Ulm nas imediações do Danúbio e não só…

Depois de deixar o quarteirão dos pescadores para trás, a visita a Ulm seguiu em direcção ao Danúbio.

Nesse sentido, a Torre do Açougue, “Metzgerturm” foi dos primeiros locais que se destacou pela sua altura.

Esta torre foi integrada na fortificação de Ulm em 1349. A “torre inclinada de Ulm”, de 36 metros de altura, inclina-se 2,05 metros na direção norte-oeste (3,3°) o que é bastante considerável.

De acordo com uma anedota, a torre tem o nome de alguns açougueiros em Ulm, que usavam serradura nas suas salsichas. Quando os clientes descobriram isso, eles trancaram-los na torre. Quando o presidente da Camara irritado entrou na torre para dar o seu veredicto, os carniceiros corpulentos encolhiam-se num canto da torre, fazendo-a tombar.

Na realidade, a torre inclinou-se porque foi construída num terreno que era originalmente um pântano.

O Rio Danúbio que separa Ulm e Neu Ulm avistado de um local sobranceiro, e de cima da ponte que une as duas margens, é outro dos locais incontornáveis numa visita à cidade.

Ao deambular pela cidade, encontrei um edifício que ilustra os que por vezes se encontram na Alemanha com pinturas que são autenticas ilusões ópticas. Não se pode dizer que não tenham criatividade e um certo humor… Sem dúvida, neste caso, uma outra forma de fazer publicidade a algo, mas com um pendor mais definitivo.

E num dia de sol e calor, porque não fazer um piquenique nas margens do Danúbio, ou até mesmo apanhar banhos de sol na relva, à falta de areia e praias junto ao mar nas proximidades.

Deixando para trás o Danúbio, na Grüner Hof 7, encontra-se a Casa de Encontro, Igreja da Santíssima Trindade (Haus der Begegnung, Dreifaltigkeitskirche).

O edifício da Igreja da Santíssima Trindade foi construído entre 1616 e 1621 por Martin Bantzenmacher. O edifício do renascimento tardio, com cúpula em cebola foi erguido onde préviamente havia um Mosteiro Dominicano (de 1321), que teve de sair dali, em 1531, devido à reforma de Ulm.

Após a destruição da igreja em Dezembro de 1944, esta deixou de ter uso como local de culto.Depois da remodelação e renovação, desde 1984, o edifício é usado como uma casa de encontro de inúmeros eventos.

Ao lado fica a fonte de S. Pedro Casten (Peterskasten)

Cedo ocorreu em Ulm o discurso de ‘Sant Peters Casten’. Já em 1540 ele foi mencionado num protocolo da Câmara Municipal, apesar de apenas em 1583 ter sido equipado com a figura de Pedro.

Acredita-se que a figura tenha sido feita por Jörg Syrlin, o Velho ou o Novo Elder, enquanto a coluna foi uma obra de Noel Bauhofer.

No século XVII a fonte era o local de encontro favorito dos jovens da cidade: ela foi decorada e haviam danças executadas em voz alta, até este tipo de entretenimento ter sido proibido em 1686

Esta fonte está nesta localização desde 1815. A figura original de S Pedro encontra-se actualmente no Museu de Ulm (tal como acontece com as figuras já mencionadas da Câmara Municipal e dos cavaleiros da fonte em frente a esta).

Continuando a deambular pela cidade, o caminho levou-me até ao Arsenal (Zeughaus), um dos grandes complexos da cidade livre imperial de Ulm, que está situado nos arredores do centro da cidade.

As suas origens remontam à expansão da cidade no início do século XIV, apesar de só ter sido mencionado em1433.

Amplas extensões realizadas nos século XVI e XVII resultaram num impressionante complexo de edifício, que serviu como um depósito de armas. O grande pátio fechado foi um importante ponto de encontro para os cidadãos da cidade. Os restos do extenso arsenal, que foi severamente danificado em 1945, mostram o quão grande o complexo era originalmente. O exterior é caracterizado pelas marcas típicas de cantaria e bordos de pedra facetada das janelas. Os portais decorados com motivos barrocos e renascentistas são impressionantes.

