Um pouco do “country side” da Salzburger Land

As temperaturas negativas persistem, mas continuam acompanhadas por dias lindos e solarengos, pelo que existe uma forte atracção, que me puxa para aproveitar o que a natureza tem para me oferecer.

A questão é que continuo a não ser adepta dos desportos típicos de Inverno, mas fiquei fã de descer a montanha de trenó, depois de o ter experimentado na semana anterior.

Assim a palavra chave para pesquisar locais onde houvesse essa possibilidade, em países de língua oficial alemã é “Rodelbahn“. (Porque não dizer “na Alemanha”? Porque atendendo à localização geográfica de Munique, nem sempre os locais mais perto e/ou mais interessantes ficam necessariamente na Alemanha, podem ficar por exemplo na Austria.)

E foi justamente com essa ideia em mente que a minha pesquisa se direccionou para o Estado de Salzburgo (Salzburger Land), na Áustria, uma das regiões contíguas ao distrito Administrativo de Oberbayern (Baviera Superior),  de que Munique é capital e que pertence ao Estado da Baviera.

Os mapas abaixo  ajudam a perceber um pouco melhor a sua localização relativa.

oberbayern-e-salzburg

Claro que não precisaria de sair de Oberbayern sequer, para encontrar o que procurava, mas se na semana anterior já o tinha feito, em busca da Região do Allgäu, no distrito Administrativo de Schwaben, porque não fazê-lo uma vez mais? (Admito que ainda considerei duas regiões em Oberbayern, Berchtesgadener Land e Garmisch-Partenkirchen. Mas por diferentes motivos, foram preteridas. Garmisch-Partenkirchen por exemplo estaria particularmente congestionada no fim-de-semana, dado decorrer aí o Campeonato do Mundo de Ski)

A pesquisa na internet recaiu não apenas em “Rollerbahn” mas também “Snowtubing”, algo que o meu “5 Palmos” queria e não tinha conseguido fazer na semana anterior.

Foi uma das Estâncias de Esqui da região “Ski Amadé“, a de Radstadt -Altenmarkt que mais me cativou. (Radstadt dista de Munique 199km, o que equivale a 2h de viagem)

radstadt

O motivo da escolha de Radstadt ficou a dever-se sobretudo ao facto deste possuir um percurso para descida com trenós de 6km (um dos mais longos na região). Para facilitar a decisão, este percurso tem iluminação noturna, o que me garantia um pouco mais de segurança caso houvesse algum infortúnio e precisasse de ser resgatada.

Por outro lado, a forma de chegar lá acima é com teleféricos para 8 pessoas irem sentadas (“8er Königslehenbahn I), estando estes sempre a circular, o que faz com que não se criem praticamente filas de espera.

Outras questões “técnicas” pertinentes:

  • O ponto de partida em Radstadt, fica a 858 m de altitude;
  • Existe um amplo parque de estacionamento disponível e gratuito;
  • É possivel alugar ou comprar equipamento e acessórios desportivos na loja existente perto do parque de estacionamento;
  • Existe nas imediações um Café-Restaurante, o Unterberg Salettl, onde é possivel recarregar energias;
  • No Königslehenbahn, é possível alugar os trenós por 5€ cada (+5€ de depósito a ser restituido no momento de devolução dos mesmos), imediatamente antes de se entrar nos funiculares.
  • A subida no Teleférico tem uma paragem numa estação intermédia, onde inclusivé as portas dos funiculares são automaticamente abertas, mas só se deve sair na estação final, em Kemahdhöhe, a 1571 m de altitude.

radstadt-1

radstadt-teleferico

Kemahdhöhe é a estação final de mais do que um percurso de teleféricos quer telecabines quer telecadeiras:

  • 3 – Königslehenbahn II, 
  • 4 – Kemahdhöhebahn,
  • 6 – Hochbifangbahn II,
  • 7 – Hochbifangbahn I.

