Ano Novo… novas aquisições

Eu sempre fui muito apologista de cores e padrões nem um pouco discretos. Quem me conhece pessoalmente sabe que as minhas tendências pessoais são por vezes arrojadas.

No entanto no que toca a decorações e cores para a casa e o que me rodeia, contenho-me sempre, porque tenho noção que cores e padrões fortes são inversamente proporcionais ao tempo que se “suportam” os mesmos.

Ainda assim, este ano, uma das primeiras aquisições que fiz, foi um tapete para colocar do lado de fora da porta de casa, de uma marca que “já andava a namorar” faz imenso tempo. Neste caso foi a monotonia do tapete que eu tinha faz imenso tempo, que me saturou.

Se por um lado procurava um tapete sem nenhuma mensagem explícita de boas vindas como “Welcome”, por outro lado queria um que fosse convidativo e aprazível. (Confesso que o meu marido o achou demasiado colorido e indiscreto, mas também não era algo sóbrio o que eu procurava.)

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A marca que me fez render às vibrantes cores e padrões foi a Melli Mello que assenta na tendência em voga “Cross Cultural mix”. Um pouco ao estilo a que Christian Lacroix já nos habituou, e que eu adoro, e que se podem encontrar por exemplo nas exuberantes peças de porcelana criadas em associação com a Vista Alegre.

Admito que as peças de porcelana da Melli Mello, não me atraem tanto, mas nesse departamento sinto-me rendida às da Vista Alegre, ou ao serviço de porcelana colorido Royal que gradualmente tenho adquirido da Pip Studio (uma marca originária dos Países Baixos tal como a Melli Mello), cujas peças podem ver abaixo.

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Voltando aos artigos da Melli Mello, outros que achei interessantes, foram o quadro com o Mapa Mundo e o mural com um Panorama Urbano pois penso se adequariam bem num quarto infantil/juvenil feminino, mas não tenho nenhuma filha.

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Comentários com as vossas opiniões, preferências e afins, são mais do que bem vindos.

 

Pela cidade…

A temporada 2012-2013 da Bayerische Staatsoper (espaço por excelência para assistir a operas, Ballets e concertos de orquestra), em Munique começou a 21 de Setembro de 2012, e talvez por isso este artigo esteja deslocado no tempo, mas ainda assim publico-o hoje…

Em geral a oferta disponibilizada em espaços como o da Bayerische Staatsoper é associada a um publico selecto e de classe média e alta, apesar de não haver uma tendência explicita de discriminação. Mas é um facto que nem todas as pessoas são apreciadoras desse tipo de espectáculo, e os preços dos ingressos não são em geral muito acessíveis (existem bilhetes acessíveis, mas a sua localização na sala de espectáculos, pode não permitir ver ou ouvir bem, por exemplo).

A actual temporada no entanto tem um tema bastante interessante: “Vox Populi”, ou seja voz do povo.

Bayerische Staatsoper - Temporada 2012-2013 - Vox Populi Premieres

Quando vi os primeiros cartazes anunciando a temporada, os mesmos despertaram-me de imediato atenção, pela inesperada explosão de cores e o género de ilustração que possuíam.

Confesso que associei de imediato ao tipo de arte que aprecio tanto do Romero Britto, mesmo consciente que não deveria ser ele o autor de tais verdadeiras obras de arte. Indiscutivelmente estava na presença de Pop Art, mas desconhecia quem era responsável pela mesma.

Bayerische Staatsoper - Anuncio da Temporada 2012-2013 - Vox Populi

A enorme curiosidade fez-me tentar descobrir quem eram afinal os autores dos cartazes coloridos desta temporada. Eis o que descobri:

“Os cartazes para a actual temporada da Bayerische Staatsoper foram projectados pelo  Bureau Mirko Borsche juntamente com o duo de ilustradores Craig & Karl.

