A imponente Igreja de Ulm

Ulm é uma cidade alemã que pertence ao estado de Baden-Württemberg, na fronteira com o estado da Baviera. Já Neu-Ulm, separada de Ulm pelo rio Danúbio pertence à Baviera. Trata-se de uma dupla cidade e é como tal que é tratada em termos turísticos.  Aqui encontram uma brochura em inglês acerca deste local pertencente a dois estados.

Curiosamente quando as visitei, era um dia feriado católico, vigente apenas no estado predominantemente católico da Baviera. Admito que foi estranho com a simples passagem de uma ponte, todos os tipos de estabelecimento que até então estavam abertos, do outro lado estarem fechados.

A fracção do mapa seguinte com Ulm, foi retirada do site do viamichelin.com e elucida  acerca da sua localização relativa às capitais dos estados de Baden-Württemberg e Baviera, respectivamente Estugarda e Munique.

Já o mapa do centro da cidade propriamente dita, esclarece acerca do posicionamento de Ulm e Neu-Ulm e das principais atracções turísticas que se podem encontrar. (Mapa obtido no site de turismo de Ulm e Neu-Ulm)

A imponente igreja de Ulm (Ulmer Münster) é uma igreja luterana por vezes referida como a Catedral de Ulm, dada a sua grande dimensão e proeminência na cidade. No entanto não se trata de uma catedral, uma vez que nunca foi sede de um bispo.

Esta igreja, tal como a Catedral de Colónia (Kölner Dom), foi iniciada na época gótica, em 1377, e não foi concluída até fins do século XIX, em 1890.

É com bastante orgulho que se apresenta como a igreja com a torre mais alta do mundo, e a quarta mais alta estrutura construída antes do século XX, com uma torre de 161,53 metros de altura e com 768 degraus. A partir do nível superior a 143 m de altura tem-se uma vista panorâmica sobre Ulm, Neu-Ulm, e com um dia limpo consegue mesmo avistar-se os Alpes desde o Säntis (Suiça) ao Zugspitze (Alemanha). A escada final para o topo (conhecida como a terceira galeria) é uma escada alta e em espiral que tem espaço apenas suficiente para uma pessoa.

Sim, por maior que seja a promessa de uma vista fantástica do topo da torre, eu não tive dificuldade, perante os 768 degraus e as minhas vertigens, em recusar subi-la.

Antes mesmo de entrar na igreja, suscitou-me bastante a curiosidade e o interesse um grande circulo no chão em bronze, na praça (Münsterplatz) em frente à igreja com inscrições acerca da distância e direcção daquele ponto até outras cidades emblemáticas no país e no mundo.

O que motivou o início deste enorme projecto de construção da igreja foi fornecer mais segurança para os seus paroquianos da igreja, pois a igreja paroquial anterior estava situada fora das muralhas da cidade e durante os períodos frequentes de guerra na altura, havia um elevado risco para quem ia à igreja.

A pedra fundamental da igreja foi colocada a 30 de Junho de 1377, e o plano inicial da igreja previa três torres de igual altura, uma torre principal, a oeste, e duas torres acima do coro.

No entanto, os planos foram alterados quando o mestre original, Heinrich Parler, passou  o trabalho ao seu irmão Michael. Mais tarde, um do mestre-pedreiro desse tempo, Ulrich von Ensingen (associado à construção da Catedral de Estrasburgo), teve a visão de uma torre a elevar-se no céu e a dominar as outras. Assim, o conceito foi alterado e uma torre maciça única foi construída em seu lugar.

Outros mestres construtores igualmente famosos da altura foram nomeados para construir a igreja, como Matthäus Böblinger e Burkhard Engelberg, todos com um objectivo comum, o de criarem um edifício muito imponente.

Posso confirmar que concretizaram cabalmente tal objectivo.

Num referendo em  1530/31, os cidadãos de Ulm converteram-se ao protestantismo durante a Reformação. A Igreja tornou-se assim uma igreja luterana.