No mapa de curvas de nível seguinte, retirado daqui, além dos percursos dos teleféricos atrás mencionados, encontra-se igualmente bem assinalado a vermelho o percurso efectuado pelos trenós.

percurso-de-treno

No fim da viagem de teleférico, é uma lufada de ar fresco maravilhosa. A paisagem montanhosa avistada de outra perspectiva, vale por si ter feito a subida, ainda mais num dia de sol como aquele com que me deparei.

radstadt-rodelbahn-konigslehen_0032

No cimo da montanha além das estações finais dos teleféricos, algumas com um ar mais futurista, existe o Restaurante, Bar e Terraço Sportalm que possui um ar rústico, de madeira, com gastronomia regional austriaca.

radstadt-2

Desfrutar da paisagem e explorar um pouco mais as imediações nunca parece demais, ainda mais num dia tão agradável como o que encontrei.

radstadt-rodelbahn-konigslehen_0065

E não é apenas natureza no seu explendor máximo o que se encontra. Também encontrei manifestações católicas como uma cruz e uma escultura de S. José, N. Senhora e do Menino Jesus. Mas o que mais me surpreendeu foi encontrar um coração metálico vermelho para colocar cadeados, como muitos fazem em pontes.

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E ao lado do coração vermelho é onde se encontra o ponto de partida do percurso de descida de trenós. Preparei-me  não apenas fisicamente mas também mentalmente para a descida, mas ainda assim, deixei muitos passarem-me à frente, mesmo crianças com aparente muito mais experiência e empolgação do que eu.

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O percurso é mais largo que o primeiro que experimentei, mas possui igualmente algumas curvas bem fechadas, e algumas extensões de 1, 2 ou mesmo 3 km onde a dificuldade é parar dada a velocidade a que se pode atingir.

Existem no entanto duas curtas extensões onde o percurso ao invés de descer sobe, pelo que, a não ser que se vá a grande velocidade o que nunca procurou ser o meu caso, tem que se subir puxando pelo trenó. Outras áreas são mais planas, e nessas também tive que puxar pelo trenó pois não levava lanço suficiente para as fazer de outra forma.

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Depois do percurso concluido, restou-me ficar com a sensação muito agradável e positiva de uma hora talvez, muito muito bem passada. Adorei uma vez mais a experiência e continuo com vontade de voltar a repeti-la, numa outra aventura, em outro local, com um novo trajecto…

Mas o dia não estava dado por concluido. A seguir era altura de partir à procura do Snowtubing…

E para isso, tinha-se que rumar de automóvel em direcção a St.Martin am Tennengebirge, onde o Snow Tube Jausenstation Monigold ficava. A distância entre ambos os locais é de cerca de 18km.

O Snowtubing lá foi agradável, apesar de em termos de extensão ser bastante curto, com cerca de 250m, e não conter grandes curvas e contra-curvas (como admito estava a contar).

O meu “5 Palmos” gostou bastante, apesar de ter ficado amplamente satisfeito com apenas 3 descidas. Eu confesso que me fiquei por 2.

Seguro, fácil e agradável para os mais novos e totalmente inexperientes, é sem dúvida um dos pontos fortes do local… O outro é que não estava nada concorrido, pelo que foi fácil estacionar, apesar da quase inexistência de parque de estacionamento nas imediações.

snowtubing-em-st-martin

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Reencontro em Salzburgo

É incontável o numero de vezes que já visitei Salzburgo, pelos mais diversos motivos.

Recentemente regressei a Salzburgo, por um motivo muito especial. Os meus pais passaram alguns dias de férias em Viena, e propus-lhes viajarem um dia de comboio até Salzburgo, para reverem a cidade e nos podermos reencontrar também.

Os bilhetes para a viagem foram comprados antecipadamente no site da ÖBB, companhia ferroviária nacional austríaca, de forma bastante simples e expedita. Assim em poucos minutos ficaram com o bilhete em pdf nas suas mãos, e só tiveram que esperar pelo dia agendado para o usarem.

O comboio com partida às 08:36 da estação de comboios ocidental de Viena (WIEN WESTBAHNHOF) tinha hora prevista de chegada à estação central de Salzburgo (SALZBURG HBF) às 10:58. A viagem de regresso foi marcada com partida de Salzburgo às 19:02 e chegada  a Viena às 21:24. Viena e Salzburgo ficaram assim a cerca de 2h20 de distância.

Confesso, que apesar de partirem de um local mais distante que eu (que de Munique estava a cerca de 143 km de distancia), chegaram primeiro ao local de encontro definido, o Palácio e Jardins de Mirabell, o local perfeito, pois dista cerca de 930 m da estação central da cidade. Quando cheguei já tinham explorado bastante bem os jardins…

Salzburgo - Palácio e jardins de Mirabell

O dia presenteou-nos com sol e calor, pelo que a visita a Salzburgo foi ainda mais agradável.