A Bayerische Staatsoper está actualmente na temporada 2012/13 voltada para Galeria Pop Art, graças aos cartazes que o Bureau Mirko Borsche projectou. A temporada no ano Verdi está sob o tema geral “Vox Populi”, a voz do povo. Mirko Borsche e sua equipe visualizou a ideia de populismo no estilo de arte que, como não há outro apela para o público de massa, com produtos típicos da Pop Art

O Bureau Mirko Borsche no início de 2012 em conjunto com a Opera decidiu que ilustradores deviam ser contratados para projectar os novos cartazes, tendo a escolha recaído sobre a dupla Craig & Karl. Craig Redman trabalha em Nova York, e Karl Maier em Londres, e juntos já realizaram um trabalho colorido para clientes como Google, Nike, Apple, Vogue e The New York Times. A Bayerische Staatsoper acrescentou algumas  séries de cartazes para despertar mais atenção sobre a ópera, no horizonte de Munique.

A campanha da temporada abrange tanto o cartaz de estreia da temporada quanto os cartazes, cujos motivos individuais, reflectem os aspectos mais inusitados das diferentes peças.

Bayerische Staatsoper - Temporada 2012-2013 - Série Opera

Bayerische Staatsoper - Temporada 2012-2013 - Festival de Opera

Alem disso também fizeram os cartazes de Orquestra da Bayerischen Staatsorchesters. “Em contraste, em vez dos motivos concretos nos cartazes de estreia, prosseguimos o conceito nos cartazes da orquestra para visualizar ritmos e composições musicais utilizando formas abstractas e padrões.” Explica Mirko Borsche.

Bayerische Staatsoper - Temporada 2012-2013 - Série Orquestra

Outros elementos são o “cartaz Vox Populi” o tema principal da temporada, indicando um folheto do festival e as bandeiras que estão ligados ao Teatro Nacional de Munique.” (texto informativo de Anna Weilbergtraduzido e retirado daqui, imagens dos cartazes retiradas do mesmo artigo ou do site dos ilustradores Craig & Karl)

Bayerische Staatsoper - Temporada 2012-2013 - Cartaz Vox Populi

Posso testemunhar, os cartazes andam mesmo espalhados pela cidade e destacam-se pelo seu colorido e originalidade…

Bayerische Staatsoper - Cartazes por Munique

Königlich Tettau e Hundertwasser uma associação de realeza

A Königlich Tettau é uma marca de porcelana premium que desde 1957 pertence ao grupo alemão Seltmann Weiden.

Já no início do século XIX, era considerada a mais fina porcelana na corte e expressão da perfeita cultura de mesa. É actualmente a mais antiga fábrica de porcelana na Baviera, fundada em 1794, com a participação do famoso naturalista Alexander von Humboldt.

Mesmo o soberano Karl August von Hardenberg (1750-1822), desde 1791 o ministro da Prússia, advogou pelo privilégio do Rei prussiano Friedrich Wilhelm II que institui a Tettau Porzellanfabrik. Os fundadores da empresa foram Georg Christian Friedmann Greiner do Mosteiro Veilsdorf perto Coburg e o comerciante de Coburg Johann Friedrich Paul Schmidt. Georg Christian Friedmann Greiner pertencia a uma extensa dinastia de porcelana da Turíngia e estava assim predestinado para essa tarefa. Ele desenvolveu os brancos puros transparentes da porcelana Tettau.

Friedensreich Hudertwasser, não precisa de muitas apresentações, depois de já ter escrito vários artigos sobre o mesmo, sobretudo por causa das suas obras arquitectónicas.

Eu aprecio bastante as suas obras nas suas diversas vertentes pelo seu colorido e originalidade de formas.

Em vários dos edifícios que visitei de Hundertwasser, fiquei sempre encantada na loja pelas peças de porcelana expostas. Mas apesar da nacionalidade deste artista ser austríaca,  a marca de porcelana de tais peças é a já citada Königlich Tettau, do município homónimo da Baviera.

As peças de Porcelana da Königlich Tettau, baseadas nas obras de Friedensreich Hudertwasser, são como expectável, simultaneamente muito coloridas e exuberantes, e extravagantes dignas da realeza dos tempos modernos.

