam a maravilhosa cidade, cada uma com a sua história e que a “Turista” me deu a conhecer.

    Interessante a cúpula do Parlamento e a praça onde está situada.

    Depois de um dia bem cansativo, merecia um jantar digno da “Turista”. Bom aspecto!

    Parabéns pelos excelentes artigos, sobre a cidade de Berna, dos quais retirei valiosas informações.

    Beijinho.

    • Boa tarde cara Executiva!

      Tem toda a razão e todos os comentários me dizem o mesmo, que este artigo é muito longo. Acho que exagerei bastante na quantidade de informação a inserir num só artigo.

      Mas também concordo consigo, esta cidade a avaliar pela quantidade de locais que referi, é mesmo fabulosa em termos turísticos, e não faltam motivos para recordar muitas das suas atracções.

      Realmente não tive oportunidade de visitar o interior da capital de Berna, pois estava fechada quando por lá passei.

      Muito obrigada pelas congratulações, é sempre muito agradável saber que os artigos que escrevo são apreciados por terceiros.

      Beijinhos

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