Heterogeneidade religiosa em Praga

Em Praga como em muitas outras cidades europeias coexistem pacificamente várias  ideologias religiosas.

Na sua vasta história evidencia-se ter sido assento de dois Imperadores do Sacro Império Romano respectivamente Rudolfo II e Leopoldo II, e por isso capital do Sacro Império Romano-Germânico, logo com uma grande predominância católica.

A cidade também possuiu um importante papel na Reforma Protestante (século XVI).

Na constituição checa o direito ao culto religioso está firmemente ancorado. O Estado é laico e é contra disputas por motivos religiosos. Praga ocupa um lugar-chave neste processo.

No passado houve algumas disputas religiosas, mas Praga procurou sempre ser uma cidade receptiva a novas abordagens e actualmente mais ainda. Cristãos (católicos, protestantes, ortodoxosirmãos checos e muitos outros), judeus, muçulmanos, budistas, hindus, também os cientologistas, simpatizantes da Nova Era. Religiões tradicionais ou modernas, todos eles coexistem em Praga lado a lado.

Ao visitar Praga encontrei edifícios religiosos representantes de algumas dessas religiões  mas certamente se tivesse explorado muito mais, ter-me-ia deparado com bastantes outros.

Algumas igrejas católicas, já abordei em artigos anteriores, pelo que no meu “roteiro” por Praga, depois de passar pelo Rudolfinum, o primeiro edifício religioso pelo qual passei foi a Sinagoga Maisel ( Maiselova synagoga) e Museu Judeu no distrito Josefov.

Praga - Sinagoga Maisel

“Foi construída com base no privilégio de Rudolf II como uma sinagoga privada de Mordechai Maisel, o primaz da comunidade judaica, em 1590-1592. O construtor Judá Coref de Herz projectou um edifício Renascentista com três naves, incomum para a época, com características distintas góticas A construção foi realizada por Josef Wahl. A extensa e imponente Sinagoga foi construída sobre 20 pilares. O fundador Maisel doou lotes de preciosos objectos rituais. A sinagoga foi reconstruída várias vezes ao longo dos anos. Ela queimou completamente em 1689, e durante a reconstrução após o incêndio, foi encurtada para apenas 14 pilares. A nave principal foi construída no antigo plano térreo abobadado por uma abóbada de berço, e as laterais laterais tinham andares de galeria. Em 1862 – 1864, foi reconstruída pelo arquiteto JM Wertmüller. O saneamento de Josefov, na passagem dos séculos XIX e XX exigiram uma nova, reconstrução pseudo-gótico com base no projecto do arquitecto Alfred Grott com arcos de alvenaria falsos,  galeria embutida, novas janelas e equipamento interior novo-gótico.

Durante a II Guerra Mundial, os nazistas recolheram cerca de 6000 objectos de arte de outras 153 Sinagogas Checas e da Morávia, com os quais queriam criar um museu anti-judaico. A colecção foi entregue ao Museu Nacional Judaico, em 1950, que mais tarde apresentou uma exposição permanente chamada “A Prata das Sinagogas checas” na Sinagoga Maisel. O interior passou por uma reconstrução em 1960, e uma renovação geral ocorreu na década de 1990. Actualmente, há uma exposição permanente do museu judaico na sinagoga, chamada “História dos Judeus na Boémia e Morávia do século X até o século XVIII.””(texto traduzido e adaptado daqui)

Nas proximidades desta sinagoga não faltam igualmente símbolos judaicos nos edifícios e jardins, evidenciando que se está no quarteirão judeu da cidade.

Praga - em Josefov - quarteirao judaico

Bastante distante de Josefov, uma outra igreja com a qual me deparei em Praga foi a Igreja de Sta. Ludmila, em náměstí Míru, Praga 2 – Vinohrady. Esta, uma igreja pertencente à Igreja Católica Romana.

Praga - Igreja de St Ludmila

“A Igreja de São Ludmila, uma igreja de tijolo gótica revivalista, domina o horizonte de Praga. É uma basílica com três naves e um transepto, e duas altas torres que se erguem na fachada da frente. A igreja foi construída de acordo com um projecto do arquitecto José Mocker entre 1888 e 1892. Depois de concluída, o Arcebispo de Praga, Cardeal Schönborn Franziskus consagrou a igreja e foi realizada uma cerimónia na qual os restos de São Venceslau e Sta. Ludmila foram trazidos para a igreja. Em cada uma  torres de 60 metros de altura contém dois sinos. A elevada escadaria da entrada leva ao portal principal. O tímpano mostra um alto-relevo de Cristo com Santos Venceslau e Ludmila criado por Josef Václav Myslbek com emblemas dos evangelistas por Jan Čapek. Estátuas dos patronos da Boémia, Sta Ludmila, Cirilo e Metódio, São Procópio e Santo Adalberto, estão na empenas da nave e nas naves laterais. O interior da igreja oferece frescos incrivelmente coloridos, vitrais e temas ricos.” (texto traduzido e adaptado daqui)

Uma outra das igrejas que encontrei no centro histórico da cidade de Praga, foi a Igreja paroquial de São Galo, na Havelská, Praga 1 – Staré Město, também pertencente à Igreja Católica Romana.

Praga - Igreja de S Galo

A Igreja Paroquial de São Galo, foi fundada pelo rei Venceslau I da Boémia em 1232, e foi uma das quatro principais igrejas de Praga. Carlos IV doou uma relíquia valiosa para a igreja – a cabeça de São Galo, que tinha obtido na Abadia de São Galo, na Suíça. Nessa época, em meados do século XIV, a igreja foi reconstruída em estilo gótico superior como uma basílica de três naves, que ainda é visível, apesar da remodelação posterior barroca. O conhecido pregador Konrad Waldhauser, que chegou a Praga em 1358 e mais tarde se tornou o pastor da Igreja Tyn, serviu em São Galo. O pastor da São Galo entre 1380 e 1390 foi João Nepomuceno (Jan Nepomucký), que mais tarde foi declarado santo.

Como a maioria das igrejas em Praga, esta igreja também foi originalmente cercada por um cemitério. Em 1627, o imperador Ferdinando II deu a Igreja às Carmelitas que construíram um mosteiro perto da igreja. O mosteiro foi fechado pelo imperador José II, em 1786 e a igreja tornou-se novamente uma igreja paroquial.

Um cofre cruz do século XIV e uma série de peças de arte foram preservadas no interior remodelado barroco, incluindo o famoso Calvário de Ferdinand Maxmilian Brokoff de 1719-1720 – uma escultura monumental esculpida em madeira de tília e revestida com um acabamento policromado. Karel Škréta, um pintor boémio notável do início do período barroco, foi enterrado no fim da nave direita em 1 de Agosto de 1674.” (texto traduzido e retirado daqui)

Imensos edifícios religiosos, cerca de 64, se encontram espalhados pela capital da Republica Checa, e um outro de relevo será apresentado no artigo seguinte …

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