Preparações com antecedência

Em Abril de 2016 o meu “5 palmos” fez a sua primeira comunhão. Um marco importante na sua vida de católico.

Os preparativos aqui na Alemanha começaram em Novembro do ano anterior, com uma reunião entre pais e pároco, onde a agenda das actividades foi apresentada e entregue, e alguns pormenores esclarecidos. Documentos foram solicitados e outros entregues.

Para as crianças as actividades começaram em Janeiro, com um primeiro encontro durante uma manhã de sábado. Neste foram definidos os grupos de crianças e as mães/pais responsáveis pela dinamização dos encontros.

De entre as actividades neste primeiro dia constou a decoração de uma vela, a vela do grupo, a construção e pintura de um mural com o tema da Primeira Comunhão e a pintura de um longo tapete de papel (que foi guardado e seria usado exclusivamente no dia da Primeira Comunhão).

O tema escolhido foi “Vem em busca dos Vestigios”.

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O encontro terminou com uma celebração na igreja na qual os pais também participaram.

A este primeiro encontro seguiram-se os semanais, de uma hora, durante um dos dias da semana, cada um com um tema definido.

O grupo do meu “5 palmos”, por exemplo, era constituido por 5 crianças e três mães, mas o número de crianças e de adultos por grupo variava.

Lembro-me que em um dos encontros semanais fizeram pão (ou mais concretamente vários pães), e no fim, os pais ou encarregados de educação, foram convidados a aparecer e participar num lanche, onde o pão foi o centro das atenções.

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Em outro dos encontros, os pais e ou encarregados de educação tiveram mesmo que estar presentes, pois a decoração da vela de comunhão era o que estava na “ordem do dia” e foi uma actividade realizada pelas crianças com a ajuda muito activa e participativa dos pais.

Não se esperavam velas perfeitas, mas foram sem duvida decoradas com muito carinho e atenção, obtendo-se algo único, pessoal e intransmissível.

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Sabendo previamente que um dia teria que ajudar a decorar a vela de comunhão do meu “5 palmos”, procurei com antecedência pensar num tema que se enquadrasse bem para a primeira comunhão, com uma “imagem” que se pudesse usar em vários elementos.

A decoração da vela, como a imagem anterior deixa um pouco transparecer, consistiu num barco com duas velas, uma com o cálice e a hóstia, e outra com um cacho de uvas, e um mastro a formar uma cruz. Umas ondas do mar com uns peixes estilizados completaram a imagem. Tudo feito com folhas de cera com as tonalidades azul e prateado, e umas fitas de cera. Em baixo letras e números a formarem as palavras 1ª Comunhão, o nome do meu filho e a data do evento.

A inspiração ocorreu-me depois de desfolhar um livro do tipo “faça você mesmo” propositamente para este tipo de eventos. Claro que o comprei, para o poder ver e rever com mais atenção e tempo.

livro-de-ideias

O tema escolhido foi “Com Deus no caminho” (mit Gott Unterwegs!), tendo sido usado nos convites,  ementas & marcadores de mesa, e cartões de lembrança. A ideia central consistiu num simples barco de origami a navegar sobre as ondas.

O primeiro passo passou por comprar os materiais necessários, e para isso a loja Idee em Munique foi o local ideal para encontrar desde folhas de papel, cartões, envelopes, letras, palavras e figuras autocolantes, até pequenos peixes prateados em madeira.

E de umas simples folhas de papel com padrões (e um pouco mais) resultaram, com tempo, carinho e dedicação algumas das coisas que eu, depois de ter comprado o livro, decidi que tinha de “fazer eu mesma”.

folha-com-padrao

convites-e-afins

Uma vez que adquiri “alguma experiência” com a decoração da vela de comunhão, comprei velas pequeninas e decorei-as com o mesmo tema, tornando-as nas lembranças para oferecer aos convidados.

Não satisfeita, achei que tinha que tornar a mesa do almoço da comunhão, também no espírito do tema. Para isso, adquiri dois barcos 3D em papel, que pintei, um Kit da Rayer com dois peixes, e extra um outro peixe maior também de esferovite bem como mais alfinetes e lantejoulas. Tecido azul de mousseline para colocar no centro da mesa e imitar as ondas do mar, finalizaram o resultado pretendido.

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Para terminar, o bolo de comunhão não poderia faltar. E esse não teria conseguido fazer sem a inestimável e imprescindível ajuda na decoração, de uma querida e insubstituível amiga.

bolo

Como nota final quero apenas referir, que o local escolhido para a realização do almoço da Comunhão, foi o Restaurante Chinesicher Turm,  inserido no English Garten no centro de Munique.

