O Pedro e o Lobo, um bailado no Teatro Cuvillies

Depois de um teatro de marionetas para festejar com os amigos o seu aniversário, um musical e um concerto de opera, na senda musical da série de bilhetes que comprei, faltava o bailado.

Com os bilhetes adquiridos com antecedência, no passado sábado foi a vez de ir com o meu três palmos assistir à história infantil do Pedro e o Lobo, convertida num bailado para crianças, cuja música é de Sergei Prokofiev.

(Algo positivo nestes bilhetes, é que no verso dos mesmos diz que com eles pode-se viajar nos transportes públicos de Munique (MVV) até 3 horas antes do inicio da peça e depois do fim desta)

O Teatro Cuvillies ou Teatro da Residência, antigo teatro da corte na Residência de Munique, onde decorreu o bailado, é um espaço que merece ser reverenciado, pelo seu magnífico interior.

O Eleitor da Baviera Maximilian Joseph III ordenou a construção de um novo teatro fora do palácio, depois do fogo no Salão S. Jorge da Residência que serviu anteriormente como sala de teatro. O teatro foi então construído entre 1751 e 1753 por François de Cuvilliés no estilo rococo. As esculturas foram feitas sob supervisão Johann Baptist Straub.

Dado o seu espaço limitado, foi construído o Teatro Nacional de Munique ao lado do Teatro da Residência . A decoração interior do Teatro Cuvillies foi retirada sob ordens do Rei Ludwig I quando este teatro se tornou um depósito do Teatro Nacional. Em 1857 o Teatro Cuvillies depois de restaurado foi reaberto,  já durante a regência do Rei Maximilian II.

O espaço do teatro é decorado em vermelho e dourado. Os quatro andares, cada um com 14 camarotes envolve o piso térreo em forma de uma ferradura.

O trailer do bailado

Alguns aspectos técnicos do bailado

Condutor: Andreas Kowalewitz
Coreografia: Emanuele Soavi
Cenários e figurinos: Rainer Sinell

Conjunto de dança do Teatro de Estado (Staatstheater) no Gärtnerplatz
Orquestra do Teatro de Estado no Gärtnerplatz

O Libreto para este bailado, entregue na ante-sala, era bastante original, pois alem das informações técnicas sobre o mesmo, com os seus intervenientes, apresentava um resumo das actividades desenvolvidas ao longo de um ano, e mais acentuadamente nos últimos dois meses, para a preparação deste espectáculo.

No libreto chamou-me de imediato atenção para o nome da bailarina que interpretava o papel do gato, pois era portuguesa: Rita Barão Soares.

Quando cheguei com o meu três palmos à sala de espectáculos do Cuvillies, surpreendi-me um pouco, por não haver qualquer cortina fechada a impedir a visibilidade para o palco. E no palco os bailarinos faziam o aquecimento e treinavam as coreografias. Não havia qualquer cenário montado, pelo que se viam também os sistemas de luzes, um varão com os figurinos, as paredes despidas e as portas traseiras de acesso ao palco.

No horário previsto, às 18h, entra em palco Stephan Wilkening, com o casaco preto e o cachecol branco ambos seguros no braço com o intuito de testar o sistema de som. Desculpa-se por ter que o fazer naquele momento, e fala num tom elevado sobre um tema qualquer, perguntando posteriormente se foi compreensível e perceptível o que disse. Uma voz off confirmou isso mesmo. Faz o mesmo tipo de teste falando num tom normal e depois num tom mais baixo e em ambos os casos obteve a mesma confirmação positiva. Questiona também o publico, que efusivamente lhe responde que sim que o conseguem ouvir bem.

Ele continua então inquirindo os bailarinos, acerca de quem é o Bailarino que interpreta a personagem principal do Pedro. Todos os bailarinos que continuam em palco começam então a dançar sincronizadamente e todos se identificam como sendo o Pedro. Depois de identificado o bailarino certo, Stephan apresenta o musico e o instrumento musical associado à personagem do Pedro. Posteriormente passa pelo mesmo processo identificando cada um dos personagens no bailado, o pássaro, o gato,  o pato, o avó, o lobo e os dois caçadores, e os instrumentos musicais associados aos mesmos.

