Numa tarde fria de Inverno…

Eu tinha prometido ao meu três palmos que durante a nossa estadia em Portugal iria com ele ao cinema, ver um filme muito concreto.

No entanto tal não se proporcionou e tal promessa foi transposta de novo para a Alemanha depois do nosso regresso.

Na primeira oportunidade tal promessa foi cumprida.

Assim, em vez de termos visto “A Origem dos Guardiões”, fomos ver, “Die Hüter des Lichts“, um outro nome para o mesmo filme, o original “Rise of the Guardians” da DreamWorks Animation.

Eu adorei o filme na verdadeira acepção da palavra e senti-me transportada para um mundo de fantasia e encantamento. Por momentos quis voltar voluntariamente a acreditar e a sentir os desejos, as crenças e a imaginação das criança, que estas tendem a perder quando crescem.

Um típico filme de Natal sem o ser especialmente… Adorei a envolvência e o posicionamento da história neste filme.

Senti o meu três palmos atento desde o primeiro ao ultimo minuto e a vibrar com todos os acontecimentos. A sua capacidade em acreditar que o bem triunfa sempre, mesmo nos momentos mais negros, quando a esperança dos guardiões desfalecia, foi para mim muito louvável, e deu-lhe confiança retraindo o seu medo em potencial.

Os guardioes - personagens

Apreciei a presença do Pai Natal, conhecido no filme como Norte pelos seus pares, e conhecer o seu outro lado, “o lunar”, enquanto personagem.

Apesar de lhe ser reconhecida alguma autoridade tácita de líder, a mesma não foi exacerbada e havia uma atitude cooperativa e de igualdade com as outras personagens principais. Afinal nenhum consegue algo sem os outros e pode perder tudo se não se unir por uma causa e bem comuns.

O mundo seria realmente muito melhor e talvez muito mais justo, se o Pai Natal fosse o responsável real por oferecer a todas as crianças uma prenda no Natal. Nesse caso não haveriam crianças tristes sem prendas nem outras indiferentes por terem recebido tantas e não as valorizarem devidamente. A discrepância seria sanada e o equilíbrio evidenciado.

A personagem que me surpreendeu mais, pois pouco ou nada sabia dela foi indiscutivelmente o Jack Frost (Jack Gelado). Ele torna-se a personagem mais adorada no filme pelas crianças, porque se identificam com a sua irreverencia, e por ele se comportar em parte também como uma. Este filme traz esta personagem do anonimato para a ribalta atribuindo-lhe um lado muito positivo e encantador.

A fada dos dentes, é outras das personagens do imaginário infantil. No filme ela é muito esbelta, bonita, e única personagem feminina dos guardiões. É a primeira a precisar do socorro dos seus colegas guardiões ao ver o seu mundo devastado. Não se apresenta de forma alguma como o elo mais fraco, antes é uma personagem forte e conciliadora, como o são em geral as mulheres. Foi agradável descobrir algo que desconhecia de todo, que ao recolher os dentes de leite das crianças, ela guarda com eles as memórias preciosas da sua infância, que tendemos a esquecer.

Talvez se não ficássemos sem os dentes de leite, não perdêssemos a nossa pródiga imaginação, ingenuidade e capacidade de acreditar que tudo é possível.

O Sandman, é o responsável pelos bons sonhos e foi uma personagem com a qual me familiarizei mais depois de vir viver para a Alemanha. Ele coloca a areia nos olhos que faz as crianças adormecerem e sonharem, sonhos de fantasia e deslumbramento. No filme ele é a personagem mais calma e sábia. Foi o principal alvo do espírito maligno que contamina os seus sonhos com pesadelos, e é reduzido a cinzas, conduzindo a um dos momentos mais tristes do filme.

O Coelho da Páscoa, por outro lado, aparece no filme não como a personagem amorosa a que estamos habituados mas como um guerreiro e lutador muito rápido, acérrimo protector da natureza, com imensa pontaria, mas com um inexplicável medo de voar.

Adorei a moral da história, em que basta uma criança acreditar nestas personagens imaginárias, para se manter a luz acesa e valer a pena lutar.

O medo e os pesadelos contaminam a alegria, a esperança, os sonhos encantados, e a capacidade de acreditar na magia, mas tal não é irremediável ou irreversível. Vale sempre a pena lutar para repor tudo no seu devido lugar.

O filme foi nomeado para os Globos de Ouro de 2013, na categoria dos filmes de animação, mas perdeu para o justo vencedor, o filme Brave. Não é no entanto um dos candidatos nomeados ao Oscar de melhor filme de animação.

Se gosta de filmes de animação e ainda não viu este, pode sempre aproveitar um dia frio de Inverno, e visitar o cinema mais próximo que possua este filme em cartaz.

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