Os tectos abobadados do anterior edifício-leão ainda estão intactos e o edifício continua a ser actualmente para eventos públicos. Existem apenas alguns itens que restam do grande arsenal, pois a maioria foi tomada pelas tropas francesas durante as guerras napoleónicas.

A original escultura de bronze fundido, em frente do arsenal histórico (na Zeughausgasse) foi feita por Jürgen Goertz de Sinsheim, em 1984, e é composta por três elementos: o corpo do foguete que representa a tecnologia, conquistando espaço e a ameaça atómica; uma concha de caracol grande sentada no pódio, representando a sabedoria da natureza, e o cepticismo em relação ao homem controlar a tecnologia; e a cabeça de Einstein, com os olhos travessos e a sua língua para fora jocosamente, que surge da carcaça do caracol.

Perto, nas imediações do Seelturm e Zundeltor (Torre e porta da cidade) e já no caminho de regresso ao ponto inicial de visita a Ulm, ainda me deparei com uma outra fonte também bastante original, que me fez pensar em Mary Poppins, com o seu guarda-chuva aberto, apesar da estátua ser masculina.

Trata-se sim, da fonte Griesbad, uma das mais recentes fontes da cidade, de 1994.

A fonte com a estátua colocada sobre 4 barras verticais e uma plataforma dupla, representa uma figura tipica da cidade do século XIX: Michael Hetzler, o “Griesbadmichel’, que foi um servo em Griesbad, um dos banhos de Ulm. Os seus utensílios eram o guarda-chuva, a lanterna e o balde. Assim equipado, ele caminhava à chuva pelo jardim do banho, para recolher minhocas para a pesca.

Neste Griesbadmichel identificam-se os cidadãos de Ulm pela simplicidade e a frontalidade astuta.

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4 thoughts on “Ulm nas imediações do Danúbio e não só…

  1. Querida Turista:
    Não há dúvida que Ulm merece uma visita, tanta coisa que tem de ver. E sempre mais alguma fonte para nos maravilhar. Só a estátua do Einstein é que não entendi o significado. E tudo muito, mas mesmo muito verde. A torre inclinada e a sua história também muito engraçada.
    Beijinho.

  2. Cara “Turista”

    Achei muita piada à anedota associada à “Torre do Açougue”! Por outro lado, por ser inclinada, fez-me lembrar da “Torre de Pisa”, embora, ambas, sejam de estilos muito diferentes.

    A passagem do Danúbio por uma cidade, atribui-lhe sempre relevância; afinal trata-se do maior rio da Europa e, por isso, une muitos locais. Ulm é, certamente, uma das cidades importantes, pelas quais passa este rio. E, um rio, dá sempre um encanto especial à paisagem de uma cidade.

    As praias fluviais adquirem, certamente, mais relevância, quando não existe mar por perto. Portanto, as imagens que apresenta do que se poderá tornar uma espécie de praia relvada, deve ter bastante afluência no Verão.

    Neste artigo, a “Turista”, apresenta mais três fontes, uma centenária e duas modernas; a com a cabeça de Einstein, achei um pouco tenebrosa.

    Beijinhos.

    • Boa noite Executiva!

      As anedotas, lendas e historias ligados aos edifícios, dão-lhes outra vida e enchem-nos de significado, por isso prefiro nao prescindir de os referir.
      O Danúbio é mesmo um nome que impõe respeito e dá importância a um local, afinal, como muito bem referiu, trata-se do segundo maior rio da Europa, e passa por 10 países. Isso faz ter consciência do quão pequenos são os rios portugueses, em termos comparativos, que no máximo passam por 2 países.
      Acredite que no verão as praias fluviais enchem-se mesmo de veraneantes.

      A fonte de Einstein eu achei muita piada, sobretudo à sua cara com a língua de fora.

      Beijinhos

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