Mas não é apenas nas lojas dos edifícios arquitectónicos de Hundertwasser que se podem encontrar algumas destas peças de porcelana. Também podem ser adquiridas online no site oficial do Museu de Hundertwasser, Kunst Haus Viena, no site alemão ars mundi, no Tischkultur Shop ou no der feine Tisch por exemplo, ou mesmo em algumas lojas da especialidade como nas galerias do grupo Karstadt.

Para ficarem a saber um pouco melhor qual o tipo de peças existentes desta associação entre a Königlich Tettau e as obras de Hundertwasser nada melhor do que mostra-las. As imagens da porcelana foram retiradas dos sites online onde as peças são vendidas.

– Miniaturas de edifícios

– Árvores

– Bule caracol, objecto caracol

– Canecas mágicas

– Serviço de café, com chávenas, leiteira, açucareiro e pratos de doce.

– Serviço de Chá ou Cappucino complementado por pratos de doce

– Serviço de café moca ou turco, com açucareiro e leiteira

Obras de Arte arquitectónicas nas quais foram baseados os temas destas chávenas:

– Serviço de pratos (marcador – “Zwiebelregenturm”, ladeiro – “Ao Tea” e de sopa – “Kopu”)

– Molheira, travessa oval e taça

 – Prato marcador

– Flutes de champanhe

– Conjunto de copos de agua com garrafa de agua

– Taças, pratos de vidro (23x23cm, 19x19cm, 15x15cm, 11x11cm)

– Castiçais – colunas que podem ser combinadas/empilhadas de diversas formas

– Vaso coluna

– Quadros, relevos de parede

Em Murnau a Münter Haus

Depois de deixar as margens do Kochelsee, ainda houve tempo, para visitar um pouco de Murnau, uma cidade no distrito de Garmisch-Partenkirchen, também na região da Alta-Baviera, e situada na borda dos Alpes Bávaros, aproximadamente a 70 km a sul de Munique. Directamente a oeste desta encontra-se lago Staffelsee.

No centro de Murnau não visitei muitos locais mas o primeiro foi a Münter Haus (Casa de Münter) (8).

Nesta casa, também conhecida como o “Russenhaus” (casa Russa), Gabriele Münter (1877 – 1962) e Wassily Kandinsky (1866 – 1944) viveram nos meses de verão entre 1909 e 1914.


Aqui, desenvolveram-se obras e ideias, que se tornaram famosas como a arte do “Blauer Reiter” (“O cavaleiro azul”). Com a sua escadaria e mobiliário pintado por Wassily Kandinsky a Münter-Haus, também testemunha a influência significativa que a arte popular da Baviera tinha sobre o desenvolvimento artístico de seus habitantes.
Gabriele Münter viveu com Wassily Kandinsky até 1914, e mais tarde com seu parceiro Johannes Eichner (1886 – 1958), historiador de arte, na casa até à sua morte em 1962. Uma parte importante das primeiras obras de Kandinsky sobreviveu aos eventos do regime de Hitler e à Segunda Guerra Mundial no porão da casa, e é hoje a mais importante colecção da Galeria de Estado na Lenbachhaus em Munique.
Após uma extensa renovação em 1998/99, a Münter-Haus está agora aberta ao público. Foi o expresso desejo da Gabriela Münter, que queria que sua casa se ​​tornasse um lugar de memória da sua arte e da de Kandinsky.

Gabriele Münter que, pela sua pintura, ocupa uma posição de destaque na arte do século XX, contribuíu valiosamente para a história da arte pela sua doação única de obras do “Cavaleiro Azul” para a Galeria do Estado no Lenbachhaus em Munique (como já referido).
A Münter-Haus é um memorial para ela e Kandinsky, já que aqui eles embarcaram em novos caminhos e de longo alcance nas artes.

Depois da visita a esta casa, a visita em Murnau continuou em direcção à Rathaus (1), a Câmara Municipal da cidade.

O actual edifício da Câmara Municipal, em estilo neogótico, data de 1842. No início do século XX o edifício da Câmara foi enriquecido com os frescos do imperador Ludwig da Baviera e de Nossa Senhora das Dores.