Depois de identificados os bailarinos, e as suas funções no bailado, eis chegada a altura, de Stephan falar acerca dos cenários. É nessa altura que a representação da casa até então no chão do palco, começa lentamente a ser elevada, e sucessivamente  o cenário atrás desta desce, assim como a árvore que pousa lentamente no canto direito do palco, à frente de onde até então só se via uma estrutura metálica com degraus.

Entretanto Stephan acaba de se vestir em palco, e senta-se numa cadeira, colocada no canto frontal esquerdo do palco. O narrador depois de toda esta introdução  que serviu para envolver ainda mais os expectadores, sobretudo os mais pequenos, aos meandros de um bailado dando-lhes a conhecer os “bastidores” do mesmo, dá início à história do Pedro e o Lobo.

Eu gostei bastante da forma como a história foi apresentada neste bailado, e o meu três  palmos também, pois manteve-se sempre muito atento e a reagir muito positivamente ao que estava a assistir.

Eu admito que estava com algum receio, se o meu três palmos iria ou não gostar de assistir a um bailado, pois era a primeira vez que o fazia. Mas posso concluir que foi uma prova mais do que superada, pois no fim do bailado ele continuava bastante entusiasmado com a história e a falar sobre as suas personagens…

Termino este artigo com imagens da sala do Cuvillies depois do Bailado.

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7 thoughts on “O Pedro e o Lobo, um bailado no Teatro Cuvillies

  1. Querida Turista:
    Verdadeiramente espectacular, esta descrição faz-me pensar como se pode ser tão original ao apresentar um bailado. Sim, penso que neste caso foi uma mistura pedagógica e feliz de bailado e teatro. Desse modo a pequenada apercebe-se de como são complexos os bastidores de um espéctaculo. E ficarem com mais conhecimentos. Muito, muito imaginativo.
    Beijinho.

    • Boa Tarde!

      Como presumo que consegui transmitir por este meu artigo, eu adorei esta ida com o meu três palmos ao Teatro Cuvillies, por tudo quanto nos proporcionou. Foi deveras enriquecedor, e como referiu, bastante pedagógico também.

      Beijinhos

  2. Que sorte tem o«três palmos»! Está a ser educado como um príncipe!
    O esplendor visual do teatro por dentro, a decoração dos camarotes, as cores vermelho e com dourado que sempre fizeram um bom casamento e nos transportam à sumptuosidade das monarquias… e, como se não bastasse um espectáculo de música e cor, com o avôzinho e os animais de que tanto gostam as crianças!
    O SERGEI PROKOFIEV teve como objectivo pedagógico mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos de música,que são a “fala” das diferentes personagens (com música baila-se, daí o bailado).
    A turista descreveu tudo na perfeição.
    Beijinhos

    • Boa tarde!

      Sim, esta composição escrita por Sergei Prokofiev (tanto a música como o texto), teve como um dos principais propósitos apresentar as diferentes sonoridades dos instrumentos musicais às crianças, e cultivar o gosto musical destas desde os seus primeiros anos escolares.

      Beijinhos

  3. Cara “Turista”

    Após leitura de alguns artigos da Turista, já tinha concluído que era uma apaixonada pela arte. Assim, transmite, também, essa sua “paixão” ao seu tres palmos e faz com que ele comece, gradualmente, a apreciar esse tipo de eventos culturais, que lhe proporciona.

    Muito interessante não existirem cortinas a impedir a visibilidade do que se passa em palco antes do início das peças, neste caso, do bailado. Foi uma forma muito curiosa e original de apresentar como tudo funciona e se concilia para proporcionar o resultado final, normalmente, quando sobe a cortina e começa o espectáculo a valer.

    É riquíssimo e trabalhado o interior do Teatro Cuvilliés, em estilo rococo, com as cores predominantes de dourado e vermelho, que proporcionam todo o glamour e sumptuosidade ao espaço.

    Parabéns por incentivar o seu tres palmos a apreciar o mundo da arte!

    Beijinho.

    • Cara Executiva!

      Realmente eu gosto de diversas expressões de arte e procuro incentivar o meu três palmos a aprecia-las também, proporcionando-lhe o contacto com as mesmas.

      A forma como este bailado começou antes mesmo de ter começado, foi realmente muito original e captou atenção e a surpresa da plateia, dos mais pequenos aos maiores.

      O interior do Teatro Cuvillies é de puro luxo e sumptuosidade, permitindo que esta experiência fosse ainda mais rica.

      Beijinho

  4. Pingback: Ludwig II | Turista Ocasional

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