Foi um dia perfeito em todos os sentidos, tirando o facto de ter sido digno de um típico dia de Inverno, onde até a neve quis marcar a sua presença.

Nebelhorn no Inverno

Depois da chegada do Inverno, da queda com alguma frequência de neve e das temperaturas médias a manterem-se negativas dia após dia, sem qualquer previsão de mudança nos dias mais próximos, afiguravam-se duas alternativas.

“Não querer encarar o frio” e evitar ao máximo sair de casa, ou acolher a neve e as temperaturas negativas de braços abertos e com a roupa apropriada vestida (com caracteristicas de isolamento térmico, de preferência) e sair de casa para me divertir na neve.

Se a influenciar a escolha se presenciar um dia lindo de sol, então a tomada de decisão é facilitada e a opção escolhida é óbvia.

Confesso que nunca fui fã de “férias de Inverno”, ao contrário de alguns amigos meus para os quais tais férias são incontornáveis e mesmo as preferidas.

Assim não é de estranhar, que esqui ou snowboard são desportos que não me atraem, ainda mais porque não são raras as notícias de acidentes na prática dos mesmos.

No entanto tal não me deve impedir de me divertir na neve, se a oportunidade para isso existir.

Foi nesse sentido que recorri ao site Bayern.by com o objectivo de encontrar na Baviera, locais onde pudesse fazer Snowtubing. Foram várias as alternativas encontradas, algumas mais perto de Munique outras menos. Como em Bayrischzell já tinha estado, essa opção foi descartada em prol de outra região que ainda não conhecesse.

A escolha recaiu sobre Nebelhorn, seduzida pela existência de um Snowpark com vários equipamentos disponíveis (inclusivé para a prática de snowtubing) apresentada pelo NTC – Sport Oberstdorf  (Centro de Desportos de Inverno de Nebelhorn).

Oberstdorf fica na região de Allgäu na Baviera, e dista cerca de 171km (2h12) de Munique. Não posso dizer que tenha sido a opção mais perto de casa, mas foi uma bem acertada. (A rede de estradas é boa e as autoestradas na Alemanha, têm em geral um ótimo nível de conservação, em algumas áreas não existem limites de velocidade, e não se pagam quaisquer portagens, o que ajuda bastante e facilita a decidir, quando se pretende fazer uma viagem com mais de uma centena de quilómetros, e se tenciona regressar no mesmo dia).

O Allgäu é uma região rica para quem quer desfrutar da Natureza, em qualquer estação do ano, no Inverno em especial, e era mesmo isso o que eu procurava.

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E Nebelhorn não decepcionou nesse sentido.

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O mapa retirado do site Das Höchste ajuda a perceber melhor o que se pode encontrar no Nebelhorn não apenas em termos de desportos de Inverno (pistas de esqui não faltam, com diferentes graus de dificuldade como convém) mas também outras formas de desfrutar intensamente da neve com o devido conforto (Restauração, Serviços de Apoio, Funiculares, etc).

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O Wintererlebnispark, foi o local onde encontraria a forma ideal para me divertir na Neve, e para lá chegar tive que subir no Nebelhornbahn desde a base em Oberstdorf a 813m até à Estação Seealpe a 1280m.

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A paisagem avistada a 1280m de altitude é retemperadora e o ar fresco que se inspira é do mais saudável possível.

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Se a ideia original era a prática de Snowtubing, a aparente insuficiência de neve para o efeito, impediu que o percurso estivesse criado, e por isso não avistei um único “pneu gigante insuflável” também conhecido por Snow Tube, para amostra.

Mas trenós não faltavam, quer os tradicionais de madeira quer os Zipflracer, uma versão mais aerodinâmica de plástico. Escusado será dizer que optei por um destes ultimos.

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Também haviam Snowbikes, Skifox, Skibockerl, Snowscooter e SMX, mas além de serem mais dificeis de controlar, para alguém tão inexperiente quanto eu, com nenhuma destas outras opções poderia descer a montanha.

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E descer a montanha pela pista de trenós, foi mesmo o que eu fiz depois de ter andado várias vezes a treinar na estação Seealpe, com o trenó plástico laranja que aluguei por 5€.