O mapa detalhado com as principais atracções turísticas devidamente identificadas, pode ser encontrado no site oficial de Salzburgo, clicando aqui.

Um dos primeiros locais visitados depois dos sempre encantadores e deslumbrantes jardins de Mirabell, foi ditado pelo meu três palmos, que insistia que queria almoçar.

O Restaurante escolhido, ainda do lado da cidade nova, na Linzergasse 9, foi o Gabler Bräu, que se orgulha de existir desde 1429.

Com uma longa história de cerca de 584 anos, foi mencionado pela primeira vez como pousada em 1429, apesar de na altura com um outro nome “Pirprew”. Mudou várias vezes de proprietário até que em 1535 foi adquirido pela família Gabler, a Bräu (cerveja), de onde advém o nome Gabler Bräu. Em 1868 a cervejaria e pousada foi adquirida por Josef Mayr e em 16 de Julho 1868 Franz e Marie Mayr (pais do baixo-barítono de opera Richard Mayr) fizeram o contrato de aquisição e mantiveram-na na família até ter sido adquirida mais tarde pela Brau AG. Actualmente o edifício é propriedade da Immobilien Bauträger AG, que renovou todo o complexo nos anos de 2011/2012.

Salzburg - Gabler Bräu

Os pratos escolhidos, de uma ementa com pratos típicos regionais, revelaram-se bastante saborosos e genuínos. Recomendo sem dúvida alguma, este local para uma descontraída e deliciosa refeição na cidade, rodeada pela história que transpira pelas  paredes do edifício…

Depois de saciado do almoço, o meu três palmos estava em condições de explorar uma vez mais a cidade berço de Wolfang Amadeus Mozart.

Depois de atravessada uma das pontes sobre o rio Salzach (a Staatsbrücke, ponte do estado), chegamos ao centro histórico da cidade.

Salzburgo - Ponte do estado

Percorrer a Getreidegasse, a rua comercial pedonal mais famosa e típica da cidade, com os reclamos tradicionais metálicos a sobressaírem das fachadas das lojas, é algo quase obrigatório para um turista na cidade, e tem um atractivo extra principal, o facto de ser no numero 9 desta rua que se encontra a Casa de nascimento e Museu de W. A. Mozart. 

Salzburgo - Getreidegasse

Ao fim desta rua encontra-se a Igreja de São Brás, na Bürgerspitalgasse 2, e virando à esquerda, um pouco depois, pode-se vislumbrar a Praça Karajan com a Pferdeschwemme (local onde os cavalos se podiam lavar e refrescar depois do árduo trabalho), onde efectivamente sobressai a temática dos cavalos, quer nas pinturas quer na estátua no meio da fonte.

Salzburgo - Praca Karajan

Daí o percurso continuou para a Praça da Universidade (Universitätsplatz), onde se realiza em alguns dias da semana uma espécie de pequeno mercado de flores e outros artigos, em frente a Igreja Universitária.

Salzburgo - Igreja Universitária - exterior

Salzburgo - Igreja Universitária - interior

Alter Markt é considerado o centro do centro histórico da cidade. Aqui pode-se vislumbrar a fonte de S. Floriano, e a “residência” de algumas das lojas de marcas de maior prestigio internacional como a Hermès por exemplo.

Salzburgo - Alter Markt

É também aqui que se encontra um dos Cafés-Confeitarias Fürst, onde se podem adquirir as famosas Mozartkugel (esferas Mozart) originais de Salzburgo, típicos chocolates e conceituadas lembranças da cidade.

Salzburgo -Café confeitaria Fürst

A Praça da Residência com a sua fonte, fica logo a seguir, a anteceder a praça onde se encontra o ponto fulcral e central da diocese, a catedral da cidade.

Salzburgo - Praca da residencia

A Catedral de Salzburgo, Igreja dedicada a S. Ruperto de SalzburgoSt. Virgilio de Salzburgo, situada na Domplatz é outro dos marcos incontornáveis no centro da cidade.

Salzburgo - Catedral

Com tantos motivos de destaque, o interior da catedral merece, para ser apreciado devidamente, que se despenda bastante tempo a percorrer a nave central e laterais, o que desta ultima vez não aconteceu.