Já no século XIV serviu como um entreposto de grupos de pessoas na principal rota de e para Itália.

Até o final do século XIX, parte do edifício serviu como Schranne, ou seja, mercado de grãos, e como uma casa de pão onde os padeiros vendiam o seu pão. De 1879 a 1895, abrigou também a estação de correios.

As grandes portas duplas são uma reminiscência dos tempos em que o corpo de bombeiros tiveram o seu domicílio no edifício. O dragão é uma reminiscência do animal heráldico do mercado.

Ainda procurei visitar o Schlossmuseum (12), mas já só vi o seu exterior pois estava fechado na altura que o pretendia fazer. Neste Palácio Museu é apresentada a história internacionalmente significativa da arte e da literatura ligada a Murnau no primeiro terço do século XX.

O ultimo local que visitei, no centro da cidade, foi a Igreja de S Nicolau (9). A igreja foi construída no início do século XVIII,  após a Guerra da Sucessão Espanhola no estilo barroco tardio, no local da igreja gótica anterior que era muito pequena e ficou em ruínas. A inauguração foi em 1734, e o arquitecto foi, provavelmente o da corte de Munique, Enrico Zucalli. O interior (altares, estátuas) ficaram concluídas no século XVIII enquanto as pinturas do tecto do meio até fins do século XIX. O patrono da igreja encontra-se no retábulo do altar-mor. Desde 1756 a igreja de São Nicolau, é uma igreja de peregrinação a Nossa Senhora das Dores, a imagem milagrosa (figura vestida com sete espadas) que está localizada no altar-mor. A igreja possui uma arquitectura muito harmoniosa e trabalhada.

O Zentrum Paul Klee em Berna

No Zentrum Paul Klee, toma-se conhecimento da vida e obra de um dos fascinantes artistas do século XX, o suíço Paul Klee. nascido em Münchenbuchsee perto de Berna.

O edifício do Zentrum Paul Klee é denominado de „Monument im Fruchtland“ (Monumento na terra dos frutos), e foi projectado pelo conceituado arquitecto Renzo Piano, que criou um lugar no qual o encontro com a arte se torna uma realidade. A atmosfera é cativadora e inspiradora pois o exterior coaduna-se com a sua envolvência e está em simbiose com o interior. Não faltam aqui oportunidades para estar em contacto com a arte.

Mas o Zentrum Paul Klee, não fica propriamente nas imediações do centro histórico da capital suiça, Berna.

No Zentrum Paul Klee além dos espaços de exposição principais existe um Museu Infantil, o Creaviva, bastante interactivo, baseado na premissa “aprender fazendo”, dedicado aos mais novos e com vários workshops para eles, afinal pertencem aos grupos etários mais criativos que é possível encontrar.

Nos espaços de exposição era interdito tirar fotografias, pelo que as únicas que possuo do interior, resumem-se aos corredores de espaços comuns. Mas mesmo estas áreas estavam povoadas por arte que reflectia o tema da exposicao existente na altura: Paraíso Perdido, Olhar do Anjo.

Uma exposição dentro dos limites do leste do Éden. Uma exposição com instalações e eventos que transformaram todo o Zentrum – e os fundamentos em torno dele – em um parque temático dinâmico que colocaram os espaços interiores e exteriores com um ambiente emocionante e variado de intercâmbio recíproco.

“Uma pintura de Klee chamada  “Angelus Novus” mostra um anjo olhando como se  estivesse prestes a se afastar de algo que contempla fixamente. Seus olhos estão arregalados, sua boca aberta e suas asas espalhadas. Esta é a forma como se percebe o anjo da história. Seu rosto é para o passado. Onde nós percebemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe, que mantém no meio dos escombros e arremessa-lo na frente dos seus pés. O anjo gostaria de ficar, acordar os mortos, e refazer o que foi destruído. Mas uma tempestade sopra do Paraíso; ele foi apanhado em suas asas com tal violência que o anjo não pode mais fechá-las. Esta tempestade atira irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de escombros diante dele crescem para o céu. Esta tempestade é o que chamamos progresso. »(Walter Benjamin)

O pilar da exposição é a obra chave de Paul Klee – Angelus Novus, que serviu como alegoria visual para o «anjo da história» de Walter Benjamin. A exposição Paraíso Perdido significa seguir o olhar horrorizado do anjo enquanto ele olha para as calamidades do mundo a partir do ponto de vista do céu.

