Passau entre igrejas e a Residencia

Passau, como muitas outras cidades na Alemanha, possui várias igrejas próximas umas das outras, sendo estas algumas das principais atracções turísticas da cidade.

O mapa do centro histórico de Passau contribui para evidenciar isso mesmo.

Passau - mapa turistico

Antes da Catedral de St. Stephan (10), descrita no artigo anterior, visitei a Igreja paroquial católica de S. Paulo (Stadtpfarrkirche St. Paul) (11).

Passau - Igreja de St Paul - exterior

Igreja Paroquial (1770), foi erguida inicialmente em 1050. É a Igreja Matriz para a nova catedral (depois de 1803), e para as igrejas de St. Nikola, St. Anton e parcialmente St. Konrad (Hacklberg).

Igreja Paroquial de São Paulo, é a antiga igreja dos cidadãos da cidade. Foi reconstruída pelo arquitecto barroco italiano Carlo A. Carlone após um incêndio em 1662. Trata-se de uma igreja com uma única torre. A torre original foi removida em 1950 por causa do alegado abandono e apenas cerca de um terço da sua altura original foi reconstruída.

Na escadaria para a Igreja encontra-se a Capela de Santa Maria, ex-capela do Corpo de Cristo.

No interior, sobressaem dos altares e pulpito negros, a talha dourada, assim como as paredes coloridas brilhantes. O altar-mor é de cerca de 1700 e possui uma pintura de Franz Tamm, que mostra a decapitação do Apóstolo Paulo. Os altares laterais e o púlpito são de 1678-1689. A pintura da Lamentação de Cristo (1689) é uma obra de Michael Rottmayr. O estuque austero foi instalado em 1909.

Passau - Igreja de St Paul - interior

Passando pela praça onde fica a Catedral, a Domplatz, em direcção à Residenzplatz, por traz da catedral, na mesma encontra-se o Museu do Tesouro da Catedral (8), na nova residência do Bispo.

Esta nova residência é um palácio construído no início do século XVIII pelos arquitectos Domenico d’ Angeli e Antonio Beduzzi. Nele são apresentados os tesouros da antiga Passau, quando era a capital da maior diocese do Sacro Império Romano. Salientam-se em particular as suas escadarias rococó e o fresco “Os Deuses do Olimpo a adorar a cidade eterna de Passau”.

Passau - Domplatz - entrada lateral Nova Residencia do Bispo

Passau - Residenzplatz - Nova Residencia do Bispo

A fonte na Residenzplatz, denominada de fonte Wittelsbach foi criada em 1903 para comemorar o 100 º aniversário de Passau pertencer à Baviera. A fonte em estilo barroco, foi construído segundo um projeto do escultor de Munique Jakob Bradl. No local já havia uma fonte mas esta foi danificada alvo das intempéries.

A fonte actual possui uma estátua de Maria colocada no cimo da coluna existente na parte central da bacia da fonte octogonal. Três anjinhos na grinalda colocada aos seus pés dominam a fonte. Maria é apresentada como Rainha do Céu e a padroeira da Baviera. Os três anjos simbolizam os três rios de Passau (Danúbio, Inn e Ilz): As espigas no cabelo do Danúbio são as áreas mais férteis do estado da Baviera, através das quais o Danúbio passa. No anjo que representa o Ilz encontram-se pérolas nos mexilhões ligados à coroa de cabelo. A figura do terceiro anjo simbolizando o Inn, é representada sob a forma de um pirralho da Baviera com o chapéu tirolês.

Passau - Residenzplatz - fonte Wittelsbacher

A visita exploratória pela cidade, levou-me a seguir até Igreja jesuíta de St. Michael (5), localizada na Schustergasse 14.

A igreja de São Miguel (também conhecida como Igreja estudantil ou Igreja Jesuíta),  foi edificada em fins do século XVI e era a igreja do antigo Colégio dos Jesuítas de Passau. Actualmente é parcialmente uma igreja paroquial da catedral e também uma igreja estudentil do Ginásio Leopoldinum. A igreja é agora propriedade do Estado da Baviera.