Salzburgo - Catedral - interior

Depois da Catedral, passando pela Kapitelplatz, em direcção ao funicular pelo qual é possível chegar à Fortaleza, é impossível não parar para apreciar a esfera dourada gigante, uma obra de arte de  Stephan Balkenhol.

Salzburgo - Kapitelplatz

Após uma breve passagem pelo cemitério compreendido no complexo de S Pedro, no qual parece sempre um pouco mórbido tirar fotografias, o percurso continuou até ao ponto de partida do funicular que nos levaria à fortaleza Hohensalzburg.

Salzburgo - planta do complexo de S Pedro

A fortaleza indiscutivelmente tem diversos focos de interesse para visitar (como o Museu de Marionetas, o Museu da Fortaleza ou os aposentos da regência, por exemplo), mas a possibilidade de apreciar a cidade de um local sobranceiro como o que esta proporciona, coloca a sua visita no topo de qualquer lista dos locais a visitar em Salzburgo.

Salzburgo - avistado da Fortaleza Hohensalzburg

Depois de devidamente explorado tudo o que a Fortaleza poderia oferecer, e de descer usando uma vez mais o funicular, eis chegada a altura de começar a fazer o percurso de regresso e de despedida do centro histórico da cidade, mas continuando a usufruir do que a cidade tem para oferecer.

Pelas ruas Judengasse e Goldgasse, encontram-se sobretudo as lojas onde é Páscoa e Natal durante todo o ano. Lá é sempre difícil resistir à tentação de não adquirir pelo menos um ovo incrivelmente e magistralmente decorado, e leva-lo para casa, o problema é perante uma gama tão vasta, escolher o que se gosta mais.

Salzburg - Páscoa e Natal o ano todo

Esta visita a Salzburgo, acabou sensivelmente no mesmo local que começou, nos jardins de Mirabell, depois de atravessar a ponte Makartsteg, apreciar o Hotel Sacher Salzburg, de um lado e  o centro histórico da cidade do outro.

Salzburgo - na despedida

Outros locais no centro histórico da cidade ficaram por rever, o que não foi grave, pois Salzburgo é uma cidade à qual dá sempre vontade voltar.

Quem disse que a viagem não são férias?

Por vezes quando se escolhe o percurso a realizar para chegar ao tão ansiado destino das férias, a opção é o caminho mais rápido, para se perder o menor tempo possível com a viagem.

No entanto quando o percurso pode implicar passar pelos Alpes Suíços, em que a paisagem é um permanente postal ilustrado, proporcionando imagens idílicas, a escolha talvez recaia sobre o percurso panorâmico, pois o tempo da viagem não é considerado tempo perdido mas sim aproveitado.

Claro que com isso deve estar-se consciente que percorrer 80km pode demorar mais de 2 horas, com tantas curvas e contra-curvas bastante prenunciadas, sempre com um declive muito acentuado e em alguns casos a mais de 2000m de altitude.

Eu que sofro de vertigens, a permanente sensação de estar muito próxima de um precipício, fez que a expressão que dizia com mais frequência ao meu indispensável e eterno acompanhante (que foi o condutor durante toda a viagem) fosse: “por favor conduz mais devagar, com extremo cuidado, e sempre que possível afastado das bermas exteriores”.

Acho que ele ficou cansado de tanto me ouvir dizer isso, e para desanuviar, por vezes parava apenas para eu poder apreciar a paisagem de forma mais descontraída.

O percurso percorrido implicou, andar sempre por autoestrada, a A96, desde que se saiu do centro de Munique até uma das extremidades do Bodenssee, onde ficava a fronteira entre a Alemanha e a Áustria.

Depois percorrer um pouco estradas nacionais na Áustria, nas imediações de Bregenz junto ao Bodensee.

Em Bregenz não quis também perder a oportunidade de visitar o Factory Outlet da Wolford, que fica junto à sede da empresa. Sem dúvida uma óptima forma de unir o útil ao agradável, e de sair de lá com um saco muito bem recheado. A imagem seguinte foi retirada do site oficial da companhia.

Um pouco depois, as estradas nacionais são substituídas uma vez mais pelas autoestradas, já na Suiça, até Chur (ponto B no mapa anterior).

Desde Chur até Brig (entre os pontos B e C), o percurso é essencialmente através de estradas de montanha, quase sempre sem entrar nas pitorescas cidades, ou aldeias que se vão avistando, bem como campos de golfe verdejantes e recortados entre as montanhas aproveitando o relevo destas. Estes últimos foram uma inesperada surpresa pois não imaginava que houvessem tantos campos de golfe, em áreas de montanha bastantes afastadas de centros urbanos .