A complementar a obra principal (que veio propositadamente do Museu de Israel em Jerusalém para o efeito) estavam cerca de 150 obras de artistas do passado e do presente representando o outro lado do «Jardim Encantado de Klee»: os destroços do progresso, o mundo da destruição, os indivíduos irregularmente sinuosos, a vida despida – bem como as repetidas tentativas de visualizar o que o poeta Rilke chamava de «totgeglaubte Park» (o parque dado como morto) e colocar-se no paraíso perdido. O casal de artistas Gerda Steiner e Jörg Lenzlinger supervisionaram a saliencia de uma obra tipo planta que consistiu de folhas carregadas de caramanchões, frutas angustiadas e maçãs premiadas, com erupções arbóreas, luzes irregulares, crescimentos de cristal, chifres de veado e hortênsia, estrume de cavalo como tubérculos, cactos murchos com aspecto engraçado, sementes voadoras e jacintos dos bosques de Novilan. Este preenchimento do espaço, de uma amálgama misturada de uma instalação podia ser visto a proliferar ao longo da estrada do Museu do Zentrum Paul Klee, fora no jardim encantado de Paul Klee e até ao Paraíso Perdido…..

Espaço Jean Tinguely-Niki de Saint Phalle

Ao sair da Basílica de Notre Dame (4), ao lado desta, fica o Espaço Jean Tinguely-Niki de Saint Phalle (47), outro dos motivos principais para ter querido visitar Friburgo.

Afinal, Niki de Saint Phalle, como talvez seja do conhecimento de alguns, é uma das artistas cujas obras aprecio bastante (talvez por serem bastante coloridas).

A enorme onda de simpatia que Jean Tinguely (que nasceu a 22 de Maio de 1925 em Friburgo, cresceu em Basileia, viveu em Paris e mais tarde regressou a Friburgo tendo falecido a 30 Agosto de 1991 em Berna) gerou no final de sua vida entre a população de  Friburgo levou a sua esposa Niki de Saint Phalle a oferecer ao Estado de Fribourg algumas obras monumentais criadas durante esse período. Após a morte do artista em 1991, o conselho de Estado propôs a criação de um museu dedicado à sua obra. Para fazer isso, a cidade de Friburgo cedeu o antigo hangar da Sociedade de Eléctricos de Friburgo. A Fundação “Espace Jean Tinguely – Niki de Saint Phalle” foi formada em 1995 para conseguir a conversão do edifício e para criar e manter um espaço dedicado às obras dos dois artistas. A inauguração aconteceu em 1998.

Este Espaço museu original, rende assim homenagem à criatividade de dois artistas da segunda metade do século XX. Em 1998 o arquitecto Michel Waeber reabilitou o edifício que adveio dos tempos da industrialização. Situado entre a Igreja de Cordeliers (5) e a Basílica de Notre Dame (4), o prédio toma os seus temas – morte, maquinaria industrial e automóveis – e da-lhes uma dimensão poética que ressoa com o trabalho de Jean Tinguely. As sombras das esculturas, projecções nas paredes, e os sons das máquinas reforçam o carácter mágico deste lugar.

Admito que eu tinha mais interesse em ver as obras de Niki de Saint Phalle que as de Jean Tinguely, mas para o meu acompanhante de três palmos, as deste ultimo despertaram-lhe muito mais a curiosidade, porque podia carregar em botões e vê-las a movimentar-se.

Não era possível tirar fotografias no espaço de exposição, mas ao ver outros visitantes a faze-lo, ainda que bastante restringida,  não resisti a fotografar um pouco também…

O  que mais gostei, foi da parede negra onde sobressaiam diversas esculturas de Niki de Saint Phalle, mas depois fiquei um pouco decepcionada porque na loja não havia qualquer postal ou outro artigo com essa parede em destaque. Alias, o único artigo que encontrei referente a este espaço de exposição na loja, foi um prospecto desdobrável com imagens e texto apenas em francês e alemão.