Em 1543 a construção parou por falta de dinheiro. Convém a esse nível esclarecer que a igreja não foi financiada pela Igreja ou por governantes mundanos, mas sim exclusivamente pelos habitantes da cidade. [Actualmente seria inconcebível que tal acontecesse, acho eu pelo menos, pois a população de Ulm iniciou um projecto de construção em fins do século XIV, sabendo que não viveria para ver a sua conclusão.]

Durante 300 anos, apenas foram realizadas obras de reparação menores até a Igreja de Ulm Minster ser classificada como uma ruína em 1838. O povo entao, com vontade de terminar a igreja, angariou os fundos necessários, criaram-se impostos para o efeito, e os soberanos intervieram.

Assim o edifício foi recomeçado em meados do século XIX. Primeiro, o corredor principal foi estabilizado e depois ambos os campanários do coro concluídos.

Finalmente, em 1890, os trabalhos na torre principal foram concluídos e a obra foi dada por completa.

Depois de admirar o exterior, já no interior da Igreja do lado direito encontram-se alguns destroços e imagens, que não permitem que se caia no esquecimento perante os efeitos da devastação provocada pela II Guerra Mundial.

O interior da Igreja é extremamente interessante, com inúmeras obras-primas do gótico tardio, que não passam de forma alguma despercebidas.

Esta compilação de imagens dá uma primeira impressão geral da nave central da igreja.

Algo que me impressionou bastante foi a grande quantidade de epitáfios que povoavam as várias paredes da igreja.

Os bancos do coro do século XV trabalhados por Jörg Syrlin, o Velho, feitos de carvalho e decorados com centenas de bustos esculpidos estão entre os bancos mais famosos do período gótico. Eu achei-os absolutamente surpreendentes, pelo que despendi imenso tempo a admira-los pausadamente.

A cobertura do púlpito é uma obra de  Jörg Syrlin, o Novo.

O altar-mor original foi destruído pelos iconoclastas da Reforma. O retábulo actual do ide 1521 feito por Martin Schaffner é um tríptico, mostrando figuras da Sagrada Família e da Última Ceia na predela (plataforma ou pedestal sobre o qual se posiciona o retábulo de um altar).

Os cinco vitrais do abside por Jörg Syrlin, o Jovem, formam metade de um decágono, são dos séculos XIV e XV e mostram cenas bíblicas. No entanto só captei 3 desses vitrais de forma cabal.

Também achei muito interessante a pia baptismal, de 1507, em local de destaque e com a sua cobertura metálica cónica. Outros pormenores que também não me passaram despercebidos: – algumas partes do tecto. – as arcadas adornadas com figuras a separarem a nave principal das laterais. – o anjo guerreiro, defensor, por baixo da arcada do órgão principal e de acesso ao salão de entrada. – Outros retábulos, quadros e vitrais e crucifixo

– Um placa de mármore em memória dos soldados que tombaram durante a II GM.

Em destaque estavam expostos os sinos da Igreja, no interior desta, talvez pela torre principal, quando visitei a igreja, encontrar-se em obras de renovação.

8 thoughts on “A imponente Igreja de Ulm

  1. Querida Turista:
    Mais uma fantástica Catedral recheada de pormenores e histórias muito interessantes. Desde logo a sua construcção, em que as várias gerações dos seus habitantes tomaram parte activa. A memória da guerra é bom que permaneça viva em todas as mentes. Varsóvia tem buracos de bala em muitos dos seus edíficios para que o horror da guerra esteja sempre presente. As cadeiras do coro são muito trabalhadas e bonitas. Também adorei o púlpito, lindo. É, em resumo, uma Catedral a visitar.
    Bom fim de semana e um beijinho. E, claro está, votos de muitos passeios.

    • Bom dia!

      Esta Igreja digna de ser uma catedral tem uma história muito rica e onde se enaltece a cooperação e união da população para construir uma obra publica que era do interesse de todos.
      Sim há coisas negativas que não convém serem jamais esquecidas, correndo o risco de se poderem repetir. A II GM é uma ferida aberta e motivo de pesar para o povo alemão, já para não dizer, vergonha, e por isso em muitos aspectos procuram redimir-se e alterar a imagem que os outros povos possam ter acerca deles. Não se pode colocar uma borracha no passado, mas também não se deve responsabilizar os cidadãos do presente pelos actos vis cometidos no passado, quando eles não contribuíram activamente ou por omissão para esses actos.