Mas as montanhas são realmente onde a paisagem é mais incrível e admirável, sobretudo quando se passa tão perto de quedas de agua com tanta potencia e intensidade.

Lagos no cimo das montanhas, regos de agua de degelo que as serpenteiam ou áreas onde a neve continua presente, no topo dos Alpes, mesmo quando o termómetro regista nas redondezas 25ºC, é algo incrivelmente magnifico e digno de ser apreciado.

O percurso descendente ao aproximar-se de Brigs e da autoestrada, continua a proporcionar paisagens fantásticas, mas a atenuar a minha sensação de vertigens, ao  diminuir a altitude e a proporção de curvas constantes e acentuadas.

Continuando na Autoestrada até perto de Aigle, e depois subindo, uma vez mais por estrada de montanha até Leysin, onde ficava o pacífico hotel de montanha escolhido para a estadia destas férias, começa gradualmente a sobressair na paisagem a rica região vinícola .

E assim termina o primeiro dia de férias, o da viagem com predominância das cores verdejantes dos Alpes.

Lago Plansee, ainda que só de passagem

Depois da visita à Wieskirche (1), descrita no artigo anterior, a viagem continua pela B17 até às imediações do Palácio Neuschwanstein (2), destino principal do percurso e por isso assinalado no mapa com uma estrela. No entanto, como este palácio já foi objecto de um dos meus artigos neste blog, curiosamente do meu segundo artigo,  será o local seguinte, assinalado no mapa, que abordarei hoje.

No entanto antes de passar para o terceiro local, convém esclarecer que implica fazer algumas cedências por uma questão de tempo.

  • Primeiro, implica visitar apenas o Palácio Neuschwanstein e preterir de visitar o Palácio Hohenschwangau (palácio do herdeiro da coroa, Príncipe Maximilian da Bavaria, pai do Rei Ludwig II da Baviera e onde este ultimo passou parte da sua infância).

O Palácio Hohenschwangau fica também nessa área e é possível adquirir um bilhete combinado para a visita a ambos no mesmo dia, o denominado Königsticket (este ano o preço normal é de 23€).

Por falar em bilhetes, o preço do bilhete para visitar apenas o Palácio de Neuschwanstein é de 12€, mas caso tenham tempo e interesse podem achar preferível adquirir um outro bilhete, o designado “Kombiticket Königsschlösser” que custa 24€ e permite visitar uma vez, os 3 palácios do Rei Ludwig II da Baviera (Neuschwanstein, Linderhof e Herrenchiemsee, cujos ingressos isolados custam respectivamente: 12€+8,5€+8€), e tem um prazo de validade de 6 meses.

  • Segundo, implica não despender muito tempo nos lagos que circundam a area, e que se vislumbram do Palácio Neuschwanstein, um dos quais se encontra próximo de uma das extremidades do parque de estacionamento.
  • Terceiro, implica preterir de visitar a encantadora e muito interessante cidade de Füssen, que fica nos arredores, e é a cidade principal dessa região.

Claro que cada um cria livremente o seu próprio roteiro, e pode preferir visitar estes  locais alternativamente, ao invés de continuar com a minha proposta de roteiro. Também por isso é que faço questão de os salientar.

Mas voltando à minha proposta de roteiro, depois da visita ao Palácio Neuschwanstein (2), o percurso continua em direcção à Áustria ainda que só de passagem. Neste caso convém referir que como a proposta não implica entrar numa autoestrada na Áustria, não precisam de se preocupar com terem que adquirir uma vinheta para esse efeito.

O objectivo é assim entrar na Áustria, apenas para aceder a uma estrada panorâmica através da qual se volta a entrar na Alemanha, para se chegar ao local assinalado no mapa com (4).

Saindo do parque de estacionamento do Hohenschwangau, continua-se então pela B17 em direcção a Reutte/Tirol, e passa-se ao lado da cidade de Füssen antes de entrar na Áustria. Já na Áustria segue-se na B179 em direcção a Innsbruck – Reutte – Fernpaß, Depois de passar Reutte, pouco depois, à esquerda entra-se na B198 e uma vez mais à esquerda, continuando nesta até à Kreckelmoosstraße e depois até ao Plansse. (Por hoje acabaram-se as indicações de percurso, mas para o seguirem mais facilmente, sugiro por exemplo através das direcções dadas aqui, no site do via michelin, ou simplesmente, colocando no GPS como morada de destino Linderhof, Linderhof 12).