Digitalizei esse prospecto para verem qual o seu teor. Ao clicarem sobre o mesmo conseguem visualiza-lo em maiores dimensões e eventualmente lê-lo.

Esta foi a “reportagem” possível da minha visita ao Espaço Jean Tinguely-Niki de Saint Phalle.

No Jardim do Museu de Arte e História (Musée d’art et d’histoire)  de Friburgo (1), também é possível apreciar uma escultura de Niki de Saint Phalle, curiosamente uma que me fez pensar de imediato no seu Jardim do Tarot, dada sua semelhança com uma que encontrei lá.

O Castelo de Gruyères

O Castelo de Gruyères é um dos mais famosos castelos na Suiça. e tem muitos motivos para tal.

O edifício do castelo foi construído entre 1270 e 1282, seguindo o plano quadrado típico das fortificações na Sabóia.

“Entre os séculos XI e XVI esteve na propriedade de 19 condes. O ultimo destes condes, Michel, manteve-se com dificuldades financeiras quase toda sua vida e acabou por abrir falência em 1554. Os cantões de Friburgo e Berna eram os seus credores e nessa condição partilharam o seu condado entre eles. Entre 1555 a 1798, o castelo tornou-se residência para os oficiais de justiça (Bailiados) e depois para os prefeitos enviados por Friburgo. Em 1849, o castelo foi colocado à venda e adquirido pelas famílias Bovy e Balland, que ficavam no castelo durante o período de Verão e o restauraram com a ajuda de seus amigos pintores.

Em 1938 o castelo foi readquirido por compra pelo cantão de Friburgo, transformado num museu e aberto ao público. Desde 1993, uma fundação assegura a conservação, bem como a valorização do edifício e da colecção.” (texto retirado daqui)

O castelo está assinalado pelo número 1 no mapa do centro histórico de Gruyères apresentado anteriormente.

Os portões abertos da propriedade são um convite a entrar e o placar informativo, responde a questões como: quando está aberto ao publico e qual o preço dos bilhetes.

Alguns dos locais de destaque no castelo, foram colocados em placares ao longo do percurso até ao castelo.

Para acompanhantes como o meu dois palmos, que possuem um sentido de descoberta muito activo, os placares podem servir bem como motivação para visitar mais um castelo, já que os cavaleiros eles certamente já descobriram que não os vou encontrar por lá: “agora vamos ver se descobrimos estes locais no castelo?”

Estas são as primeiras imagens captadas do castelo propriamente dito, do Brasão por cima da entrada principal, e do que se avista daí, nomeadamente a Igreja de St.-Théodule (4) .

Avisto também as primeiras esculturas da exposição „O fabuloso mundo de Tuckson“, um artista plástico contemporaneo do Zimbábue, a decorrer no castelo entre 12 de Maio e 4 de Novembro de 2012.

Nas muralhas voltadas para sul, talvez sudeste, uma placa informativa identifica quais as montanhas que se podem avistar ao longe.

Este é um mapa do castelo que encontrei na Internet e que é bem mais perceptível que o do livro-guia que adquiri na loja do castelo. (O bilhete adquirido foi um combinado com o do Museu HR Giger, adquirido nesse museu. Como não tive que ir à bilheteira do castelo acabei por não me aperceber, atempadamente, que o deveria ter feito para me ser disponibilizado um folheto guia do castelo.)