“Desde a estação”Seealpe” (1280m)  até ao vale são 2,5 km de caminho com declive. Com uma diferença de altura vertical de 450m você pode fazer um passeio de trenó e descer a montanha. Os Trenós podem ser alugados no restaurante ao lado da estação “Seealpe” [ou no centro de actividades NTC]”

Foi mesmo o que esta descrição sugere o que eu fiz, e que para mim foi adrenalina pura, principalmente fazer a alta velocidade as curvas muito acentuadas do percurso, e ter a sensação que podia sair do mesmo e cair pela montanha a baixo, a qualquer momento.

Claro que fotos que relatam essa experiência são escassas, pois convinha que me agarrasse bem ao manipulo do trenó para evitar maiores estragos.

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Mas dá para ficarem com uma pequena ideia de algumas das curvas, e de como o caminho tinha áreas bem irregulares que convidavam a quedas ou saltos, dependendo da velocidade a que se vinha.

Para mim, foi uma experiência incrível, que adorei, mas cuja chegada ao fim foi muito bem acolhida, com a sensação: consegui e cheguei inteira.

Neve a cobrir-me não faltou, até porque, uma árvore não satisfeita com o que eu já tinha conseguido sozinha, decidiu atirar-me uma “bola de Neve” directamente na minha cara.

E o Natal chegou…

Este ano foi particularmente parco em artigos publicados neste blog.

Mas não posso deixar passar esta quadra natalícia que tanto aprecio em branco neste espaço.

Assim no dia em que acaba o Advento publico o nosso calendário do advento de 2014, que a pedido do meu quatro palmos não foi recheado com chocolates, antes com artigos predominantemente escolares.

O calendário no dia anterior começar a contagem e no dia em que esta acaba, hoje.

Calendário do Advento 2014

Na árvore dourada do calendário já figura a fadinha da Isiss adquirida este ano no Tollwood – Festival de Inverno, para acompanhar as adquiridas em anos anteriores.

Fadinha Isiss 2014 A árvore de Natal, manteve a tradição e começou a inspirar o ambiente natalício da casa desde Novembro, para se poder usufruir mais tempo da mesma, com os seus ramos brancos e decorações predominantemente rosa.

Arvore de Natal 2014

Na composição anterior figuram em destaque as decorações adquiridas durante o ano em curso. Um unicórnio adquirido no Mercado de Natal de Haidhausen, uma bola no Rockefeller Center, uma bola das Niagara Falls, um Sapinho adquirido no Kustermann, um vestido rosa no XXXLutz, um sino de Porcelana da Hutschenreuther com motivos de Dresden aquando da tão aguardada visita aos mais antigos Mercados de Natal da Alemanha, uma fadinha oferecida por uma querida amiga aquando da sua visita aos Mercados de Natal de Munique, e um Anjo com um presépio nos Mercados de Natal de Estugarda.

Como não podia deixar de o fazer. Desejo a todos os que visitam este Blog e suas famílias, um absolutamente fantástico Natal e um ainda mais fabuloso 2015.

Depressa chegaram os oito

Estou demasiado em falta para com o Blog pois já não publico um novo artigo faz demasiado tempo.

Ainda assim, ao fim de um interregno tão extenso, escolho fazê-lo com um artigo mais pessoal, um pouco à margem da temática habitual neste espaço.

Este fim-de-semana o meu três palmos e meio festejou o seu oitavo aniversário e foi promovido a quatro palmos.

Uma das maiores vantagens do seu aniversário ter sido no domingo, dia 7 de Setembro, foi ter podido festejar o mesmo com os amigos no próprio dia.

Com os familiares distantes, e apenas os pais presentes, poder festejar o seu dia na companhia dos amigos, era o que ele mais desejava. E foi justamente com essa ideia em mente que procurei escolher um local que agradasse a todos, e que permitisse um dia em cheio para todos recordarem.

Este ano o local escolhido recaiu num relativamente perto de Munique, pelo que as questões logísticas em termos de as crianças chegarem ao local da festa, não exigiram que alugássemos uma carrinha onde pudessem ir todas para lá. Os pais assumiram essa responsabilidade sem muita dificuldade, e acho mesmo, que de alguma forma todos tinham curiosidade em conhecer o local em causa.

Porquê? Em parte porque todos os pais tiveram que assinar um documento de autorização e responsabilidade para os filhos, enquanto menores, poderem participar. Não porque o local oferecesse algum perigo, mas porque é a prática habitual em actividades do género.