Chegados ao Lago Plansee (3), não proponho uma longa pausa, mas sim no máximo uma curta para apreciar a paisagem, já que o objectivo principal não é dispender muito tempo, mas enquanto se viaja até ao destino seguinte, se poder desfrutar de vistas idílicas.

Eis o exemplo das que obtive ao passar por lá.

O lago Plansee é, com uma área de 280 hectares, alem do Lago Achensee, o maior lago no Tirol. O lago é caracterizado pela excelente qualidade da água, como as imagens anteriores, onde sobressai o azul cristalino, deixam transparecer.

Aninhado no coração dos Alpes Lechtal e as cadeias de montanhas Wetterstein e Mieminger, situa-se a 976 m de altitude e possui uma profundidade máxima de 78 m.

Uma questão de vinhetas…

Quem viaja de carro pelas estradas da Europa, tem sempre que lidar com a questão da existência ou não de portagens nas Autoestradas.

Em Portugal, por exemplo, pagam-se portagens quer nas ditas autoestradas tradicionais como também em várias das anteriormente designadas SCUT (Sem Custo para os Utilizadores).

Se nas autoestradas com portagens, a forma de funcionamento é por demais conhecida, em que se paga geralmente consoante os troços de estrada usados, já nas ex-SCUT, o pagamento depende de passar ou não nos locais onde se encontram os pórticos electrónicos.

Assim em muitos casos havendo alternativa, se não se pretende pagar, basta sair na saída anterior da autoestrada onde se localiza o pórtico e voltar a entrar na entrada imediatamente a seguir. Claro que para isso é necessário saber antecipadamente onde se localizam tais pórticos, nem sempre é possível evitá-los, ou simplesmente o transtorno de sair e voltar a entrar não compensa.

Para mim o maior problema é a questão pratica e funcional. Nas ditas autoestradas tradicionais, já se sabe que não se sai da autoestrada sem pagar o  troço que se circulou. Mas nas ex-scut, o pagamento não é imediato, excepto se se tiver um dispositivo electrónico como o utilizado na “via verde” ou o Dispositivo Electrónico de Matrícula (DEM), vulgo “chip” de matrícula. Ora um turista que chegue a Portugal de automóvel através de uma das fronteiras do país com Espanha, em principio não terá um destes dispositivos electrónicos. Existem uns dispositivos temporários (DT), que são os ideais  para os turistas estrangeiros.

Quem não tiver um dispositivo electrónico, terá de recorrer ao pós-pagamento (pagamento cinco dias úteis depois da passagem na autoestrada apenas com portagem electrónica, nos balcões dos CTT ou nas redes Payshop), pagando um acréscimo de custos administrativos de 25 cêntimos a dois euros, mais IVA. Os estrangeiros não podem utilizar este sistema, devendo optar pela compra de um DT.

Tudo o que um turista estrangeiro precisa de saber sobre as diversas alternativas para utilização das ex-SCUT, pode encontrar aqui.

Resumindo, as alternativas, sem dispositivo electrónico:

  • 3 dias (veículos ligeiros): Custo fixo de 20€ independentemente do número de viagens efectuadas em autoestradas apenas com portagens electrónicas. (Aquisição máxima de 6 títulos deste tipo por ano)
  • 5 dias: Consumo dependendo da utilização. Pré-carga mínima de 10 € (veículos ligeiros) / 20 € (veículos pesados), com possibilidade de reembolso do valor não utilizado, se solicitado, e se o pagamento foi feito pela internet;
  • Rota Espanha – Aeroporto do Porto, via A28 ou A41; Aeroporto de Faro, via A22; Pre-pagamento válido para  uma viagem de ida / volta.

Onde adquirir estes produtos:

  • Pontos de venda na fronteira (apenas com cartão de crédito)
  • CTT em www.ctt.pt (apenas com cartão de crédito)
  • Nos aeroportos do Porto e de Faro, fazendo o pagamento em dinheiro
  • No IKEA de Matosinhos, fazendo o pagamento em dinheiro
  • Nas estações de serviço (A28 – Viana and Modivas, A25 – Celorico da Beira, A23 – Abrantes, A22 – Olhão, A24 – Vidago), fazendo o pagamento em dinheiro
  • Nas estações de correios, fazendo o pagamento em dinheiro.