Passau - Igreja de St Michael - fachada exterior

Não pude visitar o seu interior pois a mesma encontrava-se fechada quando passei por lá.

A ultima das igrejas que visitei no centro histórico de Passau foi o Convento de Niedernburg (4), antiga abadia do mosteiro beneditino e hoje das damas inglesas. pertencente à diocese de Passau.

Passau - Kloster Niedernburg

O mosteiro foi fundado em 739 por Agilolfinger (Duque Odilo ou Tassilo III da Baviera). Em 1010 o Niederburg recebeu de Henrique II a imediatidade imperial. No século XI foi o pilar da basílica românica de Santa Cruz. Em meados do século XI a abadessa Gisela da Baviera, irmã do Imperador Henrique II e viúva do rei húngaro Stephen, o santo foi aqui sepultada. No século XII foi construído como um segundo edifício sagrado, uma Igreja mariana.

O mosteiro Niedernburg foi doado em 1161 por Friedrich I. Barbarossa ao arcebispo de Passau Konrad I de Babenberg, que havia perdido uma vez mais os seus privilégios imperiais. O seu sucessor Wolfger von Erla recebeu do imperador Heinrich IV em 1191 os direitos fiscais do rei direitos de bailiado para Niederburg o que permitia que a propriedade do mosteiro do Bispado de Passau e a vasta terra do mosteiro formavam a base económica para a diocese de Passau.

A abadessa foi deposta por Wolfger e foi colocada no comando do mosteiro uma deã.
No século XV o túmulo de santa Gisela foi reverenciado como o destino de muitos peregrinos húngaros. Por volta de 1500, a então Deã Ursula von Schönstein foi novamente elevada à categoria de abadessa pelo Papa Alexandre VI.

Em 1583 o príncipe-bispo Urban von Trennbach abriu o acesso do convento às filhas da burguesia.

Os dois incêndios devastadores de 1662 e 1680, respectivamente, destruíram o mosteiro. Os Edifícios da Igreja de Santa Cruz e e convento foram reconstruídos rapidamente. Em 1780 foi estabelecida uma escola para meninas no Niederburg.
O mosteiro foi dissolvido em 1806 com a secularização. Em 1815 o mosteiro foi convertido numa instituição correccional e de emprego da polícia, em 1822 num manicómio  e em 1826 alojou uma casa para surdos.

O Bispo Karl Joseph von Riccabona em 1836 estabeleceu o convento Niedernburg de damas inglesas,  o “Ginásio-Gisela”, a “Escola Secundária Gisela” e uma casa do estudante.

Passau - Kloster Niedernburg - interior

2 thoughts on “Passau entre igrejas e a Residencia

  1. Querida Turista:
    Sou uma apreciadora de fontes. Hoje temos mais uma, muito bem descrita. Também gostei de saber da “segunda vida” de algumas igrejas e mosteiros, adaptando-os a outras finalidades como aqui menciona. Sábia maneira de conservar património. Quanto a incêndios, eram destruidores mas por vezes redentores, já que alguns ficaram associados ao fim de epidemias em muitas cidades (pois é, matavam muitos ratos).
    Por cá Portugal tem tido mau tempo a sério.
    Beijinho.

    • Muito bom dia!

      A capacidade de reconversão dos espaços e encontrar outros fins para os mesmos, é realmente bastante util, ainda mais quando tal contribui que os mesmos nao sejam deixados ao esquecimento e se deteriorem. A Secularização, fez com que muitos edifícios religiosos tivessem que ser convertidos para outros fins por exemplo.

      Pois, tenho tomado conhecimento do péssimo tempo que tem feito em Portugal, derrubando muitas árvores e provocando “estragos” nem sempre apenas materiais.
      Por aqui, os cenários continuam muito bonitos todos pintados de branco, mas o reverso é mesmo o frio que se faz sentir no exterior. Por exemplo hoje o termómetro já registou -11,5°C.

      Beijinho

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