O local em causa chama-se Münchner Wald, Kletterwald Vaterstetten, e no mesmo existem vários percursos, com diversas etapas, e diferentes graus de dificuldade, extensões, e altitudes. O flyer publicitário podem encontrá-lo aqui.

Muenchner Wald - Banner

Como o próprio nome sugere (Wald = Floresta, Kletter= Trepar, Escalar, Subir) os percursos são feitos entre plataformas suspensas montadas nas e entre as árvores a altitudes variáveis e compostos por vários elementos como pontes suspensas, redes entre outros…. A denominação deste desporto radical em português é Arborismo.

As pessoas (não apenas crianças) podem se divertir imenso, enquanto ao mesmo tempo desafiam as suas capacidades físicas. Qualquer percurso tem sempre uma componente final de tirolesa.

Muenchner Wald - percursos

Como a faixa etária do aniversariante e dos seus convidados era de 8 anos, tal limitou as alternativas a 3 percursos possíveis (os que são para maiores de 6 anos acompanhados por um adulto ou maiores de 8 anos sozinhos, e dois infantis, para maiores de 3 anos). Ainda assim por uma questão de precaução, e segurança o meu marido acompanhou o grupo assim como um instrutor contratado para o efeito. Desta forma o grupo tinha sempre um adulto à frente do grupo e outro a terminar o grupo. Sim, porque eu recusei-me a participar, já que sofro de vertigens.

Mas antes mesmo da aventura pelos trilhos/percursos começar, o grupo todo teve uma sessão de preparação que incluiu “vestirem” o equipamento de segurança e aprenderem as regras de segurança e conduta de comportamento.

Pela descrição atrás apresentada do evento, não foi difícil definir o mote do tema para o aniversário: Aventura na Floresta.  E claro que o tema foi transmitido de imediato no momento do envio dos convites de aniversário aos amigos do meu quatro palmos.

Convite 8 Aniversario - Aventura na Floresta

O Bolo de aniversário também obedeceu à mesma temática, mas ao contrário da minha grande amiga do Postais e coisas que tais, eu não tenho jeito nem técnica nenhuma em termos de Cake Design, pelo que as árvores ficaram demasiado pesadas e a distância entre elas foi mal calculada. Resultado, uma das árvores tombou com o peso e as suas raízes não resistiram e partiram-se. Por outro lado o boneco que inicialmente pretendia representar o meu filho e estar sentado encavalitado na estrutura suspensa entre as árvores, teve que ficar sentado no chão apoiado a uma dessas árvores. O meu quatro palmos fez questão que a cobertura do bolo fosse verde pois dizia ele que a grama e vegetação predominam na floresta nessa cor. Para dar um pouco mais de vida acrescentei-lhe algumas folhas na mesma tonalidade para ter mais relevo

A massa do bolo foi de chocolate, afinal esse tende a ser o sabor preferido das crianças. E como a festa era essencialmente para crianças, não faltou também um bolo de Marshmallows da Hussel nem uma pizza de gomas.

Além destas doçarias, na mesa da festa de aniversário havia pães de leite com queijo e fiambre, douradinhos de frango, croquetes de carne, e coxinhas de frango.

Festa de 8 aniversario - mesa

No momento da despedida, antes ainda de sair do local dos festejos, foi entregue a cada um dos participantes no aniversário, um saquinho de lembrança, preparado antecipadamente, o qual incluía um marcador de livro com uma figura, além de gulodices (chocolates e gomas).

Festa de 8 aniversario - Lembrança

Todos adoraram a experiência, e no fim do tempo limite, ou seja, das 3 horas que tinham para explorar a “Kletterwald”, queriam continuar e repetir alguns percursos.

O mais agradável mesmo, foi ver a alegria estampada no rosto dos participantes, em especial do meu quatro palmos.

Museu do Cristal em Frauenau

Depois de explorar o Jardim de Cristal em Frauenau, a visita ao Museu de Cristal era um imperativo irrecusável.

O edifício em si tem uma arquitectura moderna bastante interessante, onde o vidro, como expectável, é um material em clara evidencia nas muitas paredes envidraçadas.

Frauenau - Jardim  e Museu de Cristal

O museu está organizado em três áreas, e o plano seguinte, facultado aquando da aquisição dos bilhetes de acesso ao mesmo, ajuda a perceber como.

Frauenau - Plano do Museu de Cristal

Entrada nas áreas de exposição do Museu.