São várias as alternativas, é um facto, mas admito que preferia algo que fosse mais linear e fácil. Por vezes muitas alternativas só servem para complicar.

Vou citar apenas alguns exemplos que conheço e que me parecem mais “justos” e simples de utilizar.

Na Alemanha, para mim a situação é a ideal para o utilizador. Apenas os veículos pesados, ditos camiões, pagam portagens segundo um sistema electrónico que caso tenham curiosidade podem obter informação aqui.

Assim posso andar livremente nas autoestradas alemãs sem me preocupar com portagens.

Na Áustria existe um sistema de vinhetas simples, consoante a duração de utilização das autoestradas.

As referidas vinhetas podem ser adquiridas nas estações de serviço, ao longo das autoestradas que permitem o acesso ao país (isto é, em estações de serviço das autoestradas alemãs, eslovenas, suíças, etc.. além claro das austríacas, sempre que existe na sinalética a anunciar a estação de serviço o símbolo da vinheta). Alternativamente um turista pode adquirir a vinheta pretendida no posto de venda fronteiriço. Não parece nem é nada complicado adquirir essas vinhetas. Para mais informações e detalhes consulte o site da ASFINAG, ou este que serve para toda a Europa.

Modalidades de Vinhetas:

Na Áustria existem igualmente alguns percursos com as ditas portagens convencionais, mas tal refere-se sobretudo a situações esporádicas como a passagem em determinados túneis ou pontes longas (com diversos quilómetros).

Este é um exemplo de vinheta austríaca, para 10 dias.

Na Eslovénia funciona um sistema de vinhetas idêntico ao austríaco, e as mesmas podem ser adquiridas também em estações de serviço das autoestradas de acesso ao país e nos postos de venda fronteiriços. Este é o site onde pode encontrar informação mais pormenorizada sobre o tema.

Modalidades das Vinhetas:

Vinheta da Eslovénia, para 7 dias, adquirida aquando das férias de Páscoa em Zagreb.

Na Suíça  não existem alternativas de vinheta, já que só é possivel adquirir uma vinheta anual (válida sempre entre 1 de Dezembro do ano anterior e 31 de Janeiro do ano seguinte, isto é, durante 14 meses). Esta possui um preço muito inferior (40 francos suíços, cerca de 27€) às alternativas de vinhetas anuais tanto da Áustria como da Eslovénia.  Tal sobrecarrega o custo da vinheta a quem a pretende usar durante um curto período de tempo como acontece com os turistas que visitam o país, mas que beneficia bastante os suíços. Este é o site suíço acerca do sistema de vinhetas, onde encontrará resposta sobre a abrangência e funcionamento das mesmas.

Exemplo de Vinheta Suiça, adquirida recentemente.

Neste outro site encontram uma compilação da forma de funcionamento das portagens nos vários países da Europa (mas o mesmo encontra-se em alemão).

De regresso a casa

Na viagem de regresso de Zagreb, depressa se chegou à conclusão qual a cidade onde se faria um desvio e se aproveitaria para visitar um pouco.

A cidade escolhida foi Villach, o que é sinónimo de primeiro ter que se atravessar a parte da Croácia e da Eslovénia que constituía o percurso, e sair da auto-estrada pouco depois de se entrar na Áustria.

Como era segunda-feira de Páscoa, e tal dia é feriado na Áustria, tudo estava fechado excepto claro no que concerne à restauração.

Não foi difícil concluir, que também nesta cidade existe um Mercado de Páscoa, mas as barraquinhas que o compunham estavam fechadas. No entanto o pequeno comboio do Coelho de Páscoa  mantinha-se em plena actividade o que certamente agradava imenso aos mais pequenos.

Muito estava efectivamente fechado, mas a principal atracção  da cidade estava aberta ao publico, pelo que aproveitei a oportunidade para ficar a conhecer a Igreja Paroquial de S. Jacob que fica no centro histórico da cidade.

A igreja é dedicada ao apóstolo S. Jacob sénior. A primeira igreja construída no local data do século XI e foi destruída por um terramoto a 25 de Janeiro de 1348. A reconstrução levou mais de 100 anos. Na decoração do coro barroco encontram-se estuques ornamentais ricos e roundels em fresco. As naves são cobertas com abobadas notáveis e entrelaçadas numa rede de nervuras.