Legenda desta planta do castelo:

Rés-do-chão 1º Andar 2º Andar
1 Entrada Principal
2 Poço e área da Citadela em redor da capela
3 Capela de S. João Batista
4 Pátio Interior
5 Antigo Arsenal: Exposições temporárias Sala de Borgonha Sala de Arte fantástica
6 Sala abobadada: Exposições temporárias Sala do Bailiado Sala dos Cavaleiros
7 Cozinha Sala Corot Sala Barroca
8 Sala de Guardas Sala dos Condes Salão de Musica e Sala Furet
9 Sala de Guardas Quarto da Bela Lucia Sala de Caça
10 Escada em espiral Escada em espiral Escada em espiral
11 Jardim Francês
12 Baluarte
13 Torre
14 Torre

Os dois escudos gigantes na parede de entrada da antiga fortaleza, de acesso ao pátio interior, obra de Patrick Woodroffe, despertaram de imediato a minha atenção. O da esquerda representa Marte, o deus da Guerra, e o da direita  representa Venus, a deusa do Amor. Respectivamente um de 1993 e outro de 1996.

As esculturas de Tuckson em exposição, espalham-se também pela área da citadela que rodeia a capela (2), interior às muralhas.

E junto a estas muralhas a paisagem sobre a cidade, num plano interior, e os arredores montanhosos, transmite-me, uma vez mais, sensação de se tratar de um lugar pacato e tranquilo, longe do stress das grandes cidades.

Eis a capela de S. João Batista (3). Esta é um dos locais de destaque do castelo (segundo os painéis colocados ao longo do passeio de acesso, e que sugeri ao meu dois palmos que descobrisse).

No pátio interior do castelo (4), continua a exposição de esculturas, bem como no Antigo Arsenal (5.0) e na Sala Abobadada (6.0), duas divisões com acesso directo a este pátio.

A viagem ao interior do castelo prossegue, e é identificado sempre que possível o numero correspondente do local a que as imagens se referem. Para não tornar o artigo ainda mais extenso, não serão feitos comentários ou descrições sobre os locais em causa, até porque na maioria dos casos as designações dos locais e as imagens respectivas são auto-explicativas.

– Cozinha (7.0)

– Salas dos Guardas (8.0, 9.0)

– Sala de Borgonha (5.1)

– Sala do Bailiado (6.1)

– Sala Corot (7.1)

– Sala dos Condes (8.1)

– Quarto da Bela Lúcia (9.1)

– Sala de Arte Fantástica (5.2)

Estes últimos, dada a altura a que estavam pendurados, não identifiquei os seus autores.

O Jardim Francês (11) e as Torres (13 e 14) são avistados da varanda desta Sala de Arte Fantástica.

– Salão de Musica e Sala Furet (8.2)

– Sala de Caça (9.2)

Esta é a paisagem que se vislumbra da janela da sala de caça.

– Sala Barroca (7.2)

– Sala dos cavaleiros (6.2)

Desta sala acede-se a um corredor repleto de quadros e com acesso a uma área exterior, espécie de varanda que contorna o pátio interior do castelo.

Desta área exterior no segundo andar acede-se a um espaço com uma exposição de Patrick Woodroffe. As obras estão instaladas nas paredes de uma divisão estreita com 2 ou 3 andares,  cujo centro é preenchido por uma escadaria metálica em caracol.

Placar no exterior à entrada anunciando a exposição.

Algumas das obras em exposição:

Depois desta exposição, ainda neste andar, existe uma outra sala minúscula cujas paredes estão cobertas com quadros monocromáticos alusivos a paisagens da região.

Deste corredor exterior, não perdi uma vez mais, a oportunidade de apreciar a paisagem circundante do castelo, avistando à distancia o lago de Gruyères.

Ao voltar ao rés do chão, e sair do edifício do castelo, aproveitei para apreciar o jardim francês mais de perto.

Não cheguei a ver o espectáculo multimédia acerca do castelo, porque não quis aguardar cerca de 20 minutos pela próxima exibição, quando o meu dois palmos já estava bastante impaciente, e um tanto saturado. Pelo que não me posso pronunciar sobre a mesma.

Termino este artigo sobre o castelo de Gruyeres, salientando e enaltecendo a sua loja. Lá além dos artigos mais convencionais alusivos ao castelo, podem-se encontrar imensos postais, muitos dos quais com ilustrações das obras de arte fantástica expostas no castelo, livros do mundo fantástico entre outros, figuras, brinquedos, etc. Um local de passagem obrigatória, diria eu.