Frauenau - Museu do Cristal - entrada no espaço de exposição

A primeira parte da exposição pode ser denominada de viagem através do tempo, “A Journey with glass“, evidenciando os períodos mais relevantes da história do vidro, começando pelas civilizações antigas das Regiões do Mediterrâneo Oriental, os vitrais das catedrais góticas e achados arqueológicos de vidros usados ​​na Idade Média. O vidro veneziano cristalino do século XV que compete com produtos das vidrarias florestais na Europa Central, e  que simboliza o alvorecer cultural e artístico do Renascimento na exposição. O Barroco, a Revolução Industrial, o Historicismo, a Art Noveau e Art Deco são outros períodos, cada um com as suas especificidades, que pela sua relevância também não foram descurados.

– Civilizações antigas das Regiões do Mediterrâneo Oriental

Frauenau - Museu do Cristal - inicio da viagem - civilizaçoes antigas

-Vitrais das Catedrais Góticas

Frauenau - Museu do Cristal - viagem através do tempo- vitrais das catedrais góticas

– A importância de Veneza e do Vidro de Murano, e a sua chegada à Baviera, às Oficinas do Vidro da Floresta da Baviera.

Frauenau - Museu do Cristal - viagem através do tempo - Veneza 1

Frauenau - Museu do Cristal - viagem através do tempo - a influencia de Veneza 1

– A opulência do período Barroco e do absolutismo das monarquias Europeias

Frauenau - Museu do Cristal - viagem através do tempo - Período Barroco

Frauenau - Museu do Cristal - viagem através do tempo - Barroco 1

A revolução Industrial trouxe a mudança tecnológica imperiosa para a ambiciosa classe média.

Frauenau - Museu do Cristal - viagem através do tempo - Revolucao Industrial

Com a chegada do século XX surgiram os vidros opalescentes da Art Nouveau e Art Deco. 

Frauenau - Museu do Cristal - viagem através do tempo - Seculo XX

A segunda parte da exposição intitula-se Viver e trabalhar com vidro – Living and Working with Glass. “Nesta são apresentados os aspectos sociais e culturais de um assentamento de vidreiros, com relatos autênticos sobre as pessoas em causa, dispostos em torno de um modelo de forno de fusão, e uma colecção de exposições, entrevistas e documentos fotográficos. Ao fazê-lo de forma consistente a exposição procura evitar uma reconstrução tipo casa de bonecas, mas dá exemplos dos passos individuais no processo de produção de vidro, que foram realmente vividos por testemunhas da história – e recolhidos no período de tempo entre a Primeira Guerra Mundial e os dias actuais .
Esta documentação da história social – a história da vida quotidiana – drástica e em contacto com a realidade revela as mudanças no ambiente de trabalho e reflecte os profundos e dramáticos resultados da globalização e automação industrial nos dias de hoje.
O encerramento de fábricas de vidro na floresta bávara e a questão sobre o futuro incerto da indústria do vidro são visualizados assim como são indicadas possíveis soluções para superar a crise.” (texto retirado do site oficial)

Frauenau - Museu do Cristal - Viver e Trabalhar com o Vidro - 1

Frauenau - Museu do Cristal - Viver e Trabalhar com o Vidro - 2

A terceira parte da exposição permanente e onde estão expostas peças de arte moderna, que correspondem no plano do museu às áreas designadas de “Moderne Glass Art“.

Frauenau - Museu do Cristal - Arte Moderna1

Bustos em vidro, de personalidades relevantes na história do vidro

Frauenau - Museu do Cristal - Arte Moderna - bustos

Erwin Eisch, natural de Frauenau, é um dos donos da  Fábrica de vidro Eisch (que se localiza nas imediações do Museu). Ele foi o fundador e mentor do movimento internacional Studio Glass. Ele tem sido uma das forças artísticas que têm empurrado para libertar o vidro de ser um material funcional e transformá-lo em um material para a expressão artística.

No museu existem várias obras de Erwin Eisch, mas “Narziß”, 1971, tem uma posição de destaque na exposição.

Frauenau - Museu do Cristal - Arte Moderna - Narziß - Erwin Eisch

As Vitrinas no rés-do-chão expõe obras de arte muito interessantes, diversificadas, coloridas e que revelam uma enorme criatividade dos seus autores.

Frauenau - Museu do Cristal - Arte Moderna 2

Frauenau - Museu do Cristal - Arte Moderna 3

A exposição de arte Moderna continua no primeiro andar (Obergeschoß) do Museu, com peças absolutamente fantásticas e surpreendentes.