A torre com 94m de altura, separada de acordo com exemplos mediterrâneos, repousa sobre as paredes da massiva fundação românica. Adquiriu a sua aparência neo-gótica actual em 1847.

A entrada principal a oeste e as duas entradas laterais foram construídas no estilo gótico tardio e estão bem estruturadas. As três capelas laterais foram estabelecidas e usadas como locais de sepultura das famílias de descendência nobre (Leininger, Dietrichstein, Khevenhüller).

No Baptistério, existe uma fonte baptismal medieval (octogonal com relevos dos 12 apóstolos) e um balcão oratório gótico.

O altar mor está decorado com ricos entalhes rococó (1784-1785) e um crucifixo alto em gótico tardio (1502) no seu centro. O púlpito em mármore foi erguido em 1555 em estilo renascentista, e foi moldado com a forma de um cálice.  Do corpo de Jesse deitado no chão, a árvore genealógica de Cristo enrola-se para cima ao longo do eixo do púlpito.

O novo órgão foi consagrado em 1992. A empresa alemã que fez o órgão Jann construiu na preciosa caixa, que data de 1645, uma moderna tubagem três-manual  com 43 vozes. O órgão é usado nas celebrações solenes da Santa Missa, especialmente em dias festivos, mas também em concertos na igreja.

Para ficarem a conhecer um pouco melhor acerca do que esta cidade tem para oferecer em termos turísticos, talvez considerem útil esta brochura disponível online.

Um aparte: Para quem vai estar na Baviera no feriado de 1 de Maio, amanhã, tem oportunidade de conhecer uma das tradições deste estado alemão, com o erguer braçal do mastro de Maio. Afinal festeja-se o dia do trabalhador mas os rapazes da cidade tem que se esforçar bastante para fazerem subir o mastro até que este fique na vertical. O que os ajuda são as canecas de cerveja, o incentivo das raparigas, a musica e danças populares. Espreite este artigo para mais detalhes: Maibaum, Maypole ou Mastro de Maio

Gasometer City

Antes de “virar a página” e deixar Viena para trás, devo referir um local que me surpreendeu pela capacidade de conversão de um espaço em algo completamente diferente.

Refiro-me à Gasometer City, actualmente muito mais que um centro comercial.

Os gasómetros em Viena eram quatro tanques de gás, cada um com 90.000 m³ de capacidade de armazenamento, construídos como parte das obras de gás municipal de Viena,  a Gaswerk Simmering entre 1896-1899. Eles estão localizados no 11 º distrito, em Simmering. Foram usados entre 1899 e 1984 como tanques de armazenagem de gás. Após a passagem do gás da cidade para gás natural entre 1969 e 1978, eles deixaram de ser usados e foram fechados.

Apenas as paredes frontais exteriores de tijolo foram conservadas.

E assim começou a história de reconversão das estruturas, encontrando um novo propósito nos tempos modernos.

Viena realizou uma remodelação e revitalização dos monumentos protegidos e, em 1995, solicitou por ideias para a nova utilização das estruturas. Os projectos escolhidos dos arquitectos Jean Nouvel (Gasómetro A), Coop Himmelblau (Gasómetro B), Wehdorn Manfred (Gasómetro C) e Holzbauer Wilhelm (Gasómetro D) foram concluídos entre 1999 e 2001. Cada gasómetro foi dividido em várias zonas de estar (apartamentos na parte superior), trabalho (escritórios nos pisos intermédios), entretenimento e compras (shopping centers nos andares térreos). Os níveis de shopping em cada gasómetro são ligados uns aos outros por pontes aéreas.

Esta é a planta com legenda do que em termos comerciais e de lazer se pode encontrar na Gasometer City. Para mais pormenores aconselho o site oficial (em alemão mas suficientemente elucidativo), de onde inclusivamente retirei esta planta, ou este outro site com informações e dados relevantes (este também em inglês).

Em 30 de Outubro de 2001, o presidente da câmara participou da grande abertura oficial  dos Gasómetros, apesar de as pessoas já se terem começado a deslocar lá a partir de  em Maio do mesmo ano.

Sem dúvida alguma, um local com muito para oferecer a diversos níveis.