      Beijinhos e um óptimo fim-de-semana para si e sua família também

  2. Bom dia!
    Fiquei pasmada! Só sabia que ULM era uma das grandes vitórias de Napoleão Bonaparte contra a Prússia, Rússia, Austria, etc, tanto mais que é uma das ruas de Paris que desagua na Place de l’Étoile, onde está o grande arco do Triunfo.!
    Digo-lhe,cara amiga,tem aqui um post e tanto!…
    Agora não posso, mas vou voltar a ele…
    Bj

    • Bom dia!

      Ulm, é realmente muito mais que o nome de uma Rua em Paris, e de um local onde Napoleão saiu vitorioso.
      Ulm é uma cidade interessante e com uma igreja majestosa, de que todos se orgulham bastante.

      Beijinhos

  3. Cara “Turista”

    Pelo que depreendi, deve tratar-se de uma cidade rica de monumentos. A belíssima igreja de Ulm deve ser, no entanto, a atração principal, e símbolo da cidade.

    Muito curioso o facto de duas cidades tratadas como uma só, em termos turísticos, pertencerem a estados diferentes.

    Gostei de conhecer a história referente à construção da igreja, bem como a conversão dos cidadãos de Ulm ao protestantismo, durante a Reformação. No entanto, “como a união faz a força”, os habitantes da cidade empenharam-se no sentido de concluir o seu projeto. Um acto de louvar!

    As fotos do interior da igreja revelam como ela é imponente; as arcadas da nave central e as laterais decoradas, prendem atenção de qualquer visitante.

    De realçar, igualmente, as paredes decoradas de epitáfios, que são uma sedução. Os bancos com bustos esculpidos são muito invulgares, e é a primeira vez que vi algo tão original.

    Teria muito mais a acrescentar sobre a decoração da igreja, passando pelo altar-mor, pia batismal, tecto, mas direi, simplesmente, é tudo divinal!

    Mais uma igreja imperdível!

    Um ótimo fim de semana.

    Beijinho.

    • Boa tarde cara Executiva!

      Sem dúvida alguma que Ulm é mais uma das muitas cidades alemãs que merecem ser visitadas.
      Com outros motivos de interesse, sem dúvida, mas a sua igreja é indiscutivelmente a atracção principal. Faz todo o sentido a sua dedução.

      A igreja é majestosa não apenas pelo seu exterior como pelo interior, como refere e as fotos procuraram demonstrar.

      Sim, diria que sim, é uma igreja imperdível.

      Beijinhos e óptimo fim-de-semana

  4. Igreja (que pena não ser catedral, merecia bem o título!) espectacular.
    Espantoso que, após tantos “acidentes de percurso”, se mantenha belíssima harmoniosa, praticamente exemplar único.
    Nesse tempo as cidades eram pequenas “pátrias”, com os seus individualismos e as suas rivalidades. Foi esse patriotismo urbano que fez nascer grandiosas construções, orgulho da municipalidade. Os palácios comunais, as casas das corporações e ofícios, as catedrais e as igrejas góticas, ricas e imponentes mostram bem este amor burguês à cidade natal.
    Houve inovações técnicas (reforço da abóbada de arestas, abóbada sobre cruzamento de ogivas) que levaram a que os monumentos góticos atingissem dimensões muito superiores às românicas.
    A iluminação (grandes janelas com vitrais) deu alegria,luminosidade,cor…
    Quem me antecedeu, destacou os pormenores mais vistosos.
    Reparei que ninguém falou nos sinos, outra das virtualidades da igreja de Ulm.
    Ouvir o carrilhão deve fazer pensar no paraíso, neste país de bons músicos…
    Beijinho

    • A igreja de Ulm realmente é muito imponente e não consegue passar despercebida na cidade mesmo que quisesse.
      Sem dúvida alguma é o centro nevrálgico em termos turísticos, desta cidade predominantemente protestante, e com todos os motivos para isso.

      Beijinhos

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