Frauenau - Museu do Cristal - Arte Moderna 4

Frauenau - Museu do Cristal - Arte Moderna 5

Ainda no primeiro andar, na área designada de “The study collection“, encontrava-se uma exposição denominada de “Inspiration Tabak Glas” com bijoutaria e pequenos frascos para tabaco. Sobretudo alguns frascos, achei deveras interessantes.

Frauenau - Museu do Cristal - exposicao temporária - Inspiracao vidro para tabaco

De regresso ao rés-do-chão, foi a área designada no plano do museu de “Special exhibition“, ou seja, dedicada a exposições temporárias, onde eu me surpreendi mais com as peças expostas, talvez pela sua contemporaneidade, e pela forma como o vidro foi usado para construir peças inesperadas de encontrar com este material.

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A ideia de um vestido com grandes aplicações de vidro foi o que mais me surpreendeu, mas foram diversas as peças que adoraria ter em minha casa, de tão espectaculares que as achei.

Frauenau - Museu do Cristal - peças modernas do quotidiano

Como as imagens por vezes valem bem mais do que as palavras eis algumas das peças que mais gostei, em particular as que se encontram em maior relevo nas fotos seguintes.

Frauenau - Museu do Cristal - peças modernas sala res-do-chao 1

Frauenau - Museu do Cristal - peças modernas sala res-do-chao 2Frauenau - Museu do Cristal - peças modernas sala res-do-chao 3

Um museu que sem dúvida alguma vale mesmo a pena visitar, em particular para quem aprecia ver as potencialidades do que o vidro enquanto matéria-prima permite…

Jardim de Cristal….

Depois de Regen, o percurso na “Glasstraße” continuou em direção a Frauenau, onde se encontra o Jardim de Cristal e o Museu de Cristal. As duas cidades distam entre si cerca de 18km.

Se, admito, a diminuta extensão da Floresta de Cristal/Vidro me decepcionou um pouco, o mesmo já não posso dizer do Jardim de Cristal, com a sua diversidade de obras de arte.

Frauenau - mapa do Jardim  e Museu de Cristal

O Jardim de Cristal estende-se por uma área de 8 hectares em redor do Museu de Cristal, do riacho Flanitz e das áreas das oficinas/fábricas de vidro (Glasshütten) Poschinger e Valentin Eisch.

O percurso ao longo do jardim para apreciar todas as obras de arte tem uma extensão de cerca de 3 km. Não existe qualquer vedação que impossibilite o acesso ao jardim, pelo que a visita ao mesmo é obviamente gratuita.

Procurando seguir a numeração apresentada pelo mapa do jardim, eis uma hipotética visita virtual às obras de arte do mesmo, que começa perto do Glashütte Eisch.

1 – Carmelo Lopez – Weitblick, 2010

“Cinco figuras sentadas em colunas de madeira de diferentes alturas permitem o seu autor brincar com a perspectiva e percepção de quem as aprecia. A partir de um certo ponto de vista, há uma ilusão de óptica, segundo a qual todas as figuras estão na linha descendente e a olhar numa direção: para o tronco com a quinta figura”.

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2 – Thierry Boissel – Antiphon, 2010

“Tema da instalação é o passear comunicativo, passeios descontraídos na natureza. O titulo “antífona” refere-se tanto ao jogo de luz e vidro, bem como ao diálogo de duas pessoas e a repetição continuada de memórias. Thierry Boissel fotografou 150 casais em Fraueneau para esta sua instalação”.

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 3 – Korbinian Stöckle: Zwischenwelt (Entre mundo), 2010

“Na placa de vidro fica reflectido o nosso mundo. Dependendo da localização do espectador, o trabalho muda com seus variados tons: em uma área de água, no ambiente imediato (árvores, nuvens, céu) ou em sua própria imagem no espelho. No entanto, os reflexos evitam a visão directa para o mundo intermediário: através do reflexo infinito das figuras de vidro abaixo da superfície a imaginação do espectador é estimulada e ele é um mergulho em outro tempo, se não mesmo em outro mundo”.

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4 – Eva Käsper e Tiina Sarapu – Espaço Imaginário, 2010

“A instalação brinca com a percepção espacial, com a realidade e a reprodução, Ela oferece novas perspectivas do ambiente familiar e, uma vez que desperta nossos sentidos entorpecidos, o inesperado aparece e desaparece o esperado, o mundo é metafísico. O “Espaço imaginário” é sujeito a constantes mudanças no ritmo com a natureza e suas estações, reflectindo o sol e a chuva, a grama e a neve, a cidade e seus arredores”.

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5 – Magdalena Paukner – Das Urkraut, 2010

“A cultura da cavalinha (planta) em fases de crescimento individual: as menores plantas menores  espiam apenas para fora da terra, as outras já são altas como um homem. A cavalinha, uma erva, é uma das plantas mais antigas do planeta. Ela cresceu muito antes dos dinossauros, à 400 milhões de anos atrás, e é considerada altamente adaptável e forte. Os homens da floresta bávara usavam-na antigamente como acessório/decoração do chapéu”.

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6 – Ron Fischer – Himmelsschale (Taça do céu), 2007

“Esta instalação foi feita para a exposicao de floricultura de Waldkirchen de 2007, que teve como temática “para cima, para o céu, tudo de encanta.” É propriedade particular e registrado como empréstimo permanente ao jardim”.

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7 – Simone Fezer: “Lebensadern” (linha da vida), 2010

“A instalação de abeto e tubos deformados de vidro vermelho serve como uma alegoria para a base histórica económica do povo na Floresta da Baviera: madeira e vidro como a salvação pulsante – em simbiose formal de uma entidade dinâmica, como eles moldaram o povo e sua história”.

Frauenau - Jardim  de Cristal 78 – Stefan Stangl – Stumme Diener (servo mudo), 2010

“O grupo de figuras transmite baseia-se na ideia do servo silencioso ou pagodes oscilantes. As quatro figuras estão montadas de forma móvel na sua estrutura de metal e movimentam-se ao tocar ou com o vento. As figuras têm as suas próprias opiniões, elas não dizem nada, apenas acenam para todos”.

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9 – Raymond Martinez – Ariane à Naxos, 2010

“Emergindo do chão, usando três elementos de betão, fragmentos cintilantes de um ícone da mitologia grega: Ariane. Por casamento com o deus grego do vinho Dionisios, a humana Ariane, filha do rei Minos de Creta ascendeu ao Olimpus. Os elementos de betão da fundação adornam os relevos, nos quais se encontram o rosto de Ariane. Os elementos de vidro adjacentes fazem a história de Ariane prosseguir. Enquanto o concreto é um material tão profano, terreno, o vidro simboliza a transformação no mítico, divino”.

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10 – Alexander Wallner- Lichtgewächs, 2010

“A escultura apresenta a ornamentação gravada de vidros barrocos por cortadores de vidro do século XVIII, que inspirados pela natureza, tomam os motivos florais os da sua preferência no seu trabalho. Esta gravura de vidro devolve-se ao jardim como um objecto independente na natureza”.

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11 – Renato Santarossa – Poesia da Transparencia, 2010

(tão transparente que a escultura no meio do lago, quase de torna imperceptível nas fotos seguintes. Na foto do site oficial do jardim consegue-se vê-la muito melhor)

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12 – Ron Fischer – Arche II (arca II), 2010

“A viagem de um objecto de vidro: A “Arca I” viajou desde 2003, um recipiente de vidro de cinco metros de comprimento, a partir de Lusen (montanha comum à Baviera e à região de Plzeň na Republica Checa) até 20 locais em ambos os lados da fronteira boémia-bávara. Tanto na Boémia como na Baviera, artistas, ambientalistas, pessoas das oficinas do vidro, estudantes e turistas empurraram a arca para a frente – das florestas do Parque Nacional para as fábricas de vidro, antes locais de cultura boémia. O projecto reuniu pessoas assim como a sua região e a realização do objecto de arte “Arca de vidro” foi uma declaração política para o desenvolvimento sustentável da região da fronteira. A Arca I está na parte inferior do pico do Lusen (Lusengipfels). A “Arca II” está nos Jardins de cristal graças ao generoso financiamento do casal de Munique Marianne e Heiner Schaefer”.

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14 – Jens Gussek – Herzstück (coração), 2010

“O “coração” é a expressão plástica de uma experiência pessoal do artista em Frauenau, que mudou a sua vida de forma significativa. É um testemunho de amor para as muitas pessoas que Jens Gussek conheceu ao longo dos anos em Frauenau. Que Frauenau é denominada de “Coração de cristal na estrada do cristal”, acrescenta ao objecto um significado mais imediato”.

Frauenau - Jardim  de Cristal 14

15 – Michael Gölker – Dreiklang (Três sons), 2010 

“As gotas de água em vidro estão relacionadas com a imagem. A sua dimensão colossal simboliza o cenário do vigor de um elemento, que para a natureza é fundamental”.

Frauenau - Jardim  de Cristal 15

16 – Sandra de Clerck – Sieben Lämmer (Sete cordeiros), 2010

“Sete cordeiros recém-nascidos, candidos e puros: eles simbolizam o poder divino na natureza, são em palavras combinadas pensamentos espirituais sobre o crescimento e decadência. Cada ovelha, pode estar morta ou simplesmente  a dormir, num prado em flor, na natureza, por si só, e é parte de uma cena pacífica, um pastoreio idílico. Colocados sobre uma base de concreto, os cordeiros estão confrontados com a cultura – o que seu descanso tranquilo, mas não interferem”.

Frauenau - Jardim  de Cristal 16

O Jardim possui outras esculturas, como o mapa do mesmo sugere, mas as apresentadas ilustram em que é que este consiste.

Talvez este artigo permita despertar a vossa curiosidade para o explorarem pessoalmente in loco. Até lá, podem sempre espreitar um pouco mais no site oficial do jardim, onde todas as esculturas são apresentadas.

Frauenau - Jardim  e Museu de Cristal

Floresta de vidro

Na Alemanha existem diversas rotas temáticas que envolvem percursos mais ou menos extensos. Algumas dessas rotas já foram mencionadas por aqui, mas a de hoje ainda não.

Glasstraße - sinalizacao

A estrada do cristal, Glasstraße da Baviera Oriental, integrada na Floresta da Baviera (Bayerischer Wald) é um desses casos.

No site oficial da Glasstraße é possível encontrar um mapa em pdf com a referida extensão da estrada e as cidades que a integram, algumas praticamente na fronteira com a Republica Checa.

Glasstraße map

Uma das principais atracções turísticas desta estrada é a Floresta de Cristal, Gläserne Wald em Regen, e foi justamente esta que despertou a minha curiosidade e me fez percorrer cerca de 175 km a partir de Munique, para a visitar.

Confesso que as minhas expectativas foram um pouco defraudadas, pois para uma floresta esperava algo com maior extensão.

A Floresta de Cristal foi criada perto do castelo de Weißenstein seguindo uma ideia de Charly Rödl, o chefe de informações turísticas locais. As árvores de vidro, foram criadas por vários artistas, cada uma com as suas peculiaridades, o que cria um cenário único e original e um pouco menos bucólico.

Regen - Glaeserne Wald 1

Regen - Glaeserne Wald 2

A casa que sobressai nas imagens anteriores perto da floresta de vidro pertenceu a Siegfried von Vegesack (1888 – 1974), um escritor e tradutor alemão. Foi convertida em 1984 num museu na “Fressende Haus” (Casa Carnívora – nome homónimo de um dos romances mais conceituados deste autor, e assim denominada pelo seu proprietário, uma vez que o edifício devorava muito dinheiro na sua manutenção). É possível visita-lo entre meados de Maio e meados de Outubro.

Neste museu é possível encontrar no rés do chão um quarto dedicado ao proeminente autor e anterior proprietário. No primeiro andar encontra-se a maior colecção privada de rapé do mundo com cerca de 1200 latas e frascos coloridos. O segundo andar é dedicado a exposições temporárias e no terceiro andar a exposição tem como moto “o lado positivo da dura vida” com uma peculiar colecção de arte popular do Dr. Reinhard Haller. Também se pode encontrar neste museu achados arqueológicos dos séculos XIV a XVII.

O edifício foi construído originalmente em 1100 como celeiro do Castelo Weißenstein, e situa-se aos pés deste.

Do Castelo de Weißenstein restam apenas as suas ruínas, as quais é possível visitar. Das mesmas pode-se apreciar a privilegiada paisagem proporcionada pela sua localização sobranceira, uma vez que o castelo foi construído sobre o ponto mais alto do Pfahl de rochas de quartzo que se estende pela floresta da Baviera.

Regen - Ruinas do Castelo de Weißenstein

Nas imediações fica a capela de Weißenstein, situada na base do rochedo e das ruínas do castelo. A capela foi construída em 1820. Esta é bastante sui generis uma vez que possui placas/tábuas mortuárias penduradas nas suas paredes exteriores.

Regen - Capela de Weißenstein

.Estes são alguns dos motivos de interesse para visitar Weißenstein em Regen, um dos principais atractivos na estrada de cristal, a